{"id":468,"date":"2015-10-14T02:39:51","date_gmt":"2015-10-14T13:39:51","guid":{"rendered":"http:\/\/espiritismolivre.com\/?p=468"},"modified":"2015-10-14T02:39:51","modified_gmt":"2015-10-14T13:39:51","slug":"a-morte-e-o-seu-misterio-%e2%80%93-volume-1-camille-flammarion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritismolivre.com\/?p=468","title":{"rendered":"A MORTE E O SEU MIST\u00c9RIO \u2013 VOLUME 1 (CAMILLE FLAMMARION)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em breve o estudo ficar\u00e1 dispon\u00edvel na \u00edntegra. Por enquanto, segue pequeno trecho, dos tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos do Livro 1 de &#8220;<em>A Morte e o Seu Mist\u00e9rio<\/em>&#8221; de Camille Flammarion.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quaisquer observa\u00e7\u00f5es \/ corre\u00e7\u00f5es, favor enviar para : espiritismolivre@gmail.com.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obrigado !<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I \u2013 PODE SER ATUALMENTE RESOLVIDO O MAIOR DOS PROBLEMAS?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em><strong>Se podemos desejar alguma coisa de melhor e \u00fatil no curso desta exist\u00eancia, \u00e9 o de servir de algum modo ao progresso lento, mas todavia real da humanidade, essa ra\u00e7a bizarra, cr\u00e9dula e c\u00e9ptica, indiferente e curiosa, boa e m\u00e1, virtuosa e criminosa, ali\u00e1s incoerente e ignorante no seu conjunto, sa\u00edda apenas dos casulos da cris\u00e1lida animal<\/strong><\/em>\u201d (2008-I:09).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E Flammarion cumpriu seu prop\u00f3sito. Seu enorme legado possui como contribui\u00e7\u00f5es principais sua colabora\u00e7\u00e3o na Codifica\u00e7\u00e3o Kardequiana, seus estudos em astronomia e a pluralidade dos mundos \/ das exist\u00eancias. Aqui o autor nos levar\u00e1 em estudos para comprovar a continuidade da vida ap\u00f3s a morte. Flammarion trata esta quest\u00e3o como o maior de todos os problemas, e ainda indaga se poder\u00e1 encontrar a solu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um m\u00e9todo experimental. Ou seja, prepara o leitor para uma viagem que englobar\u00e1 filosofia e pr\u00e1tica dos fatos, dois dos elementos mais ausentes nas pesquisas do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>a sobreviv\u00eancia da alma, seja no espa\u00e7o, seja nos outros mundos, seja pelas reencarna\u00e7\u00f5es terrestres, p\u00f5e sempre diante de n\u00f3s o mais formid\u00e1vel dos pontos de interroga\u00e7\u00e3o\u201d <\/em>(2008-I:10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim o \u00e9 pela motiva\u00e7\u00e3o que carrega consigo. A Doutrina Esp\u00edrita nos explica que a dor, al\u00e9m de grande professora das almas, \u00e9 um dos grandes fatores que carregam os seres \u00e0 busca por respostas. O autor aqui deixa clara a motiva\u00e7\u00e3o que o conduz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Aqueles que nunca viram morrer um ente adorado n\u00e3o conhecem a dor, n\u00e3o ca\u00edram no abismo do desespero, n\u00e3o trope\u00e7aram com a porta fechada do t\u00famulo. Quer-se saber, e um muro impenetr\u00e1vel ergue-se inexoravelmente diante do pavor<\/em>\u201d (2008-I:11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A ignor\u00e2ncia<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a> \u00e9 o maior fio condutor da hist\u00f3ria. \u00c9 o desconhecimento que leva as pessoas em busca de respostas, por uma curiosidade saud\u00e1vel. V\u00e1rias delas escreveram cartas ao autor, confidenciando caos e solicitando explica\u00e7\u00f5es ou corrobora\u00e7\u00f5es para os ideias de continuidade da vida. \u00c0 muitas dessas pessoas faltavam os recursos necess\u00e1rios para alcan\u00e7arem por si as respostas, sejam eles recursos materiais, f\u00edsicos, espirituais e at\u00e9 mentais. M\u00e3es que perderam filhos, vi\u00favas que perderam maridos, e assim por diante, alguns casos que levaram Flammarion a formatar essa obra como um abrigo, um consolo quanto \u00e0 realidade da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui h\u00e1 a mesma constata\u00e7\u00e3o de L\u00e9on Denis em suas diversas obras. As religi\u00f5es e os seres perderam a capacidade de consolar e atender \u00e0 expectativa dos que sofrem. N\u00e3o h\u00e1 rem\u00e9dio e nem forma de atenuantes aos que sofrem por quem morreu, pois ali havia apenas poucas formas de destino:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>O Nada;<\/li>\n<li>O C\u00e9u;<\/li>\n<li>O Inferno;<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a eternidade seriam de b\u00ean\u00e7\u00e3os ou puni\u00e7\u00f5es caso algo houvesse ap\u00f3s a morte. Um breve exame de consci\u00eancia colocaria em evid\u00eancia que quase ningu\u00e9m estaria apto a galgar um lugar ao C\u00e9u, uma vez que a humanidade costuma persistir em alguns erros contr\u00e1rios aos mandamentos de Deus. Esse entendimento gerava dor por si s\u00f3, j\u00e1 que a absolvi\u00e7\u00e3o dos homens poderia n\u00e3o garantir a rendi\u00e7\u00e3o divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o s\u00f3 isso, mas como descreve a carta da Vi\u00fava Boffard, da Espanha, que enfrentou diversas dificuldades e viu perecer seu filho ap\u00f3s idas e vindas de esperan\u00e7as. O car\u00e1ter de seu jovem filho (cujo desencarne ocorreu aos trinta e tr\u00eas anos) lhe parecia t\u00e3o bom e seu temperamento era t\u00e3o admirado, que a perda e as dificuldades seguintes lhe geraram desespero e revolta. Podemos observar na carta elementos preocupantes tais os abaixo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;H\u00e1 trinta e dois dias que ele morreu e, depois disso, n\u00e3o consegui dormir dez horas. \u00c0 noite fico de p\u00e9 at\u00e9 as quatro da manh\u00e3, e quando, vencida pelo cansa\u00e7o, me deito, vestida, no meu leito e fecho os olhos, a<strong> id\u00e9ia fixa <\/strong>continua durante o penoso sono; n\u00e3o perco a lucidez um s\u00f3 minuto e, quando abro os olhos experimento a obsess\u00e3o que perdura durante o dia. \u00c9 t\u00e3o assustador o que sinto, e t\u00e3o atroz, que a mim mesmo pergunto se o inferno n\u00e3o ser\u00e1 prefer\u00edvel ao que sofro!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>\u00c9 poss\u00edvel que seja Deus o criador de seres destinados a suportar semelhantes mis\u00e9rias<\/strong>?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>oh! diga-me, suplico-lhe de joelhos, se as almas sobrevivem, se posso conservar a esperan\u00e7a de tornar a ver meu filho e se ele me v\u00ea! Existir\u00e1 algum meio de comunicar com ele?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se fosse poss\u00edvel pesar a dor, medi-la como o senhor media os mundos, seria tal o peso da minha, tamanha a extens\u00e3o, que o assustaria pensar que uma alma possa atingir tal grau de tormento. <strong>\u00c9 preciso que haja para isso alguma coisa de infernal no meu destino<\/strong>! Nem ferros em brasas, nem tenazes de tortura s\u00e3o capazes de produzir semelhantes sofrimentos! Meu filho, meu filho adorado! Desejo v\u00ea-lo! N\u00e3o quero o C\u00e9u sem ele!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Diga-me se as almas sobrevivem em alguma parte, se elas se recordam, se elas amam ainda os que ficam na Terra, se nos v\u00eaem, se podemos cham\u00e1-las para junto de n\u00f3s!<\/strong>&#8221; <\/em>(2008-I:15-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes s\u00e3o os trechos de grande dor que a carta nos transmite. S\u00e3o motiva\u00e7\u00f5es ao estudo e \u00e0 pesquisa como objetos, mas as palavras traduzem algo al\u00e9m da capacidade das religi\u00f5es e cren\u00e7as tradicionais quanto ao consolo. O desespero conduz o questionamento a Deus, a raiva e a descren\u00e7a que uma dor sem raz\u00e3o aparente carrega consigo traz \u00e0 chama da revolta e a ideia fixa, um ingrediente b\u00e1sico e convite \u00e0 obsess\u00e3o. Flammarion constata esse problema quando nos diz que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Os padres recebem diariamente s\u00faplicas dessa ordem, porque s\u00e3o considerados ministros de Deus, dotados do poder de penetrar o enigma do sobrenatural e de resolv\u00ea-lo. Respondem a essas dores levando-lhes os confortos da religi\u00e3o. O sacerdote afirma em nome da f\u00e9, da revela\u00e7\u00e3o; <\/em><em><span style=\"text-decoration: underline;\">mas a f\u00e9 n\u00e3o se imp\u00f5e nem \u00e9 t\u00e3o geralmente aceita quanto se imagina<\/span><\/em><em>. Conhe\u00e7o padres, bispos, cardeais que a n\u00e3o t\u00eam, apesar de a indicarem como benef\u00edcio social. H\u00e1 na Terra umas cinq\u00fcenta religi\u00f5es diferentes, \u00fateis talvez, mas inaceit\u00e1veis sob o ponto de vista filos\u00f3fico. Em face dos espet\u00e1culos que acabamos de relembrar, poder\u00e3o seus ministros convencer-nos de que um Deus bom e justo rege a humanidade?<\/em>\u201d (2008-I:17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como aconselhar algu\u00e9m a ter f\u00e9? Eu n\u00e3o posso impor a f\u00e9 \u00e0 for\u00e7a para outra pessoa, posso somente indicar que ela busque sua f\u00e9 e a desenvolva de tal forma, que a cren\u00e7a cega a conduza em algum grau de confian\u00e7a. Assim era o passado. A F\u00c9 Raciocinada que conduz o Espiritismo e que perpassa todos os aspectos da Doutrina \u00e9 o elemento fundamental para que n\u00e3o ocorra o desequil\u00edbrio perante a vida. As dores s\u00e3o entendidas como professoras Exigir f\u00e9 parte do princ\u00edpio err\u00f4neo de que todos a temos como uma faculdade, quando na verdade ela existe em fagulha, que precisa ser alimentada para que cres\u00e7a e ateste sua vivacidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso seguinte \u00e9 de Theil-sur-Vanne, cuja filha desencarnou aos 16 anos. Ela exprime tamb\u00e9m toda a sua dor e a sua revolta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Era tudo para mim, essa bela flor ceifada antes de desabrochar. Por que? Que problema!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Depois de sua morte, pensei muitas vezes no suic\u00eddio para reunir-me a ela&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hora suprema e inolvid\u00e1vel, que revivo sempre! Amo o meu sofrimento. Vejo a minha querida morta que havia adivinhado o meu desespero; ela quis que eu ficasse, para chorar por ela. O meu pesar \u00e9 feito de saudades est\u00e9reis, de decep\u00e7\u00e3o amarga, de revolta contra todos e tudo; barafusto contra o pr\u00f3prio Deus, que me levou mais do que mil vezes a vida. Agora, s\u00f3 posso viver da recorda\u00e7\u00e3o de minha filha, meu pensamento constante, meu culto, minha adora\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quisera encontrar, se isso fosse poss\u00edvel, uma suaviza\u00e7\u00e3o \u00e0 minha dor no Espiritismo; refugiar-me nele com f\u00e9, esperan\u00e7a e amor\u2026<\/em>&#8221; (2008-I:18-19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela e o marido tentaram algumas formas de invoca\u00e7\u00e3o, mas em v\u00e3o. \u00c0s vistas destas fam\u00edlias, n\u00e3o parece uma injusti\u00e7a por parte de Deus, ceifar a vida de uma crian\u00e7a? Como consolar uma m\u00e3e que assiste a seu filho se esvair de suas m\u00e3os? O que dizer para quem sofre da impot\u00eancia ao vislumbrar que nenhum bem material ou humano pode parar a morte?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Mais do que nunca, o problema atroz dos destinos ergue-se diante de n\u00f3s. (&#8230;) Ah! as religi\u00f5es, apesar de terem todas por origem essa necessidade das nossas almas, esse desejo de conhecer, a dor de ver diante de si o cad\u00e1ver mudo de um ente querido, n\u00e3o nos deram as provas que prometiam. As mais belas disserta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas nada comprovam. N\u00e3o s\u00e3o frases que queremos, s\u00e3o fatos demonstrativos. A morte \u00e9 o maior problema que tem ocupado o pensamento dos homens, o problema supremo de todos os tempos e de todos os povos. Ela \u00e9 o fim inevit\u00e1vel para o qual nos dirigimos todos; faz parte da lei das nossas exist\u00eancias sob o mesmo t\u00edtulo que o do nascimento. Tanto uma como outro s\u00e3o duas transi\u00e7\u00f5es fatais na evolu\u00e7\u00e3o geral, e entretanto a morte, t\u00e3o natural como o nascimento, parece-nos contra a natureza. A esperan\u00e7a na continua\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 inata na alma humana; \u00e9 de todos os tempos e de todos os pa\u00edses<\/em>\u201d (2008-I:22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mesmo assim, o &#8216;sentimento&#8217; n\u00e3o pode ser mensurado e atribu\u00eddo de coeficiente cient\u00edfico, o que significa na pr\u00e1tica, que se a religi\u00e3o e seus representantes n\u00e3o puderam consolar a contento, a ci\u00eancia t\u00e3o pouco o far\u00e1, pois est\u00e1 enredada na cadeia materialista que ser\u00e1 tratada no cap\u00edtulo seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por enquanto, fica claro que algo na base est\u00e1 errado. Ainda agora no s\u00e9culo XXI as discuss\u00f5es sobre religi\u00e3o e imortalidade s\u00e3o est\u00e9reis e dependem da individualidade. O problema \u00e9 a busca e a forma com que \u00e9 feita. A partir deste ponto na introdu\u00e7\u00e3o, Flammarion disserta sobre sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o inicial e as percep\u00e7\u00f5es que adv\u00e9m de uma sociedade em cuja maioria reinam os preceitos crist\u00e3os antigos da Igreja, baseados em salva\u00e7\u00e3o ou condena\u00e7\u00f5es eternas. Mas afinal, pergunta ele na p\u00e1gina 26, por que temer a morte? Ou seria de fato, o fim de tudo e nada ter\u00edamos com que nos ocupar ou preocupar, ou seria a continuidade da exist\u00eancia, o que valeria, por assim dizer, as reflex\u00f5es que merece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Que o nosso corpo acaba, um dia, de viver, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida alguma; ele se dissociar\u00e1 em milh\u00f5es de mol\u00e9culas que se incorporar\u00e3o, em seguida, em outros organismos, plantas, animais e homens; a ressurrei\u00e7\u00e3o dos corpos \u00e9 um dogma obsoleto que ningu\u00e9m pode aceitar. Se o nosso pensamento, a nossa entidade ps\u00edquica, sobrevivem \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o do organismo material, teremos a alegria de continuar a viver, pois que a vida consciente continuar\u00e1 tamb\u00e9m sob outra forma de exist\u00eancia, superior a esta, sendo o progresso a lei da Natureza e manifestando-se em toda a hist\u00f3ria da Terra, \u00fanico planeta que podemos estudar diretamente<\/em>\u201d (2008-I:26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como advertido desde a introdu\u00e7\u00e3o do Livro dos Esp\u00edritos por Kardec, a cren\u00e7a em uma sobreviv\u00eancia da consci\u00eancia exige medita\u00e7\u00e3o para que fa\u00e7a sentido junto \u00e0 Doutrina. Flammarion por enquanto n\u00e3o trata do Espiritismo, mas da constata\u00e7\u00e3o de que a morte n\u00e3o significa a cessa\u00e7\u00e3o da vida. Al\u00e9m da medita\u00e7\u00e3o, o embate do que seria cient\u00edfico-positivista ou teol\u00f3gico acabou por criar um cisma desnecess\u00e1rio que s\u00f3 acirrou uma disputa de orgulhos. Enquanto a ci\u00eancia desdenha da religi\u00e3o, os \u00faltimos consideram-se autoridades sobre os primeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>O problema da imortalidade da alma n\u00e3o recebeu ainda solu\u00e7\u00e3o positiva da ci\u00eancia moderna, mas tamb\u00e9m n\u00e3o recebeu, como por vezes se pretende, uma solu\u00e7\u00e3o negativa<\/em>\u201d (2008-I:28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, a verdade reside em uma investiga\u00e7\u00e3o honesta. Tema e tese do que Flammarion desenvolver\u00e1 nesta obra. Para ainda constatar sua atualidade (o livro foi originalmente lan\u00e7ado em 1917), ou seja, quase cem anos, segue um trecho dos mais importantes da introdu\u00e7\u00e3o. A despeito de todos os problemas sociais causados pela disputa Ci\u00eancia x Religi\u00e3o, h\u00e1 um mais intr\u00ednseco, que diz respeito \u00e0 aus\u00eancia de estudo e conhecimentos na sociedade. Muitas vezes \u00e9 a pregui\u00e7a que norteia os destinos e s\u00e3o muito poucos os que realmente se esfor\u00e7am na conquista de novos horizontes. Tudo isso prejudica uma reflex\u00e3o honesta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Pode concluir-se que h\u00e1 um ser humano entre mil e seiscentos que sabe, de modo vago, em que mundo habita, e um em cento e sessenta mil que o conhece bem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quanto ao ensino prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, escolas, col\u00e9gios, liceus (laicos ou culturais), em mat\u00e9ria astron\u00f4mica, o resultado \u00e9 este: nada ou quase nada. Em psicologia positiva, nada igualmente. A \u201cignor\u00e2ncia universal\u201d \u00e9 a lei da nossa Humanidade terrestre desde o seu nascimento simiesco&#8221; <\/em>(2008-I:30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, a sociedade, devido a um individualismo supremo preconiza o que \u00e9 de curto prazo e imediatamente materialista. Por enquanto, \u00e9 a dor a maior motivadora para que as possas se libertem desta jaula e passem a ao menos considerar a hip\u00f3tese de que h\u00e1 continuidade na vida. No entanto, o intuito de Camille n\u00e3o \u00e9 o de estabelecer um tratado religioso-filos\u00f3fico, mas sim o e buscar provas <span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>positivas<\/strong><\/span> da sobreviv\u00eancia da alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o a obra se iniciar\u00e1 com uma an\u00e1lise fria do que \u00e9 regularmente aceito em ci\u00eancia, para que ent\u00e3o se esvazie as lacunas que ainda param o progresso. Tudo com o maior rigor poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II \u2013 O MATERIALISMO \u2013 Doutrina err\u00f4nea, incompleta e insuficiente.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Flammarion escrevia para um p\u00fablico cujo n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o era alto. Claro que sempre tratou-se da minoria populacional. Ent\u00e3o h\u00e1 um pressuposto de que o leitor conhe\u00e7a as terminologias e teorias estudadas. Aqui vou tentar traduzir um pouco do que o autor quis dizer e entender por elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Filosofia Positiva de Augusto Comte<\/strong> &#8211; \u201c<em>O conhecimento cient\u00edfico sistem\u00e1tico \u00e9 baseado em observa\u00e7\u00f5es emp\u00edricas, na observa\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos concretos, pass\u00edveis de serem apreendidos pelos sentidos do homem. N\u00e3o apenas isso, o positivismo \u00e9 a ideia da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento pela apreens\u00e3o emp\u00edrica do mundo, buscando descobrir as leis gerais que regem os fen\u00f4menos observ\u00e1veis. Dessa forma trabalham as ci\u00eancias naturais, como a biologia ou a qu\u00edmica, que se debru\u00e7am sobre seus objetos de estudo em busca de estrutura\u00e7\u00e3o das &#8216;regras&#8217; que constituem as formas de intera\u00e7\u00e3o entre organismos e seus compostos no mundo biol\u00f3gico observ\u00e1vel ou das intera\u00e7\u00f5es entre diferentes reagentes qu\u00edmicos<\/em><a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>&#8220;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, Filosofia Positiva, positivismo, todos s\u00e3o sin\u00f4nimos derivados do entendimento acima exposto. Imperioso que reconhe\u00e7amos e que haja compreens\u00e3o de que h\u00e1 uma natureza material presente na observa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, ou seja, a que afeta os nossos sentidos. Em tese, o universo seria explic\u00e1vel de forma an\u00e1loga a tudo o que somos capazes de verificar em experi\u00eancia e repeti\u00e7\u00e3o. Uma m\u00e1quina, com engrenagens universais da f\u00edsica cl\u00e1ssica, na mec\u00e2nica de Newton.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Era quase uma regra que estes investigadores fossem ateus e materialistas. Claro, influenciados grandemente por sua matriz te\u00f3rica investigativa. H\u00e1 sempre uma filosofia de vida envolvida no cotidiano, at\u00e9 nos mais \u00ednfimos gestos. Claro que no quesito \u00e9tico-moral era de se esperar algum reflexo utilitarista ou de vaidades exacerbadas. Mas como Flammarion anota, esses grandes homens faziam grandes concess\u00f5es de bondade e cordialidade, sem necessitar de moral religiosa espec\u00edfica. Ele comenta alguns casos, iniciando por Littr\u00e9<a href=\"#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>sua esposa era muito devota: ele mesmo a acompanhava, aos domingos, \u00e0 missa de S. Sulp\u00edcio, por meiga e pura bondade e sem entrar na igreja. Le Dantec, ateu e materialista, que lhe sucedeu, teve ex\u00e9quias religiosas para n\u00e3o magoar sua mulher, muito religiosa tamb\u00e9m, de quem se pode deplorar este \u00faltimo gesto. Preferir-se-ia que as companheiras da vida dos grandes homens pensassem como seus maridos. Este professor de ate\u00edsmo era igualmente muito bom. Tudo isto \u00e9 bastante paradoxal. O mesmo se deu com Jules Soury, esse devorador de padres \u201csepultado por eles, entre preces lit\u00fargicas\u201d. <\/em><em><strong>A l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 deste mundo. Mas as doutrinas nem sempre orientam as obras. Pode-se ser cat\u00f3lico praticante e, ao mesmo tempo, mentiroso, explorador do pr\u00f3ximo, assim como se pode ser materialista e perfeito homem de bem<\/strong><\/em>\u201d (2008-I:32-33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 a escolha de filosofia de vida que coordena o car\u00e1ter. S\u00e3o grandes os exemplos dos que nunca acreditaram na continuidade da exist\u00eancia, ou em recompensas \/ puni\u00e7\u00f5es eternas como mote de a\u00e7\u00e3o e comportamento. Por isso o estudo ser\u00e1 travado no campo cient\u00edfico, e nada h\u00e1 que sugira a id\u00e9ia de ataques \/ argumentos no ponto de vista pessoal, onde sempre haver\u00e1 o respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Esses eminentes esp\u00edritos s\u00e3o respeit\u00e1veis nas suas honestas convic\u00e7\u00f5es, que devemos respeitar como eles respeitaram as dos outros; mas podem-se discutir as suas id\u00e9ias, e de resto nunca eles tiveram pretens\u00f5es de infalibilidade<\/em>\u201d (2008-I:33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, j\u00e1 h\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o de positivismo, sua consequente postura materialista e a conclus\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 a escolha desta ou daquela op\u00e7\u00e3o e entendimentos perante a vida que conota a conduta \u00e9tico-moral do indiv\u00edduo. A quest\u00e3o s\u00e3o as id\u00e9ias. Flammarion inicia pelas de Littr\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Entretanto, sendo certo que a Psicologia foi na sua origem e ainda \u00e9 o estudo do esp\u00edrito, considerado independentemente da subst\u00e2ncia nervosa, n\u00e3o devo nem quero servir-me de express\u00e3o que pertence a uma filosofia muito diferente daquela que empresta o seu nome \u00e0s ci\u00eancias positivas. <\/em><em><strong>Nestas ci\u00eancias n\u00e3o se conhece nenhuma propriedade sem a mat\u00e9ria<\/strong><\/em><em>, n\u00e3o porque a priori se tenha a id\u00e9ia preconcebida de que n\u00e3o existe qualquer subst\u00e2ncia espiritual independente, mas porque a posteriori jamais se encontrou a gravita\u00e7\u00e3o sem corpo pesado; o calor sem corpo quente; a eletricidade sem corpo el\u00e9trico; a afinidade sem subst\u00e2ncias de combina\u00e7\u00e3o, vida, sensibilidade; pensamento sem ser vivo, sens\u00edvel e pensante. (&#8230;) <\/em><em><strong>Hoje n\u00e3o resta d\u00favida de que os fen\u00f4menos intelectuais e morais s\u00e3o fen\u00f4menos pertencentes ao tecido nervoso<\/strong><\/em><em>; que o caso humano n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um anel, embora o mais consider\u00e1vel, de uma cadeia que se prolonga, sem limite bem n\u00edtido, at\u00e9 aos \u00faltimos animais; e que, sob qualquer t\u00edtulo que se proceda, contanto que se empregue o m\u00e9todo descritivo, de observa\u00e7\u00e3o e de experi\u00eancia, ser-se-\u00e1 um fisiologista<\/em>\u201d (2008-I:34-35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, havia a tentativa honesta de colocar Psicologia abaixo da Fisiologia, uma vez que tudo seria resultado das a\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas, sendo que n\u00e3o existe outra forma de influ\u00eancia \u00e0 mat\u00e9ria que os impulsos conhecidos dos elementos materiais em si. Ou seja, tudo o que \u00e9 mensur\u00e1vel e quantific\u00e1vel. No entanto, at\u00e9 hoje n\u00e3o se conseguiu provar de forma positiva, ou seja, cient\u00edfica, que o pensamento \u00e9 uma subst\u00e2ncia nervosa, uma excre\u00e7\u00e3o cerebral ou molecular, nem que a consci\u00eancia e inconsci\u00eancia residam em alguma \u00e1rea do c\u00e9rebro material. Enfim, o que \u00e9 cient\u00edfico ent\u00e3o? Nem a incerteza por si s\u00f3 serve como teoria, apenas hip\u00f3tese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>N\u00e3o se ousaria comparar um peda\u00e7o de pau com um peda\u00e7o de m\u00e1rmore ou de metal, e compara-se tranq\u00fcilamente o esp\u00edrito, a raz\u00e3o pensante, o sentimento da liberdade, da justi\u00e7a, da bondade, a vontade, com uma fun\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia org\u00e2nica! Taine<a href=\"#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a> assegura que o c\u00e9rebro segrega o pensamento como o f\u00edgado segrega a b\u00edlis. Parece que nestas intelig\u00eancias a sede do racioc\u00ednio \u00e9 feita, de antem\u00e3o, com a mesma cegueira que a dos te\u00f3logos<\/em>\u201d (2008-I:36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Flammarion define <strong>mat\u00e9ria <\/strong>como <span style=\"text-decoration: underline;\">tudo o que pode ser depreendido atrav\u00e9s de nossos sentidos<\/span>. E no entanto, a observa\u00e7\u00e3o indica que h\u00e1 uma complexidade no ser humano que foge \u00e0 regra. Na ordem ps\u00edquica por exemplo, muito pouco pode ser explicado. \u00c9 um problema de perspectiva. Como um peixe acreditaria na vida fora da \u00e1gua? Esse era o papel dos cientistas e ainda hoje o \u00e9 de muitas ci\u00eancias. A investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e realmente cient\u00edfica prova que in\u00fameros fatores ficaram sem explica\u00e7\u00e3o pelo positivismo. O autor deseja resgatar alguns destes atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o da Natureza<a href=\"#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a>, e o faz com exemplos cujo conte\u00fado n\u00e3o permite conclus\u00e3o mais l\u00f3gica: H\u00e1 um organizador, uma Consci\u00eancia Inteligente que administra a Natureza. Do contr\u00e1rio, seria o acaso capaz de:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Fecundar plantas, animais e seres humanos;<\/li>\n<li>Realizar o desenvolvimento f\u00edsico e ps\u00edquico da humanidade<\/li>\n<li>Organizar mol\u00e9culas e \u00e1tomos em n\u00edvel microsc\u00f3pico e \tmacrosideral;<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>O esp\u00edrito sobrepuja o corpo; os \u00e1tomos n\u00e3o regem; s\u00e3o regidos. O mesmo racioc\u00ednio pode ser aplicado ao Universo inteiro, aos mundos que gravitam no espa\u00e7o, aos vegetais, aos animais. A folha da \u00e1rvore \u00e9 organizada, um ovo fecundo \u00e9 organizado. Essa organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 de ordem intelectual. O esp\u00edrito universal est\u00e1 em tudo; ele enche o mundo, e isto sem c\u00e9rebro\u201d<\/em> (2008-I:37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o retornamos ao problema que conduziu a introdu\u00e7\u00e3o. Se no aspecto da observa\u00e7\u00e3o da Natureza n\u00f3s vislumbramos uma coordena\u00e7\u00e3o perfeita e uma organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser mero acaso, qual o valor da dor e do sofrimento? Por que a Natureza seria t\u00e3o ingrata com seus filhos e membros? Onde todo o racionalismo positivista e sua cientificidade vislumbrariam a raz\u00e3o para que houvesse, nessa profundidade esses fatos? Para o Espiritismo e para Flammarion, adv\u00e9m de nossa incompreens\u00e3o de Deus e de nossa inferioridade espiritual. Claro que juntamente a esses fatores podemos desdobrar que por n\u00e3o compreendermos a Divindade n\u00f3s deturpamos o significado real de sua obra, al\u00e9m do que, limitamos a busca de respostas ao que nossos sentidos depreendem (muito pouco). Por exemplo, veja o pequeno espectro que somos capazes de enxergar atrav\u00e9s dos olhos<a href=\"#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando falamos sobre a percep\u00e7\u00e3o auditiva<a href=\"#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a>, \u00e9 ainda mais evidente como somos limitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando comparamos aos animais, a diferen\u00e7a \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, j\u00e1 somos incapazes de compreender muitos dos fen\u00f4menos naturais pelas limita\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de nossos sentidos e sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza, que n\u00e3o s\u00e3o nada al\u00e9m do c\u00e9rebro e suas fun\u00e7\u00f5es. Como transcender essa fronteira? Se hoje recolhemos informes diversos e cada vez mais paradoxais nas ci\u00eancias ps\u00edquicas, que dir\u00e1 no s\u00e9culo XIX? O quanto somos ainda influenciados por teorias de \u00e9pocas onde n\u00e3o havia tecnologia capaz de adiantar esses diferentes espectros?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intui\u00e7\u00e3o de que havia uma for\u00e7a superior, espiritual, acompanha a humanidade h\u00e1 muito mais tempo do que as ideias egoc\u00eantricas e orgulhosas que nos colocam em patamar supremo no universo. O Iluminismo \u00e9 um dos movimentos mais importantes da humanidade como constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, uma resposta suprema (por\u00e9m radical) ao tamb\u00e9m radicalismo teol\u00f3gico que mergulhou a humanidade em sombras. N\u00e3o podemos nos furtar \u00e0 busca de um equil\u00edbrio entre essas concep\u00e7\u00f5es. Eis ent\u00e3o que atingimos um problema da mais alta complexidade, que coloca em xeque as concep\u00e7\u00f5es mais s\u00e9rias da ci\u00eancia. A <strong>vida<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de enxergarmos uma pequena faixa visual, um funcionamento mec\u00e2nico do c\u00e9rebro deveria significar a absor\u00e7\u00e3o de tudo o que nos \u00e9 percept\u00edvel, como um esc\u00e2ner atual. No entanto, \u00e9 fato de que o c\u00e9rebro nem sempre registra tudo o que v\u00ea, e s\u00f3 recorda o que nos sensibiliza de alguma forma, seja por fator marcante ou por import\u00e2ncia que lhe concedemos. E o que anima essa sensibilidade? Considerando que nada \u00e9 aleat\u00f3rio (a \u00fanica premissa deste estudo \u00e9 o de que n\u00e3o existe acaso), o que leva meu c\u00e9rebro a considerar X mais importante do que Y ou Z?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os antigos pesquisadores definiram no c\u00e9rebro algumas \u00e1reas respons\u00e1veis em seus tecidos pela mem\u00f3ria e pelas recorda\u00e7\u00f5es, como camadas de um disco. Quando o c\u00e9rebro era afetado nessas regi\u00f5es, al\u00e9m dos preju\u00edzos motores, havia a perda de algumas mem\u00f3rias. No entanto, algum fator externo poderia, como aconteceu in\u00fameras vezes, \u201cdespertar\u201d a mem\u00f3ria que em tese havia sido perdida. Mesmo a neurog\u00eanese<a href=\"#sdfootnote8sym\"><sup>8<\/sup><\/a> n\u00e3o sendo completamente aceita pela ci\u00eancia atual, vamos supor que ela ocorra; ainda assim acontece de forma lenta e gradual, mas a mem\u00f3ria n\u00e3o obedece a essa determina\u00e7\u00e3o. Como explicar de forma material? Se tudo n\u00e3o passa de mat\u00e9ria e secre\u00e7\u00e3o, n\u00e3o faz sentido algum. Se a neurog\u00eanese realmente for falsa e as c\u00e9lulas cerebrais n\u00e3o se regenerem, a situa\u00e7\u00e3o se agrava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Eis aqui um c\u00e9rebro que trabalha. Eis ali uma consci\u00eancia que sente, que pensa e que quer. Se o trabalho do c\u00e9rebro correspondesse \u00e0 totalidade da consci\u00eancia, se houvesse equival\u00eancia entre o cerebral e o mental, a consci\u00eancia poderia seguir os destinos do c\u00e9rebro e a morte ser o fim de tudo; pelo menos, a experi\u00eancia n\u00e3o diria o contr\u00e1rio e o fil\u00f3sofo que afirma a sobreviv\u00eancia teria de apoiar a sua tese em qualquer constru\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, base geralmente fr\u00e1gil. <\/em><em><strong>Mas, se a vida mental ultrapassa a vida central, se o c\u00e9rebro se limita a traduzir por movimentos uma pequena parte do que se passa na consci\u00eancia, a sobreviv\u00eancia ent\u00e3o se torna t\u00e3o prov\u00e1vel que a obriga\u00e7\u00e3o da prova caber\u00e1 mais ao que nega do que ao que afirma, pois a \u00fanica raz\u00e3o que possamos ter para admitir uma extin\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia depois da morte \u00e9 a de que vemos o corpo desorganizar-se, e esta raz\u00e3o desvaloriza-se se a independ\u00eancia, pelo menos parcial, da consci\u00eancia para com o corpo \u00e9, tamb\u00e9m, um fato de experi\u00eancia<\/strong><\/em>\u201d (2008-I:41-42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas mesmo em situa\u00e7\u00f5es extremas a ci\u00eancia j\u00e1 provou que algumas &#8216;\u2018surpresas\u2019&#8217; acontecem para aqueles que imaginam a predetermina\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. A sobreviv\u00eancia \u00e9 condicionada ao que?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Aos exemplos extra\u00eddos das doen\u00e7as da mem\u00f3ria, que acabamos de relembrar, poder\u00edamos acrescentar muitos outros que levam \u00e0 mesma conclus\u00e3o. O meu s\u00e1bio amigo Edmond Perrier apresentou \u00e0 Academia das Ci\u00eancias, na sess\u00e3o de 23 de dezembro de 1913, uma observa\u00e7\u00e3o do Dr. Robinson, respeitante a um homem que viveu um ano, quase sem sofrimento, sem nenhuma perturba\u00e7\u00e3o mental aparente, com o c\u00e9rebro reduzido ao estado de &#8216;papas&#8217;, formando vasto abcesso purulento. Em julho de 1914, o Dr. Hallopeau fez, na Sociedade de Cirurgia, a exposi\u00e7\u00e3o de uma opera\u00e7\u00e3o praticada no Hospital Necker numa rapariga ca\u00edda do Metropolitano. Na trepana\u00e7\u00e3o, verificou-se que not\u00e1vel por\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria cerebral estava reduzida a papa. Fez-se a limpeza, drenou-se, fechou-se; a doente restabeleceu-se. Em 24 de mar\u00e7o de 1917, na Academia das Ci\u00eancias, o Dr. Gu\u00e9pin mostrou, operando um soldado ferido, que a abla\u00e7\u00e3o parcial do c\u00e9rebro n\u00e3o impedia as manifesta\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia. Outros casos id\u00eanticos poderiam ser citados. \u00c0s vezes restam bem modestas parcelas: o esp\u00edrito serve-se engenhosamente do que pode<\/em>\u201d (2008-I:42-43)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma consci\u00eancia cuja localidade corporal n\u00e3o \u00e9 definida. Isso fica evidente quanto mais se estuda a fisiologia em sua complexidade. N\u00e3o se trata de \u00f3rg\u00e3os frios, mas de algo animado que continua a demonstrar sua energia atrav\u00e9s da <strong>VONTADE<\/strong>. Ela desenha-se suprema, move os homens at\u00e9 a irracionalidade dependendo de qual o ponto de observa\u00e7\u00e3o. A obstina\u00e7\u00e3o de alguns gerou ganhos, de outros, perdas irrepar\u00e1veis, mas o fato \u00e9 que a vontade traz consigo uma f\u00f3rmula, transcendente \u00e0 mat\u00e9ria. Flammarion a aborda nas p\u00e1ginas 44 e 45, quando traz tamb\u00e9m uma observa\u00e7\u00e3o bastante importante quando a uma outra forma de sentir que acompanha a humanidade desde seu remoto in\u00edcio. A vontade de cultuar, algo que nos subjuga a um princ\u00edpio superior \u00e9 a ess\u00eancia de todas as grandes religi\u00f5es, ela faz o homem buscar em seu interior respostas de cuja a consci\u00eancia material nem imagina a resposta. Em suma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Na teoria mec\u00e2nica do Universo, o conjunto das coisas \u00e9 um efeito fatal das combina\u00e7\u00f5es inconscientes; a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um nada intelectual que vem a ser alguma coisa e acaba por pensar! Pode-se imaginar hip\u00f3tese mais absurda em si, e mais contr\u00e1ria \u00e0 observa\u00e7\u00e3o?<\/em>\u201d (2008-I:45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis que a ci\u00eancia prefere abra\u00e7ar a id\u00e9ia de que o acaso \u00e9 o rei, absoluto senhor do universo do que considerar qualquer outra hip\u00f3tese. E o que h\u00e1 de cient\u00edfico nisso? Este cap\u00edtulo parece que anda em c\u00edrculos, mas, na verdade, ele s\u00f3 demonstra o que a humanidade pratica desde sempre baseada em orgulho e vaidade. Na f\u00edsica mec\u00e2nica, \u00e9 a for\u00e7a que mant\u00e9m o Universo em estado de movimento e estabilidade. No entanto, a observa\u00e7\u00e3o demonstra que os \u00e1tomos nunca est\u00e3o est\u00e1ticos, ainda que no zero absoluto, eles oscilam<a href=\"#sdfootnote9sym\"><sup>9<\/sup><\/a> de acordo com o Princ\u00edpio da Incerteza de Heisenberg. Qual a for\u00e7a que nos mant\u00e9m em unidade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>A for\u00e7a parece mesmo inerente ao \u00e1tomo, pois n\u00e3o se nota em parte nenhuma \u00e1tomo im\u00f3vel. Um ser vivo que n\u00e3o possu\u00edsse em si mesmo a sua for\u00e7a diretriz n\u00e3o poderia viver, cairia em ru\u00ednas, como edif\u00edcio abandonado\u201d (2008-I:46).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o \u00e9 preciso que haja coordena\u00e7\u00e3o sobre essa for\u00e7a, e que ela ainda dote de energia e conex\u00e3o determinados \u00e1tomos e mol\u00e9culas para que ent\u00e3o sejam animados. Afinal, qual \u00e9 a part\u00edcula que diferencia os \u00e1tomos que nos comp\u00f5em dos \u00e1tomos que comp\u00f5em um autom\u00f3vel? Nenhuma. De todas as nossas mol\u00e9culas, cada uma parece ter sua raz\u00e3o de existir e se posicionar daquela forma. Ao mesmo tempo, nem tudo no Universo pode ser atribu\u00eddo \u00e0 for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o Newtoniana, conforme a f\u00edsica qu\u00e2ntica vem esclarecendo. Mal sabemos definir o comportamento de uma part\u00edcula ou sua localiza\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Afirmamo-lo: o Universo \u00e9 um dinamismo. Uma for\u00e7a invis\u00edvel e pensante rege mundos e \u00e1tomos. A mat\u00e9ria obedece<\/em>\u201d (2008-I:48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro que a afirma\u00e7\u00e3o acima feita por Flammarion carece de maior comprova\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 exatamente disso que se trata o transcurso da obra. Por enquanto, podemos depreender que o materialismo ser\u00e1 enfraquecido pelo m\u00e9todo experimental atrav\u00e9s da an\u00e1lise de v\u00e1rios fen\u00f4menos ps\u00edquicos e casos relativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;<em>O Materialismo \u00e9 doutrina err\u00f4nea, incompleta e insuficiente, que nada explica a nosso contento. Admitir s\u00f3 a mat\u00e9ria dotada de propriedades \u00e9 hip\u00f3tese que n\u00e3o resiste \u00e0 an\u00e1lise. Os &#8216;positivistas&#8217; laboram em erro; existem provas \u201cpositivas\u201d de que a hip\u00f3tese da mat\u00e9ria, dominando e regendo tudo, pelas suas propriedades, est\u00e1 \u00e0 margem da verdade. (&#8230;) <\/em><em><strong>H\u00e1 no ser humano outra coisa mais do que mol\u00e9culas qu\u00edmicas dotadas de propriedades: h\u00e1 um elemento n\u00e3o material, um princ\u00edpio espiritual. <\/strong><\/em><em>O exame imparcial dos fatos vai comprov\u00e1-lo e v\u00ea-lo-emos mesmo atuar independentemente dos sentidos f\u00edsicos<\/em>&#8221; (2008-I:49-50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis as premissas e a introdu\u00e7\u00e3o do livro, que nos levar\u00e1 a considerar o Materialismo Positivista como maior fator de atraso na sociedade devido ao aparelhamento do orgulho e da vaidade. Ele possibilita isso de forma a conceder aos homens da ci\u00eancia um poder muito maior do que qualquer outro, o de influenciar diversas pessoas em diversas camadas sociais, direta ou indiretamente. A nega\u00e7\u00e3o de qualquer for\u00e7a maior ou coordena\u00e7\u00e3o divina, al\u00e9m de sua consequente nega\u00e7\u00e3o da alma, relega \u00e0 curta exist\u00eancia humana uma import\u00e2ncia maior do que realmente disp\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O esfor\u00e7o de Flammarion \u00e9 claramente e principalmente um s\u00f3: o de colocar a humanidade em seu devido lugar nos trilhos do progresso, mas tamb\u00e9m no seu pequeno local, seu pontinho no Universo, cuja magnitude n\u00e3o nos permite qualquer forma de egocentrismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> III \u2013 QUE \u00c9 O HOMEM? EXISTE A ALMA?<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A singeleza do t\u00edtulo deste cap\u00edtulo esconde a profundidade que ele abra\u00e7a. No cap\u00edtulo anterior, n\u00e3o foi negada a import\u00e2ncia do materialismo ou subestimado seu potencial, mas simplesmente constatamos que ele est\u00e1 bem longe de preencher suas lacunas te\u00f3ricas, o que o coloca em fase de hip\u00f3tese, e n\u00e3o uma ci\u00eancia exata como se prop\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso deste estudo, Flammarion prop\u00f5e primeiro entender se existe a alma, para depois buscar a realidade da sobreviv\u00eancia. Prop\u00f5e-se a demonstrar, como j\u00e1 dito antes, atrav\u00e9s do m\u00e9todo experimental, positivo. Antes, por\u00e9m, o autor nos apresenta um interessante estudo sobre a palavra alma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>A palavra alma e seus equivalentes em nossas l\u00ednguas modernas (<\/em><em><strong>esp\u00edrito<\/strong><\/em><em>, por exemplo), ou nas l\u00ednguas antigas, como <\/em><em><strong>anima, animus<\/strong><\/em><em> (transcri\u00e7\u00e3o latina do grego), <\/em><em><strong>spiritus, atma<\/strong><\/em><em>, alma (voc\u00e1bulo s\u00e2nscrito ligado ao grego, vapor), etc. Implicam todas a id\u00e9ia de sopro; e n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a id\u00e9ia de alma e de esp\u00edrito exprimiu primitivamente a id\u00e9ia de sopro nos psic\u00f3logos da primeira \u00e9poca. <\/em><em><strong>Psyche<\/strong><\/em><em>, mesmo, prov\u00e9m do grego, soprar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Estes observadores, identificando a ess\u00eancia da vida e do pensamento com o fen\u00f4meno da respira\u00e7\u00e3o, e, por outra parte, da decomposi\u00e7\u00e3o do corpo morto, do corpo privado de sopro, privado da alma, com a cren\u00e7a nas apari\u00e7\u00f5es dos mortos, isto \u00e9, a vida persistente daqueles cujo cad\u00e1ver a\u00ed jazia, inanimado, ou, o que \u00e9 mais, dissolvido e reduzido a cinzas, imaginaram que o sopro, a alma, era alguma coisa que abandonava o corpo na hora do decesso, para ir viver em outra parte da sua pr\u00f3pria vida.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ainda hoje o <\/em><em><strong>\u00faltimo suspiro<\/strong><\/em><em> designa a morte<\/em>\u201d (2008-I:52-53).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata aqui de um estudo sem\u00e2ntico, mas sim de demonstrar que a forma intuitiva est\u00e1 presente na humanidade (sobre a alma), h\u00e1 muito mais tempo do que a ci\u00eancia. E quantas vezes a ci\u00eancia errou em seus postulados? Quantas vezes a Terra foi o centro do universo? Quantas vezes a Terra foi plana? A observa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica demonstrava que os navios sumiam no horizonte e pareciam desabar num abismo. No entanto, tudo foi sendo desmentido \u00e0 medida que o ser humano pode progredir em ideais e concep\u00e7\u00f5es. Enquanto cientistas buscavam o sol como um disco no c\u00e9u, a observa\u00e7\u00e3o posterior demonstrou que era um objeto esf\u00e9rico, redondo como a Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>S\u00f3 julgamos o Universo, as coisas, os seres, as for\u00e7as, o espa\u00e7o, o tempo, pelas nossas sensa\u00e7\u00f5es, e tudo o que podemos pensar sobre a realidade est\u00e1 na nossa id\u00e9ia, em nosso esp\u00edrito, em nosso c\u00e9rebro. Mas \u00e9 um racioc\u00ednio singular concluir da\u00ed que as nossas id\u00e9ias constituem a realidade. Essas impress\u00f5es t\u00eam uma causa e essa causa \u00e9 exterior aos nossos olhos, aos nossos sentidos. Somos espelhos que se d\u00e3o conta das imagens recebidas\u201d <\/em>(2008-I:55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o f\u00f4ssemos dotados de olhos e ouvidos f\u00edsicos como o que possu\u00edmos, ser\u00e1 que a percep\u00e7\u00e3o do mundo seria a mesma? Essa indaga\u00e7\u00e3o de Flammarion remonta \u00e0s limita\u00e7\u00f5es de que dispomos em faixas visuais e auditivas. A resposta \u00e9 <strong>N\u00c3O<\/strong>. Se nossos principais sentidos fossem diferentes, n\u00f3s conseguir\u00edamos descrever o mundo de diferentes maneiras. Portanto, a conclus\u00e3o l\u00f3gica \u00e9 a de que desconhecemos o real sentido das coisas. S\u00f3 somos capazes de depreend\u00ea-los atrav\u00e9s de instrumentos fal\u00edveis e incapazes de abra\u00e7ar <strong>TODA <\/strong>a realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Sinto, penso: tal \u00e9 a nossa \u00fanica certeza, imediata, realmente experimental, aquela que merece esse qualificativo. Desse fato primitivo, o \u00fanico de observa\u00e7\u00e3o real, de certeza indubit\u00e1vel, um grande fato secund\u00e1rio deriva por via de indu\u00e7\u00e3o: o fato de uma causa da qual procedem esta sensa\u00e7\u00e3o e este pensamento. Essa causa desdobra-se em dois fatores: o sujeito e o objeto, isto \u00e9, o que sente e pensa, o que \u00e9 sentido e pensado\u201d<\/em> (2008-I:56).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, temos que:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/espiritismolivre.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/fig1.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-469 aligncenter\" title=\"fig1\" src=\"http:\/\/espiritismolivre.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/fig1-300x89.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"89\" srcset=\"https:\/\/espiritismolivre.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/fig1-300x89.png 300w, https:\/\/espiritismolivre.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/fig1.png 659w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 por isso que Flammarion completa que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Supor que conhecemos a realidade \u00e9 anticient\u00edfico. Sabemos que os nossos sentidos nos revelam apenas uma parte dela e isso mesmo \u00e0 maneira de prismas modificando a realidade. Se o nosso planeta estivesse constantemente coberto de nuvens, n\u00e3o conhecer\u00edamos nem o Sol, nem a Lua, nem os planetas, nem as estrelas, e o sistema do mundo ficaria ignorado, de sorte que o saber humano seria condenado a irremedi\u00e1vel falsidade. Ora, o que conhecemos nada \u00e9 comparado com o que ignoramos; o nosso pr\u00f3prio nervo \u00f3ptico n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o int\u00e9rprete parcial<\/em>\u201d (2008-I:56-57).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A prova que o autor utiliza para embasar seu ponto \u00e9 irrefut\u00e1vel. As sensa\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o pouco (ou nada) confi\u00e1veis, que voc\u00ea viaja a ao redor do Sol a 107.000 km\/h e n\u00e3o sente coisa alguma. A Terra ainda gira sob seu pr\u00f3prio eixo a 1.700 km\/h e voc\u00ea ainda n\u00e3o sente coisa alguma. Ou seja, como \u00e9 que nossos sentidos n\u00e3o identificam esse movimento? \u00c9 porque o fluxo ocorre de forma inversa. A Natureza \u00e9 dada, n\u00f3s criamos palavras e defini\u00e7\u00f5es para a fra\u00e7\u00e3o de que nossos sentidos podem trabalhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;<em>De resto, na Natureza, fora de nossos sentidos, n\u00e3o h\u00e1 de fato nem luz, nem som, nem cheiro; fomos n\u00f3s que criamos essas palavras correspondentes \u00e0s nossas impress\u00f5es. A luz \u00e9 um modo de movimento, como o calor, e h\u00e1 tanta \u201cluz\u201d no espa\u00e7o \u00e0 meia-noite como ao meio-dia, isto \u00e9, nas mesmas vibra\u00e7\u00f5es et\u00e9reas atravessando a imensidade dos c\u00e9us. O som \u00e9 outro modo de movimento, e s\u00f3 \u00e9 um ru\u00eddo para o nosso nervo auditivo. Os odores prov\u00eam de part\u00edculas em suspens\u00e3o no ar, que afetam especialmente os nossos nervos olfativos <\/em><em>(\u2026) \u00c9 pouco, e n\u00e3o nos d\u00e3o, em todos os casos, o conhecimento da realidade. H\u00e1 ao redor de n\u00f3s vibra\u00e7\u00f5es, movimentos, et\u00e9reos ou a\u00e9reos, for\u00e7as, coisas invis\u00edveis que n\u00e3o percebemos. \u00c9 esta uma afirma\u00e7\u00e3o de ordem absolutamente cient\u00edfica e incontestavelmente racional<\/em>&#8221; (2008-I:58-59).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o j\u00e1 que moldamos o mundo aos nossos sentidos e encontramos termos que apenas traduzem o que nossos \u00f3rg\u00e3os materiais conseguem depreender da realidade que captamos, h\u00e1 de fato um problema muito s\u00e9rio no materialismo e no homem, que vislumbra num cerco o que pensa ser toda a realidade poss\u00edvel. Ou seja, focamos em apar\u00eancia e desprezamos a ess\u00eancia, t\u00e3o mais simples de aceitar com as devidas coloca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>As apar\u00eancias n\u00e3o nos revelam a realidade. H\u00e1 uma \u00fanica realidade apreciada diretamente por n\u00f3s: \u00e9 o nosso pensamento. E o que h\u00e1 de mais insofismavelmente real no homem \u00e9 <\/em><em><strong>o esp\u00edrito<\/strong><\/em><em>\u201d (2008-I:59)<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, in\u00fameros casos registrados na ci\u00eancia comprovam que uma doen\u00e7a paralisante do corpo pode manter um c\u00e9rebro funcionando e ainda uma personalidade ativa. E se o c\u00e9rebro n\u00e3o \u00e9 ferramenta de uma personalidade que aplica a ele suas vontades, o que mais seria? N\u00e3o \u00e9 o olhar que v\u00ea, \u00e9 o c\u00e9rebro que assimila e repassa as informa\u00e7\u00f5es visuais. De forma an\u00e1loga, o pensamento n\u00e3o surge no c\u00e9rebro, \u00e9 processado e traduzido por ele em informa\u00e7\u00f5es diversas. Sua origem \u00e9 o esp\u00edrito. Isso tanto \u00e9 correto que o pr\u00f3prio ambiente ps\u00edquico foi detectado por diversos estudos de neuroci\u00eancia e psicologia.  Eis o pensamento nas palavras de Flammarion:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>O pensamento \u00e9 o que o homem possui de mais precioso, de mais pessoal, de mais independente. Sua liberdade \u00e9 inatac\u00e1vel. Podeis torturar o corpo, encarcer\u00e1-lo, dirigi-lo pela for\u00e7a material: nada podereis contra o pensamento. Tudo o que fizerdes, tudo quanto disserdes, n\u00e3o o for\u00e7ar\u00e1. Ele ri-se de tudo, desdenha tudo, domina tudo. Quando quer iludir, quando a hipocrisia mundana ou religiosa o obriga a mentir, quando a ambi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou comercial o faz revestir de m\u00e1scara enganadora, conserva-se o mesmo e sabe o que quer. N\u00e3o \u00e9 isso a prova flagrante da exist\u00eancia do ser ps\u00edquico independente do c\u00e9rebro? N\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria, n\u00e3o \u00e9 um conjunto de mol\u00e9culas que pode pensar. \u00c9 t\u00e3o infantil, t\u00e3o rid\u00edculo admitir que o c\u00e9rebro sente e pensa, como atribuir \u00e0s pilhas geradoras de eletricidade do tel\u00e9grafo a gera\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias expressas no telegrama\u201d (2008-I:62).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria capacidade de escolha diferenciada demonstra a consci\u00eancia individual. G\u00eameos id\u00eanticos, criados sob as mesmas condi\u00e7\u00f5es, no mesmo clima, educa\u00e7\u00e3o, dieta e lazer ainda possuir\u00e3o diferen\u00e7as consider\u00e1veis, e muitas vezes s\u00e3o extremamente opostos entre si. S\u00e3o materialmente id\u00eanticos, ent\u00e3o qual \u00e9, na pr\u00e1tica, a quest\u00e3o que os diferencia? Se n\u00e3o h\u00e1 uma individualidade operante, uma personalidade \u00fanica, um <strong>esp\u00edrito<\/strong>, qual outra explica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos com hipnose foram capazes de distinguir personalidade, mat\u00e9ria e consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Admite-se aqui que existe elemento superior \u00e0 l\u00f3gica material positivista, portanto, capaz de trazer ao menos o questionamento sobre algo al\u00e9m da mat\u00e9ria e dos sentidos materiais. \u00c9 a sabedoria de Verg\u00edlio no Sexto canto da Eneida:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Tudo quanto existe no Universo \u00e9 penetrado pelo mesmo princ\u00edpio, alma animando a mat\u00e9ria, que se mescla com este grande corpo<a href=\"#sdfootnote10sym\"><sup>10<\/sup><\/a>?\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3ximo cap\u00edtulo tratar\u00e1 de provas mais contundentes da sobreviv\u00eancia da alma, justamente reunindo fragmentos de estudos anteriores do autor (expressas em obras pr\u00e9vias) com alguns avan\u00e7os em suas pesquisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Flammarion foi incans\u00e1vel em seu prop\u00f3sito de consolar e provar a sobreviv\u00eancia da consci\u00eancia e da personalidade no esp\u00edrito imortal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote1anc\">1<\/a>Tratada \taqui sempre no sentido de fator de desconhecimento, nunca em tom \tpejorativo que assinale algo maldoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote2anc\">2<\/a>RODRIGUES, \tLucas De Oliveira. &#8220;<em>Positivismo<\/em>&#8220;; Brasil Escola. \tDispon\u00edvel em \t<a href=\"http:\/\/www.brasilescola.com\/sociologia\/positivismo.htm\">http:\/\/www.brasilescola.com\/sociologia\/positivismo.htm<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote3anc\">3<\/a>Littr\u00e9, \tMaximilien Paul \u00c9mile (1801-1881) \u2013 continuador e disc\u00edpulo de \tComte. Publicou o c\u00e9lebre \u201cDICION\u00c1RIO\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote4anc\">4<\/a>Hippolyte \tAdolphe Taine (Vouziers, Champanha-Ardenas, 21 de abril de 1828 \u2014 \tParis, 5 de mar\u00e7o de 1893) foi um cr\u00edtico e historiador franc\u00eas, \tmembro da Academia francesa (cadeira 25: 1878-1893). Foi um dos \texpoentes do Positivismo do s\u00e9culo XIX, na Fran\u00e7a. O <em>M\u00e9todo de \tTaine<\/em> consistia em fazer hist\u00f3ria e compreender o homem \u00e0 luz \tde tr\u00eas fatores determinantes: meio ambiente, ra\u00e7a e momento \thist\u00f3rico. Estas teorias foram aplicadas ao movimento art\u00edstico \trealista. (Fonte &#8211; Wikipedia: \t<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hippolyte_Taine\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hippolyte_Taine<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote5anc\">5<\/a>Flammarion \tj\u00e1 havia feito grande parte deste racioc\u00ednio na obra <strong>\u201cDEUS NA \tNATUREZA\u201d<\/strong>. Estudo dispon\u00edvel em: \t<a href=\"http:\/\/espiritismolivre.com\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Estudo-Flammarion-Camille-Deus-na-Natureza-Final.pdf\">http:\/\/espiritismolivre.com\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Estudo-Flammarion-Camille-Deus-na-Natureza-Final.pdf<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote6anc\">6<\/a>Para \tsaber mais: \t<a href=\"http:\/\/www.oftalmologistabh.com.br\/visao-como-funciona-e-por-que-enxergamos\/\">http:\/\/www.oftalmologistabh.com.br\/visao-como-funciona-e-por-que-enxergamos\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote7anc\">7<\/a>Para \tsaber mais: <a href=\"http:\/\/www.aulas-fisica-quimica.com\/8f_07.html\">http:\/\/www.aulas-fisica-quimica.com\/8f_07.html<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote8anc\">8<\/a>Regenera\u00e7\u00e3o \tdos neur\u00f4nios de forma natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote9anc\">9<\/a>Zero \tAbsoluto \u00e9 -273,15\u00b0C, tido como a menor temperatura poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#sdfootnote10anc\">10<\/a>Citado \tno livro como pertencente ao canto sexto da Eneida de Virg\u00edlio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em breve o estudo ficar\u00e1 dispon\u00edvel na \u00edntegra. Por enquanto, segue pequeno trecho, dos tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos do Livro 1 de &#8220;A Morte e o Seu Mist\u00e9rio&#8221; de Camille Flammarion. Quaisquer observa\u00e7\u00f5es \/ corre\u00e7\u00f5es, favor enviar para : espiritismolivre@gmail.com. Obrigado ! I \u2013 PODE SER ATUALMENTE RESOLVIDO O MAIOR DOS PROBLEMAS? \u201cSe podemos desejar alguma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,172],"tags":[173,174,296,295,297],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/468"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=468"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/468\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":470,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/468\/revisions\/470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}