{"id":387,"date":"2014-10-15T01:53:45","date_gmt":"2014-10-15T12:53:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espiritismolivre.com\/?p=387"},"modified":"2014-10-15T01:57:02","modified_gmt":"2014-10-15T12:57:02","slug":"entrada-dos-incredulos-no-mundo-dos-espiritos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espiritismolivre.com\/?p=387","title":{"rendered":"ENTRADA DOS INCR\u00c9DULOS NO MUNDO DOS ESP\u00cdRITOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Este post foi baseado em uma hist\u00f3ria contida na Revista Esp\u00edrita de 1867, que est\u00e1 reproduzida ao final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali fica expl\u00edcito o perigo do materialismo e como ele \u00e9 danoso aos mais inteligentes. Intelig\u00eancia e cultura, quando direcionadas pelo orgulho e pelo ego\u00edsmo do homem, conduzem ao caos mental ap\u00f3s o desencarne. Questionamentos inteligentes, por\u00e9m de simples solu\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica parecem insol\u00faveis. \u00a0Como aceitar a exist\u00eancia de Deus e dos Esp\u00edritos, se n\u00e3o podemos observ\u00e1-los \u00e0 luz da ci\u00eancia (ainda)? No entanto, nas situa\u00e7\u00f5es extremas recorremos \u00e0 Deus&#8230; (a comunica\u00e7\u00e3o deixar\u00e1 isso claro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o homem isola esse instinto em prol do orgulho, imaginando-se sozinho, imaginando-se vivendo por uma \u00fanica vez, ele acaba por cair nas tenta\u00e7\u00f5es da baixa moral e do comportamento anti-\u00e9tico. N\u00f3s ainda somos baixos na escala evolucion\u00e1ria, calculamos as coisas em custo x benef\u00edcio de curto prazo. Quando lidamos com a verdade, costumamos nos arrepender, pois ningu\u00e9m escapa \u00e0 real Justi\u00e7a, a Divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das maiores miss\u00f5es da reforma \u00edntima \u00e9 pensar em longo prazo, dentro dos preceitos ditados por Jesus. Dessa forma, n\u00e3o nos surpreender\u00edamos no desencarne, n\u00e3o estranhar\u00edamos a an\u00e1lise de nosso comportamento e, principalmente, da nossa consci\u00eancia. Li\u00e7\u00f5es como a que ser\u00e1 exposta abaixo, serve para nos alertar e lembrar que, a humildade e a resigna\u00e7\u00e3o durante a encarna\u00e7\u00e3o, evita muitos males adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Entrada dos Incr\u00e9dulos no Mundo dos Esp\u00edritos<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\">O DOUTOR CLAUDIUS<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\">(Sociedade de Paris \u2013 M\u00e9dium: Sr. Morin, em sonambulismo espont\u00e2neo)<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Um m\u00e9dico, que designaremos sob o nome de doutor Claudius, conhecido de alguns dos nossos colegas, e cuja vida tinha sido uma profiss\u00e3o de f\u00e9 materialista, morreu h\u00e1 algum tempo de uma afec\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, que ele sabia incur\u00e1vel. Atra\u00eddo, sem d\u00favida, pelo pensamento dos que o haviam conhecido e que desejavam conhecer sua posi\u00e7\u00e3o, manifestou-se\u00a0 espontaneamente por interm\u00e9dio do Sr. Morin, um dos m\u00e9diuns da Sociedade, em estado de sonambulismo espont\u00e2neo. J\u00e1 v\u00e1rias vezes esse fen\u00f4meno se produziu por esse m\u00e9dium e por outros adormecidos no sono espiritual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">O Esp\u00edrito que assim se manifesta apodera-se do m\u00e9dium, serve-se de seus \u00f3rg\u00e3os como se ainda estivesse vivo. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais uma fria comunica\u00e7\u00e3o escrita; \u00e9 a express\u00e3o, a pantomima, a inflex\u00e3o de voz do indiv\u00edduo que se tem diante dos olhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Foi nestas condi\u00e7\u00f5es que se manifestou o doutor Claudius, sem ter sido evocado. Sua comunica\u00e7\u00e3o, que publicamos textualmente a seguir, \u00e9 instrutiva por v\u00e1rias raz\u00f5es, principalmente quando descreve os sentimentos que o agitam; a d\u00favida ainda constitui o seu tormento; a incerteza de sua situa\u00e7\u00e3o o mergulha numa terr\u00edvel perplexidade, e a\u00ed est\u00e1 a sua puni\u00e7\u00e3o. \u00c9 um exemplo a mais que vem confirmar o que se viu muitas vezes em casos semelhantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Ap\u00f3s uma disserta\u00e7\u00e3o sobre outro assunto, o m\u00e9dium absorvido se recolhe alguns instantes; depois, como se despertasse penosamente, assim se exprime, falando a si mesmo:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Ah! ainda um sistema!&#8230; Que h\u00e1 de verdadeiro e de falso na exist\u00eancia humana, na Cria\u00e7\u00e3o, na criatura, no Criador?&#8230; A coisa \u00e9?&#8230; A mat\u00e9ria \u00e9 mesmo verdade?&#8230; A Ci\u00eancia \u00e9 uma verdade?&#8230; O saber, uma aquisi\u00e7\u00e3o?&#8230; A alma&#8230; a alma existe?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">O Criador, a Divindade, n\u00e3o \u00e9 um mito?&#8230; Mas, que digo eu?&#8230; por que essas blasf\u00eamias multiplicadas?&#8230; Por que, em face da mat\u00e9ria, n\u00e3o posso crer, \u00f3 meu Deus, n\u00e3o posso ver, sentir, compreender?&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Mat\u00e9ria!&#8230; mat\u00e9ria!&#8230; mas sim, tudo \u00e9 mat\u00e9ria&#8230; Tudo \u00e9 mat\u00e9ria!!&#8230; e, contudo, a invoca\u00e7\u00e3o a Deus veio-me \u00e0 boca!&#8230; Por que, ent\u00e3o, eu disse: \u00f3 meu Deus?&#8230; Por que esta palavra, j\u00e1 que tudo \u00e9 mat\u00e9ria?&#8230; Sou eu?&#8230; N\u00e3o \u00e9 um eco do meu pensamento, que ressoa e se escuta?&#8230; N\u00e3o s\u00e3o as \u00faltimas badaladas do sino que eu tocava?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Mat\u00e9ria!&#8230; Sim, a mat\u00e9ria existe, eu o sinto!&#8230; A mat\u00e9ria existe; eu a toquei!&#8230; mas!&#8230; nem tudo \u00e9 mat\u00e9ria e, contudo&#8230; contudo tudo foi auscultado, palpado, tocado, analisado, dissecado fibra a fibra, e nada!&#8230; Nada sen\u00e3o a carne, a mat\u00e9ria sempre que, desde o instante em que o grande movimento se deteve, tamb\u00e9m parou!&#8230; O movimento p\u00e1ra, o ar n\u00e3o chega mais&#8230; Mas!&#8230; se tudo \u00e9 mat\u00e9ria, por que ela n\u00e3o mais se p\u00f5e em movimento, desde que tudo o que existia quando ela se agitava, existe ainda?&#8230; E, contudo, ele n\u00e3o existe mais!&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Mas se existo!&#8230; nem tudo acabou com o corpo!&#8230; Na verdade&#8230; estou mesmo morto?&#8230; entretanto, esse corrosivo que alimentei, que cuidei com minhas m\u00e3os, n\u00e3o me perdoou!&#8230; \u00c9 verdade; estou morto!&#8230; Mas esta doen\u00e7a que vi nascer&#8230; crescer&#8230; tinha uma alma?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Ah! a d\u00favida! sempre a d\u00favida!&#8230; em resposta a todas as minhas secretas aspira\u00e7\u00f5es!&#8230; Mas, se sou eu, \u00f3 meu Deus, se sou eu&#8230; ah! fazei que eu me reconhe\u00e7a!&#8230; fazei que vos pressinta!&#8230; porque, se sou eu, que longa sucess\u00e3o de blasf\u00eamias!&#8230; que longa nega\u00e7\u00e3o de vossa sabedoria, de vossa bondade, de vossa justi\u00e7a!&#8230; Que imensa responsabilidade de orgulho assumi sobre minha cabe\u00e7a, \u00f3 meu Deus!&#8230; Mas, se ainda tenho um eu, eu que nada queria admitir fora do poss\u00edvel ao toque&#8230; Duvidei de vossa sabedoria, \u00f3 meu Deus! \u00e9 justo que eu duvide!&#8230; Sim, duvidei; a d\u00favida me persegue e me castiga.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Oh! \u00e9 prefer\u00edvel mil mortes \u00e0 d\u00favida em que vivo!&#8230; Vejo, encontro antigos amigos&#8230; e, contudo, todos morreram antes! M\u00e9ry, meu pobre louco!&#8230; mas n\u00e3o seria eu o louco?&#8230; o ep\u00edteto de louco se adapta \u00e0 sua personalidade? \u2013 Vejamos, ent\u00e3o. O que \u00e9 a loucura?&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">A loucura!&#8230; A loucura!&#8230; decididamente, a loucura \u00e9 universal!&#8230; todos os homens s\u00e3o loucos num grau maior ou menor&#8230; mas sua loucura, a dele, n\u00e3o era sabedoria ao lado de minha pr\u00f3pria loucura?&#8230; Para ele, os sonhos, as imagens, as aspira\u00e7\u00f5es do al\u00e9m&#8230; mas, \u00e9 justi\u00e7a!&#8230; Conhecia eu esse desconhecido, que a mim se apresenta inopinadamente? N\u00e3o, n\u00e3o, o nada n\u00e3o existe, porque se existisse, esta encarna\u00e7\u00e3o de nega\u00e7\u00e3o, de crimes, de inf\u00e2mia, n\u00e3o me torturaria assim!&#8230; Vejo, mas vejo tarde demais, todo o mal que fiz!&#8230; Vendo-o hoje, e reparando-o pouco a pouco, talvez um dia eu seja digno de ver e de fazer o bem!&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Sistemas!&#8230; sistemas orgulhosos, produtos de c\u00e9rebros humanos, eis para onde nos conduzis!&#8230; Num, \u00e9 a divindade; noutro, a divindade material e sensual; noutro ainda, o nada, nada!&#8230; Nada, divindade material, divindade espiritual s\u00e3o palavras? Oh! eu pe\u00e7o para ver, meu Deus!&#8230; e se eu existo, se v\u00f3s existis, concedeime o favor que vos pe\u00e7o; aceitai minha prece, porque vos pe\u00e7o, \u00f3 meu Deus, que me fa\u00e7ais ver se eu existo, se eu sou!&#8230; (Estas \u00faltimas palavras foram ditas com uma inflex\u00e3o dilacerante).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Observa\u00e7\u00e3o \u2013 Se o Sr. Claudius perseverou at\u00e9 o fim na sua incredulidade, n\u00e3o foram os meios de se esclarecer que lhe faltaram. Como m\u00e9dico, tinha necessariamente o esp\u00edrito culto, a intelig\u00eancia desenvolvida, um saber acima do vulgo e, no entanto, isto n\u00e3o lhe bastou. Em suas minuciosas investiga\u00e7\u00f5es da natureza morta e da natureza viva, n\u00e3o entreviu Deus, n\u00e3o entreviu a alma! Vendo os efeitos, n\u00e3o soube remontar \u00e0 causa! ou, melhor dizendo, tinha concebido uma causa \u00e0 sua maneira, e seu orgulho de s\u00e1bio o impedia de confessar a si mesmo, sobretudo de confessar \u00e0 face do mundo que podia se ter enganado. Circunst\u00e2ncia digna de nota, morreu de um mal org\u00e2nico que sabia, por sua pr\u00f3pria ci\u00eancia, ser incur\u00e1vel. Esse mal, que ele tratava, era uma advert\u00eancia permanente; a dor que lhe causava era uma voz que lhe gritava incessantemente para pensar no futuro. Entretanto, nada p\u00f4de triunfar de sua obstina\u00e7\u00e3o; fechou os olhos at\u00e9 o \u00faltimo momento. Ser\u00e1 que esse homem jamais teria podido tornar-se esp\u00edrita? Certamente n\u00e3o. Nem fatos, nem racioc\u00ednios teriam podido vencer uma opini\u00e3o preconcebida, e da qual estava decidido a n\u00e3o se desviar. Ele era desses homens que n\u00e3o querem render-se \u00e0 evid\u00eancia, porque neles a incredulidade \u00e9 inata, como a cren\u00e7a em outros. O sentido pelo qual um dia poder\u00e3o assimilar os princ\u00edpios espirituais ainda n\u00e3o despontou; s\u00e3o para a espiritualidade quais cegos de nascen\u00e7a para a luz: n\u00e3o a compreendem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Assim, n\u00e3o basta a intelig\u00eancia para conduzir pelo caminho da verdade; ela \u00e9 como o cavalo que nos carrega, e que segue a rota na qual o lan\u00e7aram. Se esta rota conduz a um atoleiro, ele a\u00ed precipita o cavaleiro; mas, ao mesmo tempo, lhe d\u00e1 os meios de se reerguer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Tendo o Sr. Claudius morrido voluntariamente como cego espiritual, n\u00e3o \u00e9 de admirar que n\u00e3o tenha visto a luz imediatamente; que n\u00e3o se reconhe\u00e7a num mundo que n\u00e3o quis estudar; que, morto com a id\u00e9ia do nada, duvide da pr\u00f3pria exist\u00eancia, incerteza pungente que constitui o seu tormento. Caiu no precip\u00edcio para onde o impeliu o seu corcel. Mas pode levantar-se desta queda, e j\u00e1 parece entrever um clar\u00e3o que, se o seguir, o conduzir\u00e1 ao porto. \u00c9 em seus louv\u00e1veis esfor\u00e7os que deve ser sustentado pela prece. Quando uma vez tiver gozado dos benef\u00edcios da luz espiritual, ter\u00e1 horror \u00e0s trevas do materialismo; e se um dia voltar \u00e0 Terra, ser\u00e1 com intui\u00e7\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es muito diversas das que tinha em sua \u00faltima exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\">(REVISTA ESP\u00cdRITA \u2013 1867)<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este post foi baseado em uma hist\u00f3ria contida na Revista Esp\u00edrita de 1867, que est\u00e1 reproduzida ao final. Ali fica expl\u00edcito o perigo do materialismo e como ele \u00e9 danoso aos mais inteligentes. 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