{"id":292,"date":"2013-02-01T04:30:52","date_gmt":"2013-02-01T15:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espiritismolivre.com\/?page_id=292"},"modified":"2014-05-08T02:49:34","modified_gmt":"2014-05-08T13:49:34","slug":"primeira-parte-capitulo-1","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/espiritismolivre.com\/?page_id=292","title":{"rendered":"PRIMEIRA PARTE &#8211; Completa (01 a 51)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>PRIMEIRA PARTE <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>No\u00e7\u00f5es Preliminares<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>CAP\u00cdTULO l<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>EXISTEM ESP\u00cdRITOS? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. A causa principal da d\u00favida sobre a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos \u00e9 a ignor\u00e2ncia da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Esp\u00edritos como seres \u00e0 parte na Cria\u00e7\u00e3o, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas s\u00f3 conhecem os Esp\u00edritos atrav\u00e9s das est\u00f3rias fantasiosas que ouviram em crian\u00e7as, mais ou menos como as que conhecem Hist\u00f3ria pelos romances. N\u00e3o procuram saber se essas est\u00f3rias, desprovidas do pitoresco, podem revelar um fundo verdadeiro, ao lado do absurdo que as choca. N\u00e3o se d\u00e3o ao trabalho de quebrar a casca da noz para descobrir a am\u00eandoa. Assim, rejeitam toda a est\u00f3ria, como fazem os religiosos que, chocados por alguns abusos, afastam-se da religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja qual for a id\u00e9ia que se fa\u00e7a dos Esp\u00edritos, a cren\u00e7a na sua exist\u00eancia decorre necessariamente do fato de haver um princ\u00edpio inteligente no Universo, al\u00e9m da mat\u00e9ria. Essa cren\u00e7a \u00e9 incompat\u00edvel com a nega\u00e7\u00e3o absoluta do referido princ\u00edpio. Partimos, pois, da aceita\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, sobreviv\u00eancia e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstra\u00e7\u00e3o te\u00f3rica dogm\u00e1tica, e o Espiritismo a demonstra\u00e7\u00e3o experimental. Mas fa\u00e7amos, por um instante, abstra\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es propriamente dita, e raciocinemos por indu\u00e7\u00e3o. Vejamos a que consequ\u00eancias chegaremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2.  Admitindo a exist\u00eancia da alma e da sua individualidade ap\u00f3s a morte, \u00e9 necess\u00e1rio admitir tamb\u00e9m: 1\u00b0.) Que a sua natureza \u00e9 diferente da corp\u00f3rea, pois ao separar-se do corpo ela n\u00e3o conserva as propriedades materiais; 2\u00b0) Que ela possui consci\u00eancia pr\u00f3pria, pois lhe atribu\u00edmos a capacidade de ser feliz ou sofredora, e que tem de ser assim, pois do contr\u00e1rio ela seria um ser inerte e de nada nos valeria a sua exist\u00eancia. Admitindo isso, \u00e9 claro que a alma ter\u00e1 de ir para algum lugar. Mas para onde vai, e que \u00e9 feito dela? Segundo a cren\u00e7a comum, ela vai para o C\u00e9u ou para o Inferno. Mas onde est\u00e3o o C\u00e9u e o Inferno? Dizia-se antigamente que o C\u00e9u estava no alto e o Inferno embaixo. Mas que \u00e9 o alto e o baixo no Universo, desde que sabemos que a Terra \u00e9 redonda; que os astros giram, de maneira que o alto e o baixo se revezam cada doze horas para n\u00f3s; e conhecemos o infinito do espa\u00e7o, no qual podemos mergulhar a dist\u00e2ncias incomensur\u00e1veis?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que podemos entender por lugares baixos as profundezas da Terra. Mas que s\u00e3o hoje essas profundezas, depois das escava\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas? Que s\u00e3o, tamb\u00e9m, essas esferas conc\u00eantricas chamadas c\u00e9u de fogo, c\u00e9u de estrelas, depois que aprendemos n\u00e3o ser o nosso planeta o centro do Universo, e que o nosso pr\u00f3prio Sol nada mais \u00e9 do que um entre milh\u00f5es de s\u00f3is que brilham no infinito, sendo cada qual o centro de um turbilh\u00e3o planet\u00e1rio? Que foi feito da antiga import\u00e2ncia da Terra, agora perdida nessa imensidade? E por que estranho motivo este impercept\u00edvel gr\u00e3o-de-areia, que n\u00e3o se distingue pelo seu tamanho, nem pela sua posi\u00e7\u00e3o, nem por qualquer papel particular no cosmo, seria o \u00fanico povoado de seres racionais? A raz\u00e3o se recusa a admitir essa inutilidade do Infinito, e tudo nos diz que esses mundos tamb\u00e9m s\u00e3o habitados. E se assim \u00e9 eles tamb\u00e9m fornecem, os seus contingentes para o mundo das almas. Ent\u00e3o, voltamos \u00e0 pergunta: em que se tomam as almas, depois da morte do corpo, e para onde v\u00e3o? A Astronomia e a Geologia destru\u00edram as suas antigas moradas, e a teoria racional da pluralidade dos mundos habitados multiplicou-as ao infinito. N\u00e3o havendo concord\u00e2ncia entre a doutrina da localiza\u00e7\u00e3o das almas e os dados das ci\u00eancias, temos de aceitar uma doutrina mais l\u00f3gica, que n\u00e3o lhes marca este ou aquele lugar circunscrito, mas d\u00e1-lhes o espa\u00e7o infinito: \u00e9 todo um mundo invis\u00edvel que nos envolve e no meio do qual vivemos, rodeados por elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Inclusive hoje em dia n\u00f3s sabemos que por todo o espa\u00e7o sideral existem estrelas que brilham bilh\u00f5es de vezes mais, com muito mais alcance, tremendamente maiores e tremendamente menores do que o Sol por exemplo. Sabemos que incont\u00e1veis planetas pelas gal\u00e1xias possuem capacidade de abrigar vida nas condi\u00e7\u00f5es da Terra, e que de muitos outros a ci\u00eancia descobre novas possibilidades a cada dia que passa. Vastid\u00e3o e imensid\u00e3o atualmente incompreens\u00edveis para o ser humano.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 nisso alguma impossibilidade, qualquer coisa que repugne \u00e0 raz\u00e3o? Nada, absolutamente. Tudo nos diz, pelo contr\u00e1rio, que n\u00e3o pode ser de outra maneira. Mas em que se transformam as penas e recompensas futuras, se as almas n\u00e3o v\u00e3o para determinado lugar? V\u00ea-se que a id\u00e9ia dessas penas e recompensas \u00e9 absurda, e que d\u00e1 motivo \u00e0 incredulidade. Mas entendemos que as almas, em vez de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam em seu \u00edntimo, a felicidade ou a desgra\u00e7a, pois a sorte de cada uma depende de sua condi\u00e7\u00e3o moral, e que a reuni\u00e3o das almas boas e afins \u00e9 um motivo de felicidade, e tudo se tornar\u00e1 mais claro. Compreendamos que, segundo o seu grau de pureza, elas percebem e t\u00eam vis\u00f5es inacess\u00edveis, \u00e0s mais grosseiras; que somente pelos esfor\u00e7os que fazem para se melhorarem, e depois das provas necess\u00e1rias, podem atingir os graus mais elevados; que os anjos s\u00e3o as almas humanas que chegaram ao grau supremo e que todos podem chegar at\u00e9 l\u00e1, atrav\u00e9s da boa vontade; que os anjos s\u00e3o os mensageiros de Deus, incumbidos de zelar pela execu\u00e7\u00e3o de seus des\u00edgnios em todo o Universo, sendo felizes com essa miss\u00e3o gloriosa; e a felicidade de ap\u00f3s morte ser\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o \u00fatil e aceit\u00e1vel, mais atraente que a inutilidade perp\u00e9tua da contempla\u00e7\u00e3o eterna. E os dem\u00f4nios? Compreendamos que s\u00e3o almas das criaturas m\u00e1s, ainda n\u00e3o depuradas, mas que podem chegar, como as outras, ao estado de pureza, e a justi\u00e7a e a bondade de Deus se tornar\u00e3o racionais, ao contr\u00e1rio do que nos apresenta a doutrina dos seres criados para o mal de maneira irrevog\u00e1vel. Eis, afinal, o que a mais exigente raz\u00e3o, a l\u00f3gica mais rigorosa, o bom senso, numa palavra, podem admitir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como vemos, as almas que povoam o espa\u00e7o s\u00e3o precisamente o que chamamos de Esp\u00edritos. Assim, os Esp\u00edritos s\u00e3o apenas as almas humanas, despojadas do seu inv\u00f3lucro corporal. Se os Esp\u00edritos fossem seres \u00e0 parte na Cria\u00e7\u00e3o, sua exist\u00eancia seria mais hipot\u00e9tica. Admitindo a exist\u00eancia das almas, temos de admitir a dos Esp\u00edritos, que nada mais s\u00e3o do que as almas. E se admitimos que as almas est\u00e3o por toda parte, \u00e9 necess\u00e1rio admitir que os Esp\u00edritos tamb\u00e9m est\u00e3o. N\u00e3o se pode, pois, negar a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos sem negar a das almas. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Como \u00e9 poss\u00edvel que se acredite em fantasmas e dem\u00f4nios sem conceber a alma? Para aceitar uma assombra\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso aceitar que algo assombra algo. Esse primeiro \u201calgo\u201d seria a alma. <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Tudo isto n\u00e3o passa de uma teoria mais racional do que a outra. Mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 bastante ser uma teoria que a raz\u00e3o e a ci\u00eancia n\u00e3o contradizem? Al\u00e9m disso, ela \u00e9 corroborada pelos fatos e tem a san\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica e da experi\u00eancia. Encontramos os fatos nos fen\u00f4menos de manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas, que nos d\u00e3o a prova positiva da exist\u00eancia e da sobreviv\u00eancia da alma. H\u00e1 muita gente, por\u00e9m, que nega a possibilidade dessas comunica\u00e7\u00f5es com os Esp\u00edritos. S\u00e3o pessoas que acreditam na exist\u00eancia da alma, e conseq\u00fcentemente na dos Esp\u00edritos, mas sustentam a teoria de que os seres imateriais n\u00e3o podem agir sobre a mat\u00e9ria. Trata-se de uma d\u00favida originada pela ignor\u00e2ncia da verdadeira natureza dos Esp\u00edritos, da qual geralmente se faz uma id\u00e9ia falsa, considerando-os seres abstratos, vagos e indefinidos, que n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideremos o Esp\u00edrito, antes de tudo, na sua uni\u00e3o com o corpo. O Esp\u00edrito \u00e9 o elemento principal dessa uni\u00e3o, pois \u00e9 o ser pensante e que sobrevive \u00e0 morte. O corpo n\u00e3o \u00e9 mais que um acess\u00f3rio do Esp\u00edrito, um inv\u00f3lucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar. Al\u00e9m desse envolt\u00f3rio material o Esp\u00edrito possui outro, semi-material, que o liga ao primeiro. Na morte, o Esp\u00edrito abandona o corpo, mas n\u00e3o o segundo envolt\u00f3rio, a que chamamos de <strong>perisp\u00edrito. Este envolt\u00f3rio semi-material que tem a mesma forma humana do corpo, \u00e9 uma esp\u00e9cie de corpo flu\u00eddico, vaporoso, invis\u00edvel para n\u00f3s no seu estado normal, mas possuindo ainda algumas propriedades da mat\u00e9ria.<\/strong> (1)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos, pois, considerar o Esp\u00edrito como uma simples abstra\u00e7\u00e3o, mas como um ser limitado e circunscrito, a que s\u00f3 falta ser vis\u00edvel e palp\u00e1vel para assemelhar-se \u00e0s criaturas humanas. Por que n\u00e3o poderia ele agir sobre a mat\u00e9ria? Pelo fato de ser flu\u00eddico o seu corpo? Mas n\u00e3o \u00e9 entre os fluidos mais rarefeitos, como a eletricidade, por exemplo, e os que se consideram mais imponder\u00e1veis, que encontramos as mais poderosas for\u00e7as motoras? A luz imponder\u00e1vel n\u00e3o exerce a\u00e7\u00e3o qu\u00edmica sobre a mat\u00e9ria ponder\u00e1vel? N\u00e3o conhecemos ainda a natureza \u00edntima do perisp\u00edrito, mas podemos supor o constitu\u00eddo de subst\u00e2ncia el\u00e9trica, ou de outra esp\u00e9cie de mat\u00e9ria t\u00e3o sutil como essa. Por que, separado, n\u00e3o poderia agir da mesma maneira, dirigido pela vontade? (2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">4. A exist\u00eancia de Deus e da alma, conseq\u00fc\u00eancia uma da outra, constitui a base de todo o edif\u00edcio do Espiritismo. Antes de aceitarmos qualquer discuss\u00e3o esp\u00edrita, temos de assegurar-nos se o interlocutor admite essa base. Se ele responder negativamente \u00e0s perguntas: &#8220;Cr\u00ea em Deus? Cr\u00ea na exist\u00eancia da alma? Cr\u00ea na sobreviv\u00eancia da alma ap\u00f3s a morte?&#8221; ou se responder simplesmente: &#8220;N\u00e3o sei; desejava que fosse assim, mas n\u00e3o estou certo&#8221; que geralmente equivale a uma nega\u00e7\u00e3o delicada, disfar\u00e7ada para n\u00e3o chocar bruscamente o que ele considera preconceitos respeit\u00e1veis, seria in\u00fatil prosseguir. Seria como querer demonstrar as propriedades da luz a um cego que n\u00e3o admitisse a exist\u00eancia da luz. As manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas s\u00e3o os efeitos das propriedades da alma. Assim, com semelhante interlocutor, se n\u00e3o quisermos perder tempo, s\u00f3 nos resta seguir outra ordem de id\u00e9ias. Admitidos os princ\u00edpios b\u00e1sicos, n\u00e3o apenas como probabilidade, mas como coisa averiguada, incontest\u00e1vel, a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos ser\u00e1 uma decorr\u00eancia natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Quando a cren\u00e7a \u00e9 negada sem fundamenta\u00e7\u00e3o ou sem interesse, n\u00e3o h\u00e1 realmente como manter uma conversa sucinta e clara. A G\u00eanese, outra obra de Kardec, nos traz melhor as fundamenta\u00e7\u00f5es para Deus (assim como O Livro dos Esp\u00edritos) e os demais elementos da cria\u00e7\u00e3o. Desconsiderar Deus e observar no universo o acaso \u00e9 irracionalidade pura.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Resta saber se o Esp\u00edrito pode comunicar-se com o homem, permutar pensamentos com os encarnados. Mas por que n\u00e3o? Que \u00e9 o homem, sen\u00e3o um Esp\u00edrito revestido de corpo material? Qual o motivo por que um Esp\u00edrito livre n\u00e3o poderia comunicar-se com um Esp\u00edrito cativo, como o homem livre se comunica com o prisioneiro? Admitida a sobreviv\u00eancia da alma, seria racional negar-se a sobreviv\u00eancia das suas afei\u00e7\u00f5es? Desde que as almas est\u00e3o por toda parte, n\u00e3o \u00e9 natural pensar que a de algu\u00e9m que nos amou durante a vida venha procurar-nos desejando comunicar-se conosco, e se utilize dos meios que est\u00e3o ao seu dispor? Quando viva na Terra, n\u00e3o agia ela sobre a mat\u00e9ria do seu corpo? N\u00e3o era ela, a alma, que dirigia os movimentos corporais? Por que, pois, n\u00e3o poderia ela, ap\u00f3s a morte, servir-se de outro corpo, de acordo com o Esp\u00edrito nele encarnado, para manifestar o seu pensamento, como um mudo se serve de uma pessoa que fala, para fazer-se compreender?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; No pr\u00f3prio Livro dos Esp\u00edritos, h\u00e1 a constata\u00e7\u00e3o da interfer\u00eancia dos esp\u00edritos nos pensamentos dos encarnados. Principalmente observando a quest\u00e3o n\u00famero 459<a href=\"#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Afastemos por um instante os fatos que consideramos incontest\u00e1veis. Admitamos a comunica\u00e7\u00e3o como simples hip\u00f3tese. Solicitamos aos incr\u00e9dulos que nos provem, atrav\u00e9s de raz\u00f5es decisivas, que ela \u00e9 imposs\u00edvel. N\u00e3o basta a simples nega\u00e7\u00e3o, pois seu arb\u00edtrio pessoal n\u00e3o \u00e9 lei. Colocamo-nos no seu pr\u00f3prio terreno, aceitando a aprecia\u00e7\u00e3o dos fatos esp\u00edritas atrav\u00e9s das leis materiais. Que eles assim possam tirar, do seu arsenal cient\u00edfico, alguma prova matem\u00e1tica, f\u00edsica, qu\u00edmica, mec\u00e2nica,fisiol\u00f3gica, demonstrando por a mais b, sempre a partir do princ\u00edpio da exist\u00eancia e da sobreviv\u00eancia da alma, que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00b0.) Ser pensante durante a vida terrena n\u00e3o deve mais pensar depois da morte;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00b0.) Se ele pensa, n\u00e3o deve mais pensar nos que amou;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00b0.) Se pensa nos que amou, n\u00e3o deve querer comunicar-se com eles;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00b0.) Se pode estar em toda parte, n\u00e3o pode estar ao nosso lado;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5\u00b0.) Se est\u00e1 ao nosso lado, n\u00e3o pode comunicar-se conosco;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6\u00b0.) Por meio do seu corpo flu\u00eddico, n\u00e3o pode agir sobre a mat\u00e9ria inerte;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7\u00b0.) Se pode agir sobre a mat\u00e9ria inerte, n\u00e3o pode agir sobre um ser vivo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8\u00b0.) Se pode agir sobre um ser vivo, n\u00e3o pode dirigir-lhe a m\u00e3o para faz\u00ea-lo escrever;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9\u00b0.)  Podendo  faz\u00ea-lo  escrever,  n\u00e3o  pode  responder-lhe  \u00e0s  perguntas  nem  lhe transmitir pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os advers\u00e1rios do Espiritismo nos demonstrarem que isso tudo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, atrav\u00e9s de raz\u00f5es t\u00e3o evidentes como as de Galileu para provar que o Sol n\u00e3o  girava  em  torno  da Terra,  ent\u00e3o  poderemos  dizer  que  as  suas  d\u00favidas  s\u00e3o fundadas.  Mas at\u00e9 hoje, infelizmente, toda a sua argumenta\u00e7\u00e3o se resume nestas palavras: N\u00e3o creio nisso, porque \u00e9 imposs\u00edvel. Eles retrucar\u00e3o, sem d\u00favida, que cabe a n\u00f3s provara realidade das manifesta\u00e7\u00f5es. J\u00e1 lhes demos as provas, pelos fatos e pelo racioc\u00ednio; se recusam umas e outras, e se negam at\u00e9 mesmo o que v\u00eaem, cabe a eles provar que os fatos s\u00e3o imposs\u00edveis e que o nosso racioc\u00ednio \u00e9 falso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; A argumenta\u00e7\u00e3o e as provas s\u00f3 s\u00e3o aceitas se os advers\u00e1rios do Espiritismo perdem argumentos e s\u00e3o sinceros em admitir a supera\u00e7\u00e3o de seus dogmas cient\u00edfico-religiosos. Caso contr\u00e1rio, a absten\u00e7\u00e3o ao debate se resume ao <strong>\u201cporque n\u00e3o\u201d<\/strong>. Sem fundamenta\u00e7\u00e3o, a discuss\u00e3o perde validade, pois fica a merc\u00ea de cren\u00e7as superficiais ou nega\u00e7\u00f5es absolutas.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(1) O ap\u00f3stolo Paulo, como podemos ver na l Ep\u00edstola aos Corintios, chama o perisp\u00edrito de corpo espiritual, que \u00e9 o corpo da ressurrei\u00e7\u00e3o. As investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas da Metaps\u00edquica e da Parapsicologia tiveram tamb\u00e9m de enfrentar, malgrado o materialismo dos pesquisadores, a exist\u00eancia desse corpo semi-material. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(2) Al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es qu\u00edmico-f\u00edsicas dos elementos imponder\u00e1veis, a Parapsicologia moderna provou, em experi\u00eancias de laborat\u00f3rio, a a\u00e7\u00e3o da mente sobre a mat\u00e9ria. O prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a mente n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica, mas age por via-exfraf\u00edsica, sobre o mundo material. Os parapsic\u00f3logos sovi\u00e9ticos, materialistas, comprovaram a a\u00e7\u00e3o mental sobre a mat\u00e9ria, afirmando que o c\u00f3rtex cerebral deve possuir uma energia material ainda n\u00e3o conhecida pelas ci\u00eancias. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>CAP\u00cdTULO II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Se a cren\u00e7a nos Esp\u00edritos e nas suas manifesta\u00e7\u00f5es fosse uma concep\u00e7\u00e3o isolada, o produto de um sistema, poderia com certa raz\u00e3o ser suspeita de ilus\u00f3ria. Mas quem nos diria ent\u00e3o porque ela se encontra t\u00e3o viva entre todos os povos antigos e modernos, nos livros santos de todas as religi\u00f5es conhecidas? Isso, dizem alguns cr\u00edticos, \u00e9 porque o homem, em todos os tempos, teve amor ao maravilhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Mas que \u00e9 o maravilhoso, segundo v\u00f3s? &#8211; Aquilo que \u00e9 sobrenatural. &#8211; E que entendeis por sobrenatural? &#8211; O que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0s leis da Natureza. &#8211; Ent\u00e3o conheceis t\u00e3o bem essas leis que podeis marcar limites ao poder de Deus? Muito bem! Provai ent\u00e3o que a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos e suas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0s leis da Natureza; que elas n\u00e3o s\u00e3o e n\u00e3o podem ser uma dessas leis. Observai a Doutrina Esp\u00edrita e vereis se no seu encadeamento elas n\u00e3o apresentam todas as caracter\u00edsticas de uma lei admir\u00e1vel, que resolve tudo o que os princ\u00edpios filos\u00f3ficos at\u00e9 agora n\u00e3o puderam resolver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensamento \u00e9 um atributo do Esp\u00edrito. A possibilidade de agir sobre a mat\u00e9ria, de impressionar os nossos sentidos e, portanto de transmitir-nos o seu pensamento, \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia, podemos dizer, da sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica. N\u00e3o h\u00e1, pois, nesse fato, nada de sobrenatural, nada de maravilhoso. (1) Mas que um homem morto e bem morto possa ressuscitar corporalmente, que os seus membros dispersos se re\u00fanam para restabelecer-lhe o corpo, eis o que \u00e9 maravilhoso, sobrenatural, fant\u00e1stico. Isso, sim, seria uma verdadeira derroga\u00e7\u00e3o, que Deus s\u00f3 poderia fazer atrav\u00e9s de um milagre. Mas n\u00e3o h\u00e1 nada de semelhante na Doutrina Esp\u00edrita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Aqui Kardec mais uma vez assinala a racionalidade envolvida nos conceitos Esp\u00edritas, que v\u00e3o em conson\u00e2ncia do que seriam as leis da Natureza, enquanto os cr\u00edticos da Doutrina ainda esperam ressuscitar no dia do ju\u00edzo final. Como \u00e9 que Deus, a perfei\u00e7\u00e3o, iria contra sua pr\u00f3pria lei natural? Tudo se decomp\u00f5e na Terra, at\u00e9 o n\u00edvel at\u00f4mico, que servir\u00e1 para constituir novas formas org\u00e2nicas ou n\u00e3o no futuro. A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o irracional do ponto de vista cient\u00edfico, que \u00e9 imposs\u00edvel conceber. Como ent\u00e3o Deus, em sua absoluta sabedoria, derrubaria as leis da Natureza em prol do ser humano ressuscitar? N\u00e3o seria isso orgulho demasiado? N\u00e3o seria vaidade exacerbada? Enfim, a reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de nos alimentar com algo mais fact\u00edvel, e a continuidade da vida ap\u00f3s o desencarne \u00e9 a maior fonte de sabedoria que poderia nos ser revelada. Ela implica em muitos fatores que ainda ser\u00e3o tratados nesta obra, e inverte a l\u00f3gica materialista, que \u00e9 temporal e limitada.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">8. N\u00e3o obstante, dir\u00e3o, admitis que um Esp\u00edrito possa elevar uma mesa e sustent\u00e1-la no espa\u00e7o sem um ponto de apoio. Isso n\u00e3o \u00e9 uma derroga\u00e7\u00e3o da lei da gravidade? <em>&#8211; Sim, da lei conhecida; mas a Natureza j\u00e1 vos disse a \u00faltima palavra? Antes das experi\u00eancias com a for\u00e7a ascensional de certos gases quem diria que uma pesada m\u00e1quina, carregando muitos homens, poderia vencer a for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o? Aos olhos do vulgo, isso n\u00e3o deveria parecer maravilhoso, diab\u00f3lico? Aquele que se propusesse a transmitir, h\u00e1 um s\u00e9culo, uma mensagem a quinhentas l\u00e9guas de dist\u00e2ncia e obter a resposta em alguns minutos passaria por louco. Se o fizesse, acreditariam que tinha o Diabo \u00e0s suas ordens, pois ent\u00e3o s\u00f3 o Diabo era capaz de andar t\u00e3o ligeiro. Por que, pois, um fluido desconhecido n\u00e3o poderia, em dadas circunst\u00e2ncias, contrabalan\u00e7arem o efeito da gravidade, como o hidrog\u00eanio contrabalan\u00e7a o peso do bal\u00e3o? Isto note de passagem, \u00e9 apenas uma compara\u00e7\u00e3o, feita unicamente para mostrar, por analogia, que o fato n\u00e3o \u00e9 fisicamente imposs\u00edvel. N\u00e3o se trata de identificar uma coisa \u00e0 outra. Ora, foi precisamente quando os s\u00e1bios, ao observarem estas esp\u00e9cies de fen\u00f4menos, quiseram proceder por identifica\u00e7\u00e3o, que acabaram se enganando a respeito. De resto, o fato existe e todas as nega\u00e7\u00f5es n\u00e3o poderiam destru\u00ed-lo, porque negar n\u00e3o \u00e9 provar. Para n\u00f3s, n\u00e3o h\u00e1 nada de sobrenatural e \u00e9 tudo quanto podemos dizer por agora.<a href=\"#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Se o fato est\u00e1 provado, dir\u00e3o, n\u00f3s o aceitamos. E aceitamos at\u00e9 mesmo a causa que lhe atribuis, ou seja, a de um fluido desconhecido. Mas quem prova a interven\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos? \u00c9 nisso que est\u00e1 o maravilhoso, o sobrenatural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria necess\u00e1rio, neste caso, toda uma demonstra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seria cab\u00edvel e constituiria, ali\u00e1s, uma redund\u00e2ncia, porque ela ressalta de todo o ensino. Entretanto, para resumi-la em duas palavras, diremos que teoricamente ela se funda neste princ\u00edpio: todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente. Praticamente: sobre a observa\u00e7\u00e3o de que os fen\u00f4menos ditos esp\u00edritas, tendo dado provas de intelig\u00eancia, n\u00e3o podem ter sua causa na mat\u00e9ria; que essa intelig\u00eancia, n\u00e3o sendo a dos assistentes, &#8211; o que resultou das experi\u00eancias &#8211; devia ser independente deles; e desde que n\u00e3o se via o ser que os produzia, devia tratar-se de um ser invis\u00edvel, ao qual se deu o nome de Esp\u00edrito, n\u00e3o \u00e9 mais do que a alma dos que viveram corporalmente e aos quais a morte despojou de seu grosseiro envolt\u00f3rio vis\u00edvel, deixando-lhes apenas um envolt\u00f3rio et\u00e9reo, invis\u00edvel no seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos \u00e0 mais simples express\u00e3o. Constatada a exist\u00eancia dos seres invis\u00edveis, sua a\u00e7\u00e3o sobre a mat\u00e9ria resulta da natureza do seu envolt\u00f3rio flu\u00eddico. Esta a\u00e7\u00e3o \u00e9 inteligente, porque, ao morrer, eles perderam apenas o corpo, conservando a intelig\u00eancia que constitui a sua exist\u00eancia. Esta a chave de todos esses fen\u00f4menos considerados erroneamente sobrenaturais. A exist\u00eancia dos Esp\u00edritos n\u00e3o decorre, pois, de um sistema preconcebido, de uma hip\u00f3tese imaginada para explicar os fatos, mas \u00e9 o resultado de observa\u00e7\u00f5es e a conseq\u00fc\u00eancia natural da exist\u00eancia da alma. Negar essa causa \u00e9 negar a alma e os seus atributos. (2) Os que pensarem que podem encontrar para esses efeitos inteligentes uma solu\u00e7\u00e3o mais racional, podendo, sobretudo explicar a raz\u00e3o de todos os fatos, queiram faz\u00ea-lo, e ent\u00e3o poder-se-\u00e1 discutir o m\u00e9rito de ambas. (3)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Kardec mais uma vez apela \u00e0 raz\u00e3o apenas. Se algo demonstra intelig\u00eancia, ou seja, raz\u00e3o, racioc\u00ednio, perspic\u00e1cia, demonstra tamb\u00e9m que pensa e age por si mesmo. \u00c9 essa quest\u00e3o que geralmente \u00e9 ignorada. Muitos acreditam em &#8216;assombra\u00e7\u00e3o&#8217;, coisas aleat\u00f3rias que acontecem, mas quantas se perguntam sobre a racionalidade daquela manifesta\u00e7\u00e3o? Qual o prop\u00f3sito dela existir?<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">10. Aos olhos daqueles que v\u00eaem na mat\u00e9ria a \u00fanica pot\u00eancia da Natureza, <strong>tudo o que n\u00e3o pode ser explicado pelas leis materiais \u00e9 maravilhoso ou sobrenatural <\/strong>e, para eles, maravilhoso \u00e9 sin\u00f4nimo de<strong> supersti\u00e7\u00e3o<\/strong>. Dessa maneira a religi\u00e3o, que se funda na exist\u00eancia de um princ\u00edpio imaterial, \u00e9 um tecido de supersti\u00e7\u00f5es. Eles n\u00e3o ousam diz\u00ea-lo em voz alta, mas o dizem baixinho. E pensam salvar as apar\u00eancias ao conceber que \u00e9 necess\u00e1ria uma religi\u00e3o para o povo e para tornar as crian\u00e7as acomodadas. Ora, de duas, uma: ou o princ\u00edpio religioso \u00e9 verdadeiro ou \u00e9 falso. Se for verdadeiro, o \u00e9 para todos; se \u00e9 falso n\u00e3o \u00e9 melhor para os ignorantes do que para os esclarecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">11. Os que atacam o Espiritismo em nome do maravilhoso se ap\u00f3iam, portanto, em geral, no princ\u00edpio materialista, desde que negando todo efeito de origem extramaterial, negam conseq\u00fcentemente a exist\u00eancia da alma. Sondai o futuro de seu pensamento, perscrutai o sentido de suas palavras e encontrareis quase sempre esse princ\u00edpio que, se n\u00e3o se mostra categoricamente formulado, transparece sob a capa de uma pretensa filosofia moral com que eles se disfar\u00e7am. Rejeitando como maravilhoso tudo quanto decorre da exist\u00eancia da alma, eles s\u00e3o, portanto, conseq\u00fcentes consigo mesmos. N\u00e3o admitindo a causa, n\u00e3o podem admitir o efeito. Da\u00ed o preconceito que os impede de julgar com isen\u00e7\u00e3o o Espiritismo, pois partem da nega\u00e7\u00e3o de tudo o que n\u00e3o seja material. Quanto a n\u00f3s, pelo fato de admitirmos os efeitos decorrentes da exist\u00eancia da alma, ter\u00edamos de aceitar todos os fatos qualificados de maravilhosos, ter\u00edamos de ser os campe\u00f5es dos vision\u00e1rios, os adeptos de todas as utopias, de todos os sistemas exc\u00eantricos? Seria necess\u00e1rio conhecer bem pouco do Espiritismo para assim pensar. Mas os nossos advers\u00e1rios n\u00e3o se importam com isso; a necessidade de conhecer aquilo de que falam \u00e9 o que menos lhes interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo eles, o maravilhoso \u00e9 absurdo; ora, o Espiritismo se ap\u00f3ia em fatos maravilhosos; logo, o Espiritismo \u00e9 absurdo: isto \u00e9 para eles um julgamento inapel\u00e1vel. Cr\u00eaem apresentar um argumento sem resposta quando, ap\u00f3s eruditas pesquisas sobre os convulsion\u00e1rios de Saint-M\u00e9dard, os <strong>camisards <\/strong>das C\u00e9vennes ou as religiosas de Loudun, chegam \u00e0 descoberta de evidentes trapa\u00e7as que ningu\u00e9m contesta. Mas essas hist\u00f3rias s\u00e3o, por acaso, o evangelho do Espiritismo? Seus partid\u00e1rios teriam negado que o charlatanismo explorou alguns fatos em proveito pr\u00f3prio? Que a imagina\u00e7\u00e3o os tenha engendrado? Que o fanatismo tenha exagerado a muitos deles? O Espiritismo n\u00e3o \u00e9 mais respons\u00e1vel pelas extravag\u00e2ncias que se possam cometer em seu nome, do que a verdadeira Ci\u00eancia pelos abusos da ignor\u00e2ncia ou a verdadeira Religi\u00e3o pelos excessos do fanatismo. Muitos cr\u00edticos s\u00f3 julgam o Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares que s\u00e3o apenas as formas da sua fic\u00e7\u00e3o. O mesmo seria julgar a Hist\u00f3ria pelos romances hist\u00f3ricos ou pelas trag\u00e9dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Acontece muito de alguns casos de charlatanismo mancharem toda a reputa\u00e7\u00e3o da Doutrina. \u00c9 uma quest\u00e3o da responsabilidade, trazida desde a introdu\u00e7\u00e3o desta obra. Isso acaba servindo de muleta para que os detratores se apoiem nos ataques \u00e0 religi\u00e3o (de forma geral, sem alguma espec\u00edfica). Para um ateu, a religi\u00e3o \u00e9 uma forma de controle que pode ser utilizada at\u00e9 com fins pol\u00edticos. Para ele, a popula\u00e7\u00e3o menos letrada responde pela cren\u00e7a cega, j\u00e1 que n\u00e3o pode questionar ou racionalizar com perfei\u00e7\u00e3o sobre complexos temas tratados. J\u00e1 o Espiritismo n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o que se baseia na pura cren\u00e7a, mas sim no estudo cient\u00edfico de elementos naturais dispostos em todos os lugares e na comprova\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do que \u00e9 ali escrito ou falado. \u00c9 uma Doutrina t\u00e3o completa, que abre m\u00e3o da hierarquia dogm\u00e1tica. Todos podem estudar e aprender por conta pr\u00f3pria.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; As supersti\u00e7\u00f5es assolam a Doutrina desde sua codifica\u00e7\u00e3o. Elas prejudicam a pureza doutrin\u00e1ria e pr\u00e1tica, quando utilizam subterf\u00fagios materiais e ritualismos que nada tem de espiritismo. Servem de guarida para entidades profanas e zombeteiras que se aproveitam do m\u00e9dium para realizar suas divers\u00f5es, manipula\u00e7\u00f5es, obsess\u00f5es e at\u00e9 subjuga\u00e7\u00f5es em casos muito avan\u00e7ados.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">12. Na l\u00f3gica mais elementar, para discutir uma coisa \u00e9 necess\u00e1rio conhec\u00ea-la porque a opini\u00e3o de um cr\u00edtico s\u00f3 tem valor quando ele fala com conhecimento de causa. Somente assim, a sua opini\u00e3o, embora err\u00f4nea, pode ser levada em considera\u00e7\u00e3o. Mas que peso ela pode ter, quando emitida sobre mat\u00e9ria que ele desconhece? A verdadeira cr\u00edtica deve dar provas, n\u00e3o somente de erudi\u00e7\u00e3o, mas de conhecimento profundo do objeto tratado, de isen\u00e7\u00e3o no julgamento e de absoluta imparcialidade. A n\u00e3o ser assim, qualquer violeiro poderia se arrogar o direito de julgar Rossini e qualquer pintor de paredes de censurar Rafael.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">13. O Espiritismo n\u00e3o aceita todos os fatos considerados maravilhosos. Longe disso, demonstra a impossibilidade de muitos deles e o rid\u00edculo de algumas cren\u00e7as que constituem, propriamente falando, a supersti\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que entre os fatos por ele admitidos h\u00e1 coisas que, para os incr\u00e9dulos, s\u00e3o inegavelmente do maravilhoso, o que vale dizer da supersti\u00e7\u00e3o. Que seja. Mas, pelo menos, que limitem a eles a discuss\u00e3o, pois em rela\u00e7\u00e3o aos outros nada t\u00eam que dizer e pregar\u00e3o no deserto. Criticando o que o pr\u00f3prio Espiritismo refuta, demonstram ignorar o assunto e argumentam em v\u00e3o. Mas at\u00e9 onde vai a cren\u00e7a do Espiritismo, perguntar\u00e3o. Lede e observai, que o sabereis. A aquisi\u00e7\u00e3o de qualquer ci\u00eancia exige tempo e estudo. Ora, o Espiritismo, que toca nas mais graves quest\u00f5es da Filosofia, em todos os setores da ordem social, que abrange ao mesmo tempo o homem f\u00edsico e o homem moral, \u00e9 em si mesmo toda uma Ci\u00eancia, toda uma Filosofia, que n\u00e3o podem ser adquiridas em apenas algumas horas. H\u00e1 tanta puerilidade em ver todo o Espiritismo numa mesa girante, como em ver toda a F\u00edsica em algumas experi\u00eancias infantis. Para quem n\u00e3o quiser ficar na superf\u00edcie, n\u00e3o s\u00e3o horas, mas meses e anos que ter\u00e1 de gastar para sondar todos os seus arcanos. Que se julgue, diante disso, o grau de conhecimento e o valor da opini\u00e3o dos que se arrogam o direito de julgar porque viram uma ou duas experi\u00eancias, quase sempre realizadas como distra\u00e7\u00e3o ou passa-tempo. Eles dir\u00e3o, sem d\u00favida que n\u00e3o disp\u00f5em do tempo necess\u00e1rio para esse estudo. Que seja, mas nada os obriga a isso. E quando n\u00e3o se tem tempo para aprender uma coisa, n\u00e3o se pode falar dela, e menos ainda julg\u00e1-la, se n\u00e3o se quiser ser acusado de leviandade. Ora, quanto mais elevada \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o que se ocupe na Ci\u00eancia, menos desculp\u00e1vel ser\u00e1 tratar-se levianamente um assunto que n\u00e3o se conhece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Quando Kardec diz que : \u201cA aquisi\u00e7\u00e3o de qualquer ci\u00eancia exige tempo e estudo\u201d ele est\u00e1 se referindo ao estudo s\u00e9rio, com din\u00e2micas s\u00e9rias e profundas. Os estudiosos cientistas que levaram o desafio a s\u00e9rio acabaram por ajudar a promulgar o Espiritismo e a legitim\u00e1-lo como cientificamente aceit\u00e1vel e correto. Outros, fizeram observa\u00e7\u00f5es sobre os fen\u00f4menos, sem estud\u00e1-los ou entend\u00ea-los. F\u00e1cil assim julgar que algu\u00e9m est\u00e1 fingindo praticar uma psicografia ou uma psicofonia, mas como se assegurar? Com muitos anos de estudo, seria imposs\u00edvel ainda dominar 100% do conte\u00fado e significado da Doutrina.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">Mas temos ainda a problem\u00e1tica da pregui\u00e7a e acomoda\u00e7\u00e3o. Uma vez que alguns cr\u00eaem na Doutrina sem estud\u00e1-la de fato, passa a ser ref\u00e9m da estagna\u00e7\u00e3o. Aprecia os fen\u00f4menos, mas n\u00e3o os compreende. Aprecia as li\u00e7\u00f5es morais, mas n\u00e3o tenta pratic\u00e1-las. Acaba aceitando o Centro Esp\u00edrita como um laborat\u00f3rio a parte do mundo, e passa a n\u00e3o entender que a verdade se configura quando um Aprendiz \u00e9 o laborat\u00f3rio para o mundo. O exemplo de dedica\u00e7\u00e3o e estudo. Muitos negligenciam o valor do estudo pela pregui\u00e7a. Um dos maiores males da humanidade. <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">14. Resumimos nossa opini\u00e3o nas proposi\u00e7\u00f5es seguintes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00b0.) Todos os fen\u00f4menos esp\u00edritas t\u00eam como princ\u00edpio a exist\u00eancia da alma, sua sobreviv\u00eancia \u00e0 morte do corpo e suas manifesta\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00b0.) Decorrendo de uma lei da Natureza, esses fen\u00f4menos nada t\u00eam de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar dessas palavras;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00b0.) Muitos fatos s\u00e3o considerados sobrenaturais porque a sua causa n\u00e3o \u00e9 conhecida; ao determinar-lhes a causa, o Espiritismo os devolve ao dom\u00ednio dos fen\u00f4menos naturais;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00b0.) Entre os fatos qualificados de sobrenaturais, o Espiritismo demonstra a impossibilidade de muitos e os coloca entre as cren\u00e7as supersticiosas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5\u00b0.) Embora o Espiritismo reconhe\u00e7a um fundo de verdade em muitas cren\u00e7as populares, ele n\u00e3o aceita absolutamente que todas as est\u00f3rias fant\u00e1sticas criadas pela imagina\u00e7\u00e3o sejam da mesma natureza;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6\u00b0.) Julgar o Espiritismo pelos fatos que ele n\u00e3o admite \u00e9 dar prova de ignor\u00e2ncia e desvalorizar por completo a pr\u00f3pria opini\u00e3o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7\u00b0.) A explica\u00e7\u00e3o dos fatos admitidos pelo Espiritismo, de suas causas e suas conseq\u00fc\u00eancias morais, constituem toda uma Ci\u00eancia e toda uma Filosofia que exigem estudo s\u00e9rio, perseverante e aprofundado;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8\u00b0.) O Espiritismo s\u00f3 pode considerar como cr\u00edtico s\u00e9rio aquele que tudo viu e estudou, em tudo se aprofundando com paci\u00eancia e a perseveran\u00e7a de um observador consciencioso; que tenha tanto conhecimento do assunto como adepto mais esclarecido; que n\u00e3o haja, portanto, adquirido seus conhecimentos nas fic\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias da ci\u00eancia; ao qual n\u00e3o se possa opor nenhum fato por ele desconhecido, nenhum argumento que ele n\u00e3o tenha meditado e que n\u00e3o tenha refutado apenas por meio da nega\u00e7\u00e3o, mas por outros argumentos mais decisivos; aquele enfim, que pudesse apontar uma causa mais l\u00f3gica para os fatos averiguados. Esse cr\u00edtico ainda est\u00e1 para aparecer. (4)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">15. Referimo-nos h\u00e1 pouco \u00e0 palavra milagre; uma breve observa\u00e7\u00e3o sobre o assunto n\u00e3o estar\u00e1 deslocada num Cap\u00edtulo sobre o maravilhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua acep\u00e7\u00e3o primitiva e por sua etimologia a palavra milagre significa coisa extraordin\u00e1ria, coisa admir\u00e1vel de ver. Mas essa palavra, como tantas outras, desviou-se do sentido original e hoje se diz (segundo a Academia): de um ato da pot\u00eancia divina contr\u00e1rio \u00e0s leis comuns da Natureza. Essa \u00e9, com efeito, a sua acep\u00e7\u00e3o usual, e s\u00f3 por compara\u00e7\u00e3o ou met\u00e1fora se aplica \u00e0s coisas vulgares que nos surpreendem e cuja causa desconhecemos. N\u00e3o temos absolutamente a inten\u00e7\u00e3o de examinar se Deus poderia julgar \u00fatil, em certas circunst\u00e2ncias, derrogar as leis por ele mesmo estabelecidas. Nosso objetivo \u00e9 somente o de demonstrar que os fen\u00f4menos esp\u00edritas, por mais extraordin\u00e1rios que sejam, n\u00e3o derrogam de maneira alguma essas leis e n\u00e3o t\u00eam nenhum car\u00e1ter miraculoso, tanto mais que n\u00e3o s\u00e3o maravilhosos ou sobrenaturais. O milagre n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o; os fen\u00f4menos esp\u00edritas, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o explicados da maneira mais racional. N\u00e3o s\u00e3o, portanto, milagres, mas, simples efeitos que t\u00eam sua raz\u00e3o de ser nas leis gerais. O milagre tem ainda outro car\u00e1ter: o de ser ins\u00f3lito e isolado. Ora, desde que um fato se reproduz, por assim dizer, \u00e0 vontade, e por meio de pessoas diversas, n\u00e3o pode ser um milagre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ci\u00eancia faz milagres todos os dias aos olhos dos ignorantes: eis porque antigamente os que sabiam mais do que o vulgo passavam por feiticeiros, e como se acreditava que toda ci\u00eancia sobre-humana era diab\u00f3lica, eles eram queimados. Hoje, que estamos muito mais civilizados, basta envi\u00e1-los para os hosp\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Que um homem realmente morto, como dissemos no in\u00edcio, seja ressuscitado por uma interven\u00e7\u00e3o divina e teremos um verdadeiro milagre, porque isso \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0s leis da Natureza. Mas se esse homem tem apenas a apar\u00eancia da morte, conservando ainda um resto de vitalidade latente, e a Ci\u00eancia ou uma a\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica consegue reanim\u00e1-lo, para as pessoas esclarecidas isso \u00e9 um fen\u00f4meno natural. Entretanto, aos olhos do vulgo ignorante o fato passar\u00e1 por milagroso e o seu autor ser\u00e1 recha\u00e7ado a pedradas ou ser\u00e1 venerado, segundo o car\u00e1ter dos circunstantes. Que um f\u00edsico solte um papagaio el\u00e9trico num meio rural, fazendo cair um raio sobre uma \u00e1rvore, e esse novo Prometeu ser\u00e1 certamente encarado como detentor de um poder diab\u00f3lico. Ali\u00e1s, diga-se de passagem, Prometeu nos parece sobretudo um antecessor de Franklin; mas Josu\u00e9, fazendo parar o Sol, ou antes a Terra, nos daria o verdadeiro milagre, pois n\u00e3o conhecemos nenhum magnetizador dotado de tanto poder para operar esse prod\u00edgio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De todos os fen\u00f4menos esp\u00edritas, um dos mais extraordin\u00e1rios \u00e9 indiscutivelmente o da escrita direta, um dos que demonstram da maneira mais evidente a a\u00e7\u00e3o das intelig\u00eancias ocultas. Mas por ser produzido pelos seres ocultos, esse fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 mais miraculoso do que todos os demais, tamb\u00e9m devidos a agentes invis\u00edveis. Porque esses seres invis\u00edveis, que povoam os espa\u00e7os, s\u00e3o uma das pot\u00eancias da Natureza, pot\u00eancia que age incessantemente sobre o mundo material, t\u00e3o bem como sobre o mundo moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O Espiritismo, esclarecendo-nos a respeito dessa pot\u00eancia, d\u00e1-nos a chave de uma infinidade de coisas inexplicadas e inexplic\u00e1veis por qualquer outro meio, e que em tempos distantes puderam passar como prod\u00edgios. Ele revela, como aconteceu com o magnetismo, uma lei desconhecida ou pelo menos mal compreendida; ou, dizendo melhor, uma lei cujos efeitos eram conhecidos, porque produzidos em todos os tempos, mas ela mesma sendo ignorada, isso deu origem \u00e0 supersti\u00e7\u00e3o. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece e os fen\u00f4menos se reintegram na ordem das coisas naturais. Eis porque os esp\u00edritas, fazendo mover uma mesa ou com que os mortos escrevam, n\u00e3o fazem mais milagres do que o m\u00e9dico ao reviver um moribundo ou o f\u00edsico ao provocar um raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda desta Ci\u00eancia, fazer milagres, seria um ignorante da doutrina ou um trapaceiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Seria imagin\u00e1vel h\u00e1 100 anos um transplante com \u00f3rg\u00e3os de outra pessoa? Na primeira vez em que este feito da medicina foi concretizado, tivemos um milagre? N\u00e3o, um avan\u00e7o, um progresso cient\u00edfico not\u00e1vel. N\u00e3o havia m\u00e9dico bruxo, havia sim m\u00e9dico cientista. O Espiritismo faz o mesmo com um \u00e2mbito mais profundo. Jesus Cristo n\u00e3o tinha mist\u00e9rios, s\u00f3 tinha qualidades e exemplos. A f\u00e9 n\u00e3o tem mist\u00e9rios, ela n\u00e3o \u00e9 dogm\u00e1tica, ela \u00e9 racional e desenvolvida ao longo da viv\u00eancia. A f\u00e9 \u00e9 tamb\u00e9m um h\u00e1bito.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">Quanto mais conhecimento e entendimento, mais f\u00e1cil perceber que as explica\u00e7\u00f5es existem, s\u00e3o plaus\u00edveis, racionais e multiplic\u00e1veis, portanto, cient\u00edficas. A escrita direta, conhecida hoje como psicografia, pode ser encontrada em qualquer Centro Esp\u00edrita s\u00e9rio. M\u00e9dium n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gico ou milagreiro, \u00e9 s\u00f3 um instrumento, n\u00e3o \u00e9 dotado de &#8216;poderes&#8217; ou &#8216;privil\u00e9gios&#8217;, s\u00f3 de trabalho.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">16. Os fen\u00f4menos esp\u00edritas, como os fen\u00f4menos magn\u00e9ticos, passaram por prod\u00edgios antes de lhes conhecerem a causa. Ora, os c\u00e9ticos, os esp\u00edritos fortes, que t\u00eam o privil\u00e9gio exclusivo da raz\u00e3o e do bom senso, n\u00e3o cr\u00eaem naquilo que n\u00e3o podem compreender. Eis porque todos os fatos considerados prodigiosos s\u00e3o objeto de suas zombarias. Como a Religi\u00e3o est\u00e1 cheia de fatos desse g\u00eanero, eles n\u00e3o cr\u00eaem na Religi\u00e3o, e disso \u00e0 incredulidade absoluta vai apenas um passo. O Espiritismo, explicando a maioria desses fatos, justifica a sua exist\u00eancia. Vem, portanto, em aux\u00edlio da Religi\u00e3o, ao demonstrar a possibilidade de alguns fatos que, por n\u00e3o serem milagrosos, n\u00e3o s\u00e3o menos extraordin\u00e1rios. E Deus n\u00e3o \u00e9 maior nem menos poderoso por n\u00e3o haver derrogado as suas leis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De quantos gracejos n\u00e3o foram objeto as levita\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Cupertino! Entretanto, a suspens\u00e3o et\u00e9rea dos corpos graves \u00e9 um fato explicado pela lei esp\u00edrita. Fomos testemunha ocular desse fato, e o sr. Home, al\u00e9m de outras pessoas nossas conhecidas, repetiram muitas vezes o fen\u00f4meno produzido por S\u00e3o Cupertino. Esse fen\u00f4meno, portanto, enquadra-se na ordem das coisas naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">17. No n\u00famero dos fen\u00f4menos desse g\u00eanero temos de colocar em primeira linha as apari\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o os mais freq\u00fcentes. A da Salette, que dividiu o pr\u00f3prio clero, n\u00e3o tem para n\u00f3s nada de ins\u00f3lito. N\u00e3o podemos afirmar com seguran\u00e7a a realidade do fato, porque n\u00e3o temos nenhuma prova material, mas o consideramos poss\u00edvel, em vista dos milhares de fatos semelhantes e recentes que conhecemos. Acreditamos neles, n\u00e3o somente porque verificamos a sua realidade, mas, sobretudo porque sabemos perfeitamente como se produzem. Queiram reportar-se \u00e0 teoria das apari\u00e7\u00f5es, que damos mais adiante, e ver\u00e3o que esse fen\u00f4meno se torna t\u00e3o simples e plaus\u00edvel como uma infinidade de fen\u00f4menos f\u00edsicos que s\u00f3 parecem prodigiosos quando n\u00e3o temos a chave de sua explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 personagem que se apresentou na Salette, \u00e9 outra quest\u00e3o. Sua identidade n\u00e3o nos foi absolutamente demonstrada. Aceitamos apenas que uma apari\u00e7\u00e3o possa ter ocorrido; o resto n\u00e3o \u00e9 de nossa compet\u00eancia. Cada qual pode guardar, a esse respeito, as suas convic\u00e7\u00f5es. O Espiritismo n\u00e3o tem de se ocupar com isso. Dizemos apenas que os fatos produzidos pelo Espiritismo revelam novas leis e nos d\u00e3o a chave de uma infinidade de coisas que pareciam sobrenaturais. Se alguns desses fatos considerados miraculosos encontram assim uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, isso \u00e9 motivo para que n\u00e3o se apressem a negar o que n\u00e3o compreendem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fen\u00f4menos esp\u00edritas s\u00e3o contestados por algumas pessoas precisamente porque parecem escapar \u00e0s leis comuns e n\u00e3o podem ser explicados. Dai-lhes uma base racional e a d\u00favida cessa. A explica\u00e7\u00e3o, neste s\u00e9culo em que ningu\u00e9m se satisfaz com palavras, \u00e9 portanto, um poderoso motivo de convic\u00e7\u00e3o. Assim vemos, todos os dias, pessoas que n\u00e3o presenciaram nenhum fato, n\u00e3o viram uma mesa mover-se nem um m\u00e9dium escrever, e que se tornaram t\u00e3o convictas como n\u00f3s unicamente porque leram e compreenderam. Se s\u00f3 dev\u00eassemos crer no que vemos com os nossos pr\u00f3prios olhos, nossas convic\u00e7\u00f5es seriam reduzidas a bem pouca coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; At\u00e9 porque nossos olhos s\u00e3o facilmente enganados por ilus\u00f5es e nossos sentidos podem tamb\u00e9m cair em erro se bem direcionados a isso. Muita metaf\u00edsica foi intuitivamente utilizada ao longo dos s\u00e9culos para muitas defini\u00e7\u00f5es, assim como muitas fraudes. Mas a f\u00e9 nasce naquele que procura a racionalidade, naquele que n\u00e3o se considera um privilegiado, mas sim um devedor que entende as condi\u00e7\u00f5es e provas que enfrenta. A f\u00e9 nasce do amor, nasce da dor, ela est\u00e1 sempre presente, aguardando nossa habilidade em retir\u00e1-la das in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es em que se apresenta. Muitos parecem ter um instinto especial para com a f\u00e9, como um sentido a mais que a torna presente no cotidiano de forma absoluta e especial. Essas pessoas chamam a aten\u00e7\u00e3o pela forma com que enfrentam os problemas da vida e consideram obst\u00e1culos fontes divinas de aprendizado. Muitas vezes iletradas, elas parecem recordar um passado iluminado que as fortifica.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(1) A Parapsicologia confirma hoje, cientificamente, atrav\u00e9s de pesquisas de laborat\u00f3rio, a naturalidade desses fen\u00f4menos. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(2) Hoje, os parapsic\u00f3logos chegam a essa mesma conclus\u00e3o: o prof. Rhine afirma que o pensamento \u00e9 extra-f\u00edsico e age sobre a mat\u00e9ria; os profs. Carington, Soai, Price e outros admitem a a\u00e7\u00e3o de mentes desencarnadas na produ\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos psikapa (efeitos f\u00edsicos). (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(3) O prof. Ernesto Bozzano chama a isto &#8220;converg\u00eancia das provas&#8221;, mostrando a necessidade cientifica de uma hip\u00f3tese explicar todos os fen\u00f4menos da mesma natureza e n\u00e3o apenas alguns deles. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(4) Realmente, esse cr\u00edtico, ainda em nossos dias, est\u00e1 por aparecer. Basta uma r\u00e1pida leitura dos livros e artigos publicados hoje contra o Espiritismo, para nos mostrar que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou. Cientistas, fil\u00f3sofos, te\u00f3logos, sacerdotes, pastores e intelectuais, inclusive adeptos de institui\u00e7\u00f5es espiritualistas procedentes do antigo Ocultismo, continuam a criticar levianamente o Espiritismo, sem se darem ao trabalho preliminar de estud\u00e1-lo, a n\u00e3o ser ligeiramente e com segundas inten\u00e7\u00f5es. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Cap\u00edtulo III<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>M\u00c9TODO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18. O desejo muito natural e louv\u00e1vel dos adeptos, que n\u00e3o se precisaria se estimular mais, \u00e9 o de fazer pros\u00e9litos. Para facilitar-lhes a tarefa \u00e9 que nos propomos a examinar aqui o meio mais seguro, segundo pensamos, de atingir esse objetivo poupando esfor\u00e7os in\u00fateis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Dissemos que o Espiritismo \u00e9 toda uma Ci\u00eancia, toda uma Filosofia. Quem desejar conhec\u00ea-lo seriamente deve, pois, como primeira condi\u00e7\u00e3o, submeter-se a um estudo s\u00e9rio e persuadir-se de que, mais do que qualquer outra ci\u00eancia, n\u00e3o se pode aprend\u00ea-lo brincando. O Espiritismo, j\u00e1 o dissemos, se relaciona com todos os problemas da Humanidade. Seu campo \u00e9 imenso e devemos encar\u00e1-lo sobretudo quanto \u00e0s suas conseq\u00fc\u00eancias. A cren\u00e7a nos Esp\u00edritos constitui sem d\u00favida a sua base, mas n\u00e3o basta para fazer um esp\u00edrita esclarecido, como a cren\u00e7a em Deus n\u00e3o basta para fazer um te\u00f3logo. Vejamos, pois, de que maneira conv\u00e9m proceder no seu ensino, para levar-se com mais seguran\u00e7a \u00e0 convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Que os adeptos n\u00e3o se assustem com a palavra <strong>ensino<\/strong>. N\u00e3o se ensina apenas do alto da c\u00e1tedra ou da tribuna, mas tamb\u00e9m na simples conversa\u00e7\u00e3o. Toda pessoa que procura persuadir outra por meio de explica\u00e7\u00f5es ou de experi\u00eancias, ensina. O que desejamos \u00e9 que esse esfor\u00e7o d\u00ea resultados. Por isso julgamos nosso dever dar alguns conselhos, que poder\u00e3o ser aproveitados pelos que desejam instruir-se a si mesmos e que ter\u00e3o aqui o meio e chegar mais segura e prontamente ao alvo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">19. Acredita-se geralmente que para convencer \u00e9 suficiente apresentar os fatos. Esse parece realmente o procedimento mais l\u00f3gico, e no entanto a experi\u00eancia mostra que nem sempre \u00e9 o melhor, pois frequentemente encontramos pessoas que os fatos mais evidentes n\u00e3o convencem de maneira alguma. A que se deve isso? \u00c9 o que tentaremos demonstrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No Espiritismo, a quest\u00e3o dos Esp\u00edritos est\u00e1 em segundo lugar, n\u00e3o constituindo o seu ponto de partida. E \u00e9 esse, precisamente, o erro em que se cai e que acarreta o fracasso com certas pessoas. Sendo os Esp\u00edritos simplesmente as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida \u00e9 ent\u00e3o a exist\u00eancia da alma. Como pode o materialista admitir a exist\u00eancia de seres que vivem fora do mundo material, quando ele mesmo se considera apenas material? Como pode crer na exist\u00eancia de Esp\u00edritos ao seu redor, se n\u00e3o admite seu pr\u00f3prio Esp\u00edrito? Em v\u00e3o se amontoar\u00e3o aos seus olhos as provas mais palp\u00e1veis. Ele contestar\u00e1 a todas elas, porque n\u00e3o admite o princ\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo ensino met\u00f3dico deve participar do conhecido para o desconhecido. Para o materialista, o conhecido \u00e9 a mat\u00e9ria. Parti, pois, da mat\u00e9ria e tratai de lhe demonstrar, antes de tudo, que h\u00e1 nele pr\u00f3prio alguma coisa que escapa \u00e0s leis materiais. Numa palavra: <strong>antes de torn\u00e1-lo esp\u00edrita procurai faz\u00ea-lo ESPIRITUALISTA<\/strong>. Mas, para isso, \u00e9 necess\u00e1ria outra ordem de fatos e se deve proceder, por outros meios, a uma forma especial de ensino. Falar-lhe de Esp\u00edritos antes que ele esteja convencido de ter uma alma \u00e9 come\u00e7ar pelo fim, pois ele n\u00e3o pode admitir a conclus\u00e3o se n\u00e3o aceita as premissas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes, pois, de tentar convencer um incr\u00e9dulo, mesmo por meio dos fatos, conv\u00e9m assegurar-se de sua opini\u00e3o sobre a alma, ou seja, se ele cr\u00ea na sua exist\u00eancia, na sua sobreviv\u00eancia ao corpo, na sua individualidade ap\u00f3s a morte. Se a resposta for negativa, ser\u00e1 tempo perdido falar-lhe dos Esp\u00edritos. Eis a regra. N\u00e3o dizemos que n\u00e3o haja exce\u00e7\u00e3o. Mas nesse caso deve existir outra raz\u00e3o que o torne menos refrat\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Eis que Kardec aborda um importante ponto. Todo aquele se torna um aprendiz do Espiritismo, quando o compreende melhor, deseja repassar esse conhecimento a outras pessoas. Afinal, muito reconfortante e consoladora \u00e9 a Doutrina. Mas algumas vezes ignoramos que estamos lidando com seres humanos, complexos, com temas pr\u00f3prios, raz\u00f5es pr\u00f3prias e cren\u00e7as pr\u00f3prias. Como adaptar nosso universo ao deles, se o ponto de partida \u00e9 inv\u00e1lido? Pois que se ele n\u00e3o pode acreditar em um Esp\u00edrito, como acreditar na cadeia de consequ\u00eancias? \u00c9 por isso que Kardec sugere primeiro faz\u00ea-lo espiritualista, j\u00e1 que sem a cren\u00e7a no esp\u00edrito e na imaterialidade de alguns assuntos, todo o resto se perde. O Conhecimento de verdade \u00e9 feito passo a passo. <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">20. Devemos distinguir duas classes principais de materialistas: na primeira est\u00e3o os que o s\u00e3o por sistema. Para eles n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, mas a nega\u00e7\u00e3o absoluta, segundo a sua maneira de raciocinar. Aos seus olhos o homem n\u00e3o passa de uma m\u00e1quina enquanto vivo, mas que se desarranja e depois da morte s\u00f3 deixa o esqueleto. Seu n\u00famero \u00e9 felizmente bastante restrito e em parte alguma representa uma escola abertamente declarada. N\u00e3o precisamos acentuar os deplor\u00e1veis efeitos que resultariam para a ordem social da vulgariza\u00e7\u00e3o de semelhante doutrina. Estendemo-nos suficientemente a respeito em O Livro dos Esp\u00edritos (n\u00b0. 147 e par\u00e1grafo III da Conclus\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando dissemos que a d\u00favida dos incr\u00e9dulos cessa diante de uma explica\u00e7\u00e3o racional, \u00e9 necess\u00e1rio excetuar os materialistas radicais, que negam toda pot\u00eancia e qualquer princ\u00edpio inteligente fora da mat\u00e9ria. A maioria se obstina nessa opini\u00e3o por orgulho e acha que deve mant\u00ea-la por amor-pr\u00f3prio. Persistem nela apesar de todas as provas contr\u00e1rias porque n\u00e3o querem ficar por baixo. Nada se tem a fazer com eles. Nem se deve acreditar na falsa express\u00e3o de sinceridade dos que dizem: fazei-me ver e acreditarei. H\u00e1 os que s\u00e3o mais francos e logo dizem: mesmo se eu visse n\u00e3o acreditaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Qualquer forma de radicalismo \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o de verdades. \u00c9 como um tapa-olhos. <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">21. A segunda classe de materialistas, muito mais numerosa, compreende os que o s\u00e3o por indiferen\u00e7a, e, podemos dizer, <strong>por falta de coisa melhor,<\/strong> j\u00e1 que o materialismo real \u00e9 um sentimento antinatural. N\u00e3o o s\u00e3o deliberadamente e o que mais desejam \u00e9 crer, pois a incerteza os atormenta. Sentem uma vaga aspira\u00e7\u00e3o do futuro, mas esse futuro foi-lhes apresentado de maneira que sua raz\u00e3o n\u00e3o pode aceitar, nascendo da\u00ed a d\u00favida, e como conseq\u00fc\u00eancia da d\u00favida, a incredulidade. Para eles, pois, a incredulidade n\u00e3o se ap\u00f3ia num sistema. T\u00e3o logo lhes apresenteis alguma coisa de racional, eles a aceitar\u00e3o com ardor. Esses podem nos compreender, porque est\u00e3o mais pr\u00f3ximos de n\u00f3s do que poderiam supor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os primeiros, n\u00e3o faleis de revela\u00e7\u00e3o, nem de anjos ou do Para\u00edso, pois, n\u00e3o compreenderiam. Mas colocai-vos no seu pr\u00f3prio terreno e provai-lhes, primeiro, que as leis da Filosofia n\u00e3o podem explicar tudo: o resto vir\u00e1 depois. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra quando n\u00e3o se trata de incredulidade preconcebida, pois nesse caso a cren\u00e7a n\u00e3o foi totalmente anulada e permanece como germe latente, asfixiado pelas ervas daninhas, que uma centelha pode reanimar. \u00c9 o cego a que se restitui a vista e que se alegra de rever a luz, \u00e9 o n\u00e1ufrago a que se atira uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Estes parecem ser consequ\u00eancia direta do dogmatismo religioso ou de cren\u00e7as exacerbadas em absurdos. As cren\u00e7as fan\u00e1ticas ou fantasiosas os afastaram a um racionalismo fisiol\u00f3gico e material. Portanto, algo mais racional e plaus\u00edvel pode surtir efeito, eis a recomenda\u00e7\u00e3o de Kardec, de demonstrar as limita\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e partir para o racionalismo embutido no Espiritism, que n\u00e3o deve render-se a dogmas e fantasias.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">22. Ao lado dos materialistas propriamente ditos h\u00e1 uma terceira classe de incr\u00e9dulos que, embora espiritualistas, pelo menos no nome, n\u00e3o s\u00e3o menos refrat\u00e1rios ao Espiritismo: s\u00e3o os <strong>incr\u00e9dulos de m\u00e1 vontade<\/strong>. Esses n\u00e3o querem crer, porque isso lhes perturbaria o gozo dos prazeres materiais. Temem encontrar a condena\u00e7\u00e3o de sua ambi\u00e7\u00e3o, do seu ego\u00edsmo e das vaidades humanas com que se deliciam. Fecham os olhos para n\u00e3o ver e tapam os ouvidos para n\u00e3o ouvir. S\u00f3 podemos lament\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Estes s\u00e3o uma das esp\u00e9cies mais comuns na atualidade. Colocam-se muitas vezes como v\u00edtimas, enxergam desrespeito quando suas atitudes de orgulho e prazer s\u00e3o condenadas, e apesar de sentir que podem seguir um rumo diferente e melhor, n\u00e3o desejam pagar o custo social que essa conduta exige. Rumar para o prazer e evitar a dor s\u00e3o comportamentos compreens\u00edveis, mas s\u00e3o tamb\u00e9m um falso muro de papel\u00e3o que tende a ruir cedo ou tarde.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">23. Somente para lembr\u00e1-la, falaremos de uma quarta categoria a que chamaremos de <strong>incr\u00e9dulos interesseiros ou de m\u00e1 f\u00e9.<\/strong> Estes sabem muito bem o que h\u00e1 de certo no Espiritismo, mas o condenam ostensivamente por motivos de interesse pessoal. Nada temos a dizer deles nem a fazer com eles. Se o materialista radical se engana, tem ao menos a desculpa da boa f\u00e9; podemos corrigi-lo, provando-lhe o erro. Neste \u00faltimo, h\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o contra a qual se esboroam todos os argumentos. O tempo se encarregar\u00e1 de lhe abrir os olhos e lhe mostrar, talvez \u00e0 sua pr\u00f3pria custa, onde estavam os seus verdadeiros interesses. Porque, n\u00e3o podendo impedir a expans\u00e3o da verdade, eles ser\u00e3o arrastados pela correnteza, juntamente com os interesses que pensavam salvaguardar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">24. Al\u00e9m dessas categorias de opositores h\u00e1 uma infinidade de varia\u00e7\u00f5es, entre as quais se podem contar os <strong>incr\u00e9dulos por covardia<\/strong>, que ter\u00e3o coragem quando verificarem que os outros n\u00e3o foram prejudicados; os <strong>incr\u00e9dulos por escr\u00fapulo religioso<\/strong>, que um ensino esclarecido far\u00e1 ver que o Espiritismo se ap\u00f3ia nos pr\u00f3prios fundamentos da Religi\u00e3o e respeita todas as cren\u00e7as, tendo como um de seus efeitos despertar os sentimentos religiosos nos descrentes, fortalecendo-os nos vacilantes; os <strong>incr\u00e9dulos por orgulho, por esp\u00edrito de contradi\u00e7\u00e3o, por neglig\u00eancia, por leviandade<\/strong>, etc. etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">25. N\u00e3o podemos esquecer uma categoria que chamaremos de<strong> incr\u00e9dulos por decep\u00e7\u00e3o<\/strong>. Abrange os que passaram de uma confian\u00e7a exagerada \u00e0 incredulidade, por terem sofrido desilus\u00f5es. Assim, desencorajados, abandonaram tudo e tudo rejeitaram. S\u00e3o como aquele que negasse a boa f\u00e9 por ter sido enganado. S\u00e3o ainda a conseq\u00fc\u00eancia de um estudo incompleto do Espiritismo e da falta de experi\u00eancia. Aquele que \u00e9 mistificado por Esp\u00edritos, geralmente \u00e9 porque lhes fez perguntas indevidas ou que eles n\u00e3o podiam responder, ou porque n\u00e3o estavam bastante esclarecidos para distinguir a verdade da impostura. Muitos, ali\u00e1s, s\u00f3 v\u00eaem o Espiritismo como uma nova forma de adivinha\u00e7\u00e3o e pensam que os Esp\u00edritos existem para ler a buena-dicha<a href=\"#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>. Ora, os Esp\u00edritos levianos e brincalh\u00f5es n\u00e3o perdem a oportunidade de se divertirem \u00e0 sua custa: \u00e9 assim que anunciar\u00e3o casamentos para as mo\u00e7as; honrarias, heran\u00e7as e tesouros ocultos para os ambiciosos, e assim por diante. Disso resultam, frequentemente, desagrad\u00e1veis decep\u00e7\u00f5es, de que o homem s\u00e9rio e prudente sabe sempre se preservar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; \u00c9 um outro fator que o aprendiz Esp\u00edrita consegue evitar aos poucos, at\u00e9 se tornar um comportamento padr\u00e3o, que \u00e9 a curiosidade demasiada por assuntos f\u00fateis. Ser\u00e1 que um Esp\u00edrito de alta hierarquia e de bons prop\u00f3sitos, visaria solucionar este tipo de curiosidade f\u00fatil? Seria absurdo aceitar a premissa como racional e verdadeira. Para os Esp\u00edritos zombeteiros e t\u00e3o f\u00fateis quanto a curiosidade o seja, a afinidade mental ser\u00e1 perfeita. N\u00e3o espere jogar xadrez com o Esp\u00edrito de Bezerra de Menezes numa tarde ensolarada, espere sim encontrar Esp\u00edritos alinhados \u00e0 sua categoria de pensamentos e atitudes. Aguardando ent\u00e3o uma esp\u00e9cie de m\u00e1gica privilegiada a respeito do futuro ou de outros aspectos menos nobres da exist\u00eancia, \u00e9 que as desilus\u00f5es acontecem.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">26. Uma classe muito numerosa, a mais numerosa de todas, mas que n\u00e3o poderia figurar entre os opositores, \u00e9 a dos <strong>vacilantes<\/strong>. S\u00e3o geralmente espiritualistas por princ\u00edpio. Na sua maioria t\u00eam uma vaga intui\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias esp\u00edritas e desejam alguma coisa que n\u00e3o podem definir. Falta-lhes apenas coordenar e formular os seus pensamentos. O Espiritismo aparece-lhes como um raio de luz: \u00e9 a claridade que afugenta as n\u00e9voas. Por isso o acolhem com sofreguid\u00e3o, pois ele os liberta das ang\u00fastias da incerteza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">27. Se lan\u00e7armos agora um olhar sobre as diversas categorias de crentes, encontraremos primeiro os <strong>esp\u00edritas sem o saber<\/strong>. S\u00e3o uma variedade ou uma subdivis\u00e3o da classe dos <strong>vacilantes.<\/strong> Sem jamais terem ouvido falar da Doutrina Esp\u00edrita, t\u00eam o sentimento inato dos seus grandes princ\u00edpios e esse sentimento se reflete em algumas passagens de seus escritos ou de seus discursos, de tal maneira que, ouvindo-os, acredita-se que sejam verdadeiros iniciados. Encontram-se numerosos desses exemplos entre os escritores sacros e profanos, entre os poetas, os oradores, os moralistas, os fil\u00f3sofos antigos e modernos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">28. Entre os que se convenceram estudando diretamente o assunto podemos distinguir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00b0.) Os que acreditam pura e simplesmente nas manifesta\u00e7\u00f5es. Consideram o Espiritismo como uma simples ci\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o, apresentando uma s\u00e9rie de fatos mais ou menos curiosos. Chamamo-los: <strong>esp\u00edritas experimentadores<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00b0.) Os que n\u00e3o se interessam apenas pelos fatos e compreendem o aspecto filos\u00f3fico do Espiritismo, admitindo a moral que dele decorre, mas sem a praticarem. A influ\u00eancia da Doutrina sobre o seu car\u00e1ter \u00e9 insignificante ou nula. N\u00e3o modificam em nada os seus h\u00e1bitos e n\u00e3o se privariam de nenhum de seus prazeres. O avarento continua insens\u00edvel, o orgulhoso cheio de amor-pr\u00f3prio, o invejoso e o ciumento sempre agressivos. Para eles, a caridade crist\u00e3 n\u00e3o passa de uma bela m\u00e1xima. S\u00e3o os<strong> esp\u00edritas imperfeitos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00b0.) Os que n\u00e3o se contentam em admirar apenas a moral esp\u00edrita, mas a praticam e aceitam todas as suas conseq\u00fc\u00eancias. Convictos de que a exist\u00eancia terrena \u00e9 uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avan\u00e7ar na senda do progresso, \u00fanica que pode elev\u00e1-los de posi\u00e7\u00e3o no Mundo dos Esp\u00edritos, esfor\u00e7ando-se para fazer o bem e reprimir as suas m\u00e1s tend\u00eancias. Sua amizade \u00e9 sempre segura, porque a sua firmeza de convic\u00e7\u00e3o os afasta de todo mau pensamento. A caridade \u00e9 sempre a sua regra de conduta. S\u00e3o esses os <strong>verdadeiros esp\u00edritas, ou melhor os esp\u00edritas crist\u00e3os. <\/strong>(1)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00b0.) H\u00e1, por fim, os<strong> esp\u00edritas exaltados<\/strong>. A esp\u00e9cie humana seria perfeita, se preferisse sempre o lado bom das coisas. O exagero \u00e9 prejudicial em tudo. No Espiritismo ele produz uma confian\u00e7a cega e frequentemente pueril nas manifesta\u00e7\u00f5es do mundo invis\u00edvel, fazendo aceitar muito facilmente e sem controle aquilo que a reflex\u00e3o e o exame demonstrariam ser absurdo ou imposs\u00edvel, pois o entusiasmo n\u00e3o esclarece, ofusca. Esta esp\u00e9cie de adeptos \u00e9 mais nociva do que \u00fatil \u00e0 causa do Espiritismo. S\u00e3o os menos capazes de convencer, porque se desconfia com raz\u00e3o do seu julgamento. S\u00e3o enganados facilmente por Esp\u00edritos mistificadores ou por pessoas que procuram explorar a sua credulidade. Se apenas eles tivessem de sofrer as conseq\u00fc\u00eancias o mal seria menor, mas o pior \u00e9 que oferecem, embora sem querer, motivos aos incr\u00e9dulos que mais procuram zombar do que se convencer e n\u00e3o deixam de imputar a todos o rid\u00edculo de alguns. Isso n\u00e3o \u00e9 justo nem racional, sem d\u00favida, mas os advers\u00e1rios do Espiritismo, como se sabe, s\u00f3 reconhecem como boa a sua raz\u00e3o e pouco se importam de conhecer a fundo aquilo de que falam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Muitas vezes observamos que persevera em alguns a impress\u00e3o de que o desencarne &#8216;santifica&#8217; uma pessoa. A partir desse prisma, muitos erros b\u00e1sicos de interpreta\u00e7\u00e3o, de mistifica\u00e7\u00e3o e de cegueira acontecem, prejudicando toda uma obra. \u00c0s vezes, Centos Esp\u00edritas inteiros s\u00e3o abarcados por erros deste tipo. \u00c9 pela an\u00e1lise dos frutos que se conhece uma \u00e1rvore, portanto, muito al\u00e9m do nome utilizado pelo manifestante, \u00e9 preciso analisar o conte\u00fado de suas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">29. Os meios de convic\u00e7\u00e3o variam extremamente, segundo os indiv\u00edduos. O que persuade a uns n\u00e3o impressiona a outros. Se um se convence por meio de certas manifesta\u00e7\u00f5es materiais, outro por comunica\u00e7\u00f5es inteligentes, a maioria \u00e9 pelo racioc\u00ednio. Podemos mesmo dizer que, para a maior parte dos que n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de apreci\u00e1-los pelo racioc\u00ednio, os fen\u00f4menos materiais s\u00e3o de pouca significa\u00e7\u00e3o. Quanto mais extraordin\u00e1rios s\u00e3o esses fen\u00f4menos, afastando-se bastante das leis conhecidas maior oposi\u00e7\u00e3o encontram. E isso por um motivo muito simples: \u00e9 que somos naturalmente levados a duvidar daquilo que n\u00e3o tem uma san\u00e7\u00e3o racional. Cada qual o encara a seu modo e d\u00e1 sua explica\u00e7\u00e3o particular: o materialista descobre uma causa f\u00edsica ou uma trapa\u00e7a; o ignorante e o supersticioso, uma causa diab\u00f3lica ou sobrenatural. Entretanto, uma explica\u00e7\u00e3o antecipada tem o efeito de destruir as id\u00e9ias preconcebidas e mostrar, se n\u00e3o a realidade, pelo menos a possibilidade do fato. Compreende-se antes de ver, pois desde que aceitamos a possibilidade, tr\u00eas quartos da convic\u00e7\u00e3o foram realizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Os fen\u00f4menos foram muito necess\u00e1rios na comprova\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia que comandava as manifesta\u00e7\u00f5es. Uma vez que a Doutrina foi codificada e as teorias revisadas e complementadas pelos pr\u00f3prios Esp\u00edritos encarregados, a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o se reduz. A explica\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos e sua posterior efetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 o complemento m\u00e1ximo das vari\u00e1veis que pode provar a todos a real exist\u00eancia do Esp\u00edrito e a real import\u00e2ncia dos fen\u00f4menos em si. Tendo as teorias sob pr\u00f3prio conhecimento, ningu\u00e9m teria como negar o fen\u00f4menos pr\u00e1tico, a n\u00e3o ser partindo para irracionalidade do fanatismo.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">30. Ser\u00e1 \u00fatil procurar convencer um incr\u00e9dulo obstinado? J\u00e1 dissemos que isso depende das causas e da natureza da sua incredulidade. Muitas vezes, nossa insist\u00eancia em persuadi-lo o leva a crer na sua import\u00e2ncia pessoal, que \u00e9 uma raz\u00e3o para mais se obstinar. Aquele que n\u00e3o se convence pelo racioc\u00ednio nem pelos fatos, deve ainda sofrer a prova da incredulidade. Devemos deixar \u00e0 Provid\u00eancia o cuidado de encaminh\u00e1-lo a circunst\u00e2ncias mais favor\u00e1veis. H\u00e1 muita gente que s\u00f3 deseja receber a luz, para estarmos perdendo tempo com os que a repelem. Dirigi-vos, pois, aos homens de boa vontade, cujo n\u00famero \u00e9 maior do que se pensa, e o exemplo destes, multiplicando-se, vencer\u00e1 mais facilmente as resist\u00eancias do que as palavras. Ao verdadeiro esp\u00edrita nunca faltar\u00e1 oportunidade de fazer o bem. H\u00e1 cora\u00e7\u00f5es aflitos a aliviar, consola\u00e7\u00f5es a dispensar, desesperos a acalmar, reformas morais a operar. Essa \u00e9 a sua miss\u00e3o e nela encontrar\u00e1 a verdadeira satisfa\u00e7\u00e3o. O Espiritismo impregna a atmosfera: expande-se pela pr\u00f3pria for\u00e7a das circunst\u00e2ncias e porque torna felizes aqueles que o professam. Quando os seus advers\u00e1rios sistem\u00e1ticos o ouvirem ressoando ao seu redor, entre os seus pr\u00f3prios amigos, compreender\u00e3o o isolamento em que se encontram e ser\u00e3o for\u00e7ados a calar ou a se renderem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; O exemplo ensina muito mais do que uma &#8216;convers\u00e3o&#8217;. \u00c9 preciso entender que o respeito ao livre-arb\u00edtrio de cada um \u00e9 muito mais importante do que for\u00e7ar uma mudan\u00e7a.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">31. Para se proceder, no ensino do Espiritismo, como se faz nas ci\u00eancias ordin\u00e1rias, seria necess\u00e1rio passar em revista toda a s\u00e9rie de fen\u00f4menos que podem produzir-se, a come\u00e7ar dos mais simples at\u00e9 chegar, sucessivamente, aos mais complicados. Ora, isso \u00e9 imposs\u00edvel, porque n\u00e3o se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de F\u00edsica ou de Qu\u00edmica. Nas Ci\u00eancias Naturais opera-se sobre a mat\u00e9ria bruta, que se manipula \u00e0 vontade e quase sempre se consegue determinar os efeitos. No Espiritismo, tem-se de lidar com intelig\u00eancias dotadas de liberdade e que provam, a cada instante, n\u00e3o estarem sujeitas aos nossos caprichos. \u00c9 necess\u00e1rio, pois, observar, esperar os resultados e colh\u00ea-los na ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso declaramos energicamente que: <strong>todo aquele que se vangloriar de obt\u00ea-los \u00e0 vontade n\u00e3o passa de ignorante ou impostor<\/strong>. Eis porque o verdadeiro Espiritismo jamais servir\u00e1 para exibi\u00e7\u00f5es nem subir\u00e1 jamais aos palcos. \u00c9 mesmo il\u00f3gico supor que os Esp\u00edritos se entreguem a exibi\u00e7\u00f5es e se submetam \u00e0 pesquisa como objetos de curiosidade. Os fen\u00f4menos, por isso mesmo, podem n\u00e3o ocorrer quando mais os desejamos ou apresentar-se de maneira muito diversa da que pretend\u00edamos. Acrescentemos ainda que, para obt\u00ea-los, necessitamos de pessoas dotadas de faculdades especiais, que variam ao infinito, segundo a aptid\u00e3o de cada indiv\u00edduo. Ora, sendo extremamente raro que uma mesma pessoa tenha todas as aptid\u00f5es, a dificuldade aumenta, pois, seria necess\u00e1rio dispormos sempre de uma verdadeira cole\u00e7\u00e3o de m\u00e9diuns, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito simples o meio de evitar estes inconvenientes. Basta come\u00e7ar pela teoria. Nela, todos os fen\u00f4menos s\u00e3o passados em revista, s\u00e3o explicados e se pode conhec\u00ea-los e compreender a sua possibilidade, as condi\u00e7\u00f5es em que podem ser produzidos e os obst\u00e1culos que podem encontrar. Dessa maneira, qualquer que seja a ordem em que as circunst\u00e2ncias nos fizerem v\u00ea-los, nada ter\u00e3o que possa surpreender-nos. E h\u00e1 ainda outra vantagem: a de evitar muitas decep\u00e7\u00f5es ao experimentador. Prevenido quanto \u00e0s dificuldades, pode manter-se vigilante e poupar-se das experi\u00eancias \u00e0 pr\u00f3pria custa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde que nos ocupamos de Espiritismo foram tantas as pessoas que nos acompanharam, que seria dif\u00edcil presenciar o seu n\u00famero. Entre elas, quantas permaneceram indiferentes ou incr\u00e9dulas diante dos fatos mais evidentes, s\u00f3 se convencendo mais tarde atrav\u00e9s de uma explica\u00e7\u00e3o racional. Quantas outras foram predispostas a aceitar por meio do racioc\u00ednio; e quantas, afinal, acreditaram sem nada terem visto, levadas unicamente pela compreens\u00e3o. Falamos, portanto, por experi\u00eancia, e por isso afirmamos que o melhor m\u00e9todo de ensino esp\u00edrita \u00e9 o que se dirige \u00e0 raz\u00e3o e n\u00e3o aos olhos. \u00c9 o que seguimos em nossas li\u00e7\u00f5es, do que s\u00f3 temos que nos felicitar. (2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">32. O estudo pr\u00e9vio da teoria tem ainda a vantagem de mostrar imediatamente a grandeza do objetivo e o alcance desta Ci\u00eancia. Aquele que se inicia vendo uma mesa girar ou bater pode inclinar-se \u00e0 zombaria, porque dificilmente imaginaria que de uma mesa possa sair uma doutrina regeneradora da Humanidade. Acentuamos sempre que os que cr\u00eaem sem ter visto, porque leram e compreenderam, ao inv\u00e9s de superficiais s\u00e3o os mais ponderados. Ligando-se mais ao fundo que \u00e0 forma, o aspecto filos\u00f3fico \u00e9 para eles o principal, e os fen\u00f4menos propriamente ditos s\u00e3o apenas o acess\u00f3rio. Chegam mesmo a dizer que se os fen\u00f4menos n\u00e3o existissem, nem por isso esta filosofia deixaria de ser a \u00fanica que resolve tantos problemas at\u00e9 hoje insol\u00faveis; a \u00fanica que oferece ao passado e ao futuro humano a teoria mais racional. Preferem, assim, uma doutrina que realmente explica, \u00e0quelas que nada explicam ou que explicam mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem refletir a respeito compreender\u00e1 claramente que se pode fazer abstra\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es, sem que a doutrina tenha por isso de desaparecer. As manifesta\u00e7\u00f5es corroboram, a confirmam, mas n\u00e3o constituem um fundamento essencial. O observador s\u00e9rio n\u00e3o as repele, mas espera as circunst\u00e2ncias favor\u00e1veis para observ\u00e1-las. A prova disso \u00e9 que antes de ouvirem falar das manifesta\u00e7\u00f5es muitas pessoas tiveram a intui\u00e7\u00e3o dessa doutrina, que veio apenas corporificar num conjunto as suas id\u00e9ias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">33. Ali\u00e1s, n\u00e3o seria certo dizer que, aos que come\u00e7am pela teoria, faltem as observa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Eles as possuem, pelo contr\u00e1rio, e certamente mais valiosas aos seus olhos que as produzidas nas experi\u00eancias: s\u00e3o os fatos numerosos de <strong>manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas<\/strong>, de que trataremos nos Cap\u00edtulos seguintes. S\u00e3o poucas as pessoas que n\u00e3o as conhecem, ao menos por ouvir dizer, e muitas as que as obtiveram, sem prestar-lhes a devida aten\u00e7\u00e3o. A teoria vem lhes dar explica\u00e7\u00e3o, e consideramos esses fatos de grande import\u00e2ncia, quando se ap\u00f3iam em testemunhos irrecus\u00e1veis, porque n\u00e3o se pode atribuir-lhes qualquer prepara\u00e7\u00e3o ou coniv\u00eancia. Se os fen\u00f4menos provocados n\u00e3o existissem, nem por isso os espont\u00e2neos deixariam de existir, e se o Espiritismo s\u00f3 servisse para dar-lhes uma explica\u00e7\u00e3o racional, isto j\u00e1 seria bastante. Assim, a maioria dos que l\u00eaem previamente referem os princ\u00edpios a esses fatos, que s\u00e3o para eles uma confirma\u00e7\u00e3o da teoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">34. Seria absurdo supor que aconselhamos a negligenciar os fatos, pois foi pelos fatos que chegamos \u00e0 teoria. \u00c9 verdade que isso nos custou um trabalho ass\u00edduo de muitos anos e milhares de observa\u00e7\u00f5es. Mas desde que os fatos nos serviram e servem diariamente, ser\u00edamos incoerentes se lhes contest\u00e1ssemos a import\u00e2ncia, sobretudo agora que fazemos um livro para ensinar como conhec\u00ea-los. Sustentamos apenas que, sem o racioc\u00ednio, eles n\u00e3o bastam para levar \u00e0 convic\u00e7\u00e3o. Que uma explica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, afastando as preven\u00e7\u00f5es e mostrando que eles n\u00e3o s\u00e3o absurdos, predisp\u00f5e a aceit\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 t\u00e3o certo que, de dez pessoas estranhas ao assunto, que assistam a uma sess\u00e3o de experimenta\u00e7\u00e3o, das mais satisfat\u00f3rias para os adeptos, nove sair\u00e3o sem convencer-se, e algumas delas ainda mais incr\u00e9dulas do que antes, porque as experi\u00eancias n\u00e3o corresponderam ao que esperavam. Acontecer\u00e1 o contr\u00e1rio com as que puderam informar-se dos fatos por um conhecimento te\u00f3rico antecipado. Para estas, esse conhecimento servir\u00e1 de controle e nada as surpreender\u00e1, nem mesmo o insucesso, pois saber\u00e3o em que condi\u00e7\u00f5es os fatos se produzem e que n\u00e3o se lhes deve pedir o que eles n\u00e3o podem dar. A compreens\u00e3o pr\u00e9via dos fatos torna-as capazes de perceber todas as dificuldades, mas tamb\u00e9m de captar uma infinidade de pormenores, de nuan\u00e7as quase sempre muito sutis, que ser\u00e3o para elas elementos de convic\u00e7\u00e3o que escapam ao observador ignorante. S\u00e3o esses os motivos que nos levam a s\u00f3 admitir em nossas sess\u00f5es experimentais pessoas suficientemente preparadas para compreender o que se passa, pois sabemos que as outras perderiam o seu tempo ou nos fariam perder o nosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; A desconfian\u00e7a sempre ronda uma manifesta\u00e7\u00e3o Esp\u00edrita. Leigos e materialistas sempre v\u00e3o achar algo nas manifesta\u00e7\u00f5es  cuja veracidade n\u00e3o poder\u00e3o comprovar, utilizando-se ent\u00e3o destes elementos como justificantes de uma postura de nega\u00e7\u00e3o. O conhecimento te\u00f3rico resolve essa problem\u00e1tica e ensina os passos corretos, cuja observa\u00e7\u00e3o em diferentes manifesta\u00e7\u00f5es pode comprovar e esclarecer.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">35. Para aqueles que desejarem adquirir esses conhecimentos preliminares atrav\u00e9s das nossas obras, aconselhamos a seguinte ordem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00b0.) <strong>O QUE \u00c9 O ESPIRITISMO<\/strong>: esta brochura, de apenas uma centena de p\u00e1ginas, apresenta uma exposi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria dos princ\u00edpios da Doutrina Esp\u00edrita, uma vis\u00e3o geral que permite abranger o conjunto num quadro restrito. Em poucas palavras se percebe o seu objetivo e se pode julgar o seu alcance. Al\u00e9m disso, apresenta as principais perguntas ou obje\u00e7\u00f5es que as pessoas novatas costumam fazer. Essa primeira leitura, que exige pouco tempo, \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o que facilita o estudo mais profundo. (3)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00b0.) <strong>O LIVRO DOS ESP\u00cdRITOS<\/strong>: cont\u00e9m a doutrina completa ditada pelos Esp\u00edritos, com toda a sua Filosofia e todas as suas conseq\u00fc\u00eancias morais. \u00c9 o destino do homem desvelado, a inicia\u00e7\u00e3o ao conhecimento da natureza dos Esp\u00edritos e os mist\u00e9rios da vida de al\u00e9m-t\u00famulo. Lendo-o, compreende-se que o Espiritismo tem um objetivo s\u00e9rio e n\u00e3o \u00e9 um passatempo fr\u00edvolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00b0.) <strong>O LIVRO DOS M\u00c9DIUNS<\/strong>: destinado a orientar na pr\u00e1tica das manifesta\u00e7\u00f5es, proporcionando o conhecimento dos meios mais apropriados de nos comunicarmos com os Esp\u00edritos. \u00c9 um guia para os m\u00e9diuns e para os evocadores e o complemento de O Livro dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00b0.) <strong>A REVISTA ESP\u00cdRITA<\/strong>: uma variada colet\u00e2nea de fatos, de explica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e de trechos destacados que completam a exposi\u00e7\u00e3o das duas obras precedentes, e que representa de alguma maneira a sua aplica\u00e7\u00e3o. Sua leitura pode ser feita ao mesmo tempo que a daquelas obras, mas ser\u00e1 mais proveitosa e mais compreens\u00edvel sobretudo ap\u00f3s a de O Livro dos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso no que nos concerne. Mas os que desejam conhecer completamente uma ci\u00eancia devem ler necessariamente tudo o que foi escrito a respeito, ou pelo menos o principal, n\u00e3o se limitando a um \u00fanico autor. Devem mesmo ler os pr\u00f3s e os centras, as cr\u00edticas e as apologias, iniciar-se nos diferentes sistemas a fim de poder julgar pela compara\u00e7\u00e3o. Neste particular, n\u00e3o indicamos nem criticamos nenhuma obra, pois n\u00e3o queremos influir em nada na opini\u00e3o que se possa formar. Levando nossa pedra ao edif\u00edcio, tomamos apenas o nosso lugar. N\u00e3o nos cabe ser ao mesmo tempo juiz e parte e n\u00e3o temos a pretens\u00e3o rid\u00edcula de ser o \u00fanico a dispensar a luz. Cabe ao leitor separar o bom do mau, o verdadeiro do falso. (4)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(1) Sendo o Espiritismo uma doutrina eminentemente crist\u00e3, essa designa\u00e7\u00e3o de esp\u00edrita crist\u00e3o pode parecer redundante. Por outro lado, poderia sugerir a exist\u00eancia de uma forma de Espiritismo n\u00e3o-crist\u00e3o, que na verdade n\u00e3o existe. Kardec a emprega, por\u00e9m, como designa\u00e7\u00e3o do verdadeiro esp\u00edrita, para distinguir estes daqueles que n\u00e3o seguem, como se v\u00ea acima, os princ\u00edpios do Espiritismo. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(2) Ao p\u00e9 da p\u00e1gina, Kardec acrescentou esta nota: <em>&#8220;Nosso ensino te\u00f3rico e pr\u00e1tico \u00e9 sempre gratuito&#8221;<\/em>. Com isso, evitava interpreta\u00e7\u00f5es maldosas e dava o exemplo que foi sempre seguido pelos esp\u00edritas respons\u00e1veis em todo o mundo. O verdadeiro ensino esp\u00edrita \u00e9 sempre gratuito. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(3) Apesar de j\u00e1 estarmos h\u00e1 mais de cem anos do lan\u00e7amento desse pequeno livro, ele se conserva oportuno e at\u00e9 mesmo de leitura obrigat\u00f3ria para principiantes. E podemos acrescentar que mesmo os adeptos mais experimentados deviam rel\u00ea-lo de vez em quando. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(4) A conhecida mod\u00e9stia de Kardec, bem demonstrada nestas palavras, leva algumas pessoas a n\u00e3o reconhecerem o valor fundamental da sua obra, que ali\u00e1s n\u00e3o \u00e9 apenas dele, mas principalmente dos Esp\u00edritos Superiores. Essa atitude, entretanto, refor\u00e7a ainda mais a sua posi\u00e7\u00e3o de Codificador, pois os verdadeiros mission\u00e1rios n\u00e3o se arrogam superioridade e os verdadeiros mestres querem, antes de mais nada, o desenvolvimento da compreens\u00e3o pr\u00f3pria e da capacidade de discernimento dos disc\u00edpulos. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe aqui acrescentar os demais livros da codifica\u00e7\u00e3o, ou seja, <em><strong>O Evangelho Segundo o Espiritismo<\/strong><\/em>, <em><strong>O C\u00e9u e o Inferno <\/strong><\/em>(ou a Justi\u00e7a Divina Segundo o Espiritismo), <em><strong>A G\u00eanese <\/strong><\/em>(Os Milagres e as Predi\u00e7\u00f5es Segundo o Espiritismo) e <em><strong>Obras P\u00f3stumas<\/strong><\/em>. (N. da E.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>CAP\u00cdTULO IV<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>SISTEMAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">36. Quando os estranhos fen\u00f4menos do Espiritismo come\u00e7aram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes \u00faltimos tempos, suscitaram antes de mais nada a d\u00favida sobre a sua realidade e mais ainda sobre a sua causa. (1) Quando foram averiguados por testemunhos irrecus\u00e1veis e atrav\u00e9s de experi\u00eancias que todos puderam fazer, aconteceu que cada qual os interpretou a seu modo, de acordo com suas id\u00e9ias pessoais, suas cren\u00e7as e seus preconceitos. Da\u00ed o aparecimento dos numerosos sistemas que uma observa\u00e7\u00e3o mais atenta deveria reduzir ao seu justo valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os advers\u00e1rios do Espiritismo logo viram, nessas diverg\u00eancias de opini\u00e3o, um argumento contr\u00e1rio, dizendo que os pr\u00f3prios esp\u00edritas n\u00e3o concordavam entre si. Era uma raz\u00e3o bem prec\u00e1ria, pois os primeiros passos de todas as ci\u00eancias em desenvolvimento s\u00e3o necessariamente incertos, at\u00e9 que o tempo permita a reuni\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o dos fatos que possam fixar-lhes a orienta\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que os fatos se completam e s\u00e3o melhor observados, as id\u00e9ias prematuras se desfazem e a unidade de opini\u00e3o se estabelece, quando n\u00e3o sobre os detalhes, pelo menos sobre os pontos fundamentais. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que n\u00e3o podia escapar a essa lei comum, e que devia mesmo, por sua natureza, prestar-se ainda mais \u00e0 diversidade de opini\u00f5es. Podemos dizer, ali\u00e1s, que nesse sentido o seu avan\u00e7o foi mais r\u00e1pido que o de ci\u00eancias mais antigas, como a Medicina, por exemplo, que ainda continua a dividir os maiores s\u00e1bios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">37. Para seguir a ordem progressiva das id\u00e9ias, de maneira met\u00f3dica, conv\u00e9m colocar em primeiro lugar os chamados <strong>sistemas negativos<\/strong> dos advers\u00e1rios do Espiritismo. Refutamos essas obje\u00e7\u00f5es na introdu\u00e7\u00e3o e na conclus\u00e3o de <strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>, bem como na pequena obra intitulada <strong>O Que \u00e9 o Espiritismo<\/strong>. Seria in\u00fatil voltar ao assunto e nos limitaremos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se ap\u00f3iam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fen\u00f4menos esp\u00edritas s\u00e3o de duas esp\u00e9cies: os de efeitos f\u00edsicos e os de efeitos inteligentes. N\u00e3o admitindo a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos, por n\u00e3o admitirem nada al\u00e9m da mat\u00e9ria, compreende-se que eles neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos f\u00edsicos, eles os comentam \u00e0 sua maneira e seus argumentos podem ser resumidos nos quatro sistemas seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Kardec analisar\u00e1 a justificativa utilizada pelos materialistas, que s\u00f3 aceitam a mat\u00e9ria em si como verdade. Por isso os efeitos inteligentes, causados pelos Esp\u00edritos, s\u00e3o ignorados. Atrav\u00e9s de uma observa\u00e7\u00e3o dos efeitos f\u00edsicos, os materialistas n\u00e3o conseguem depreender sua causa em nada al\u00e9m da mat\u00e9ria.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>38. SISTEMA DO CHARLATANISMO<\/strong>: muitos dos antagonistas atribuem esses efeitos \u00e0 esperteza, pela raz\u00e3o de alguns terem sido imitados. Essa suposi\u00e7\u00e3o transformaria todos os esp\u00edritas em mistificados e todos os m\u00e9diuns em mistificadores, sem considera\u00e7\u00e3o pela posi\u00e7\u00e3o, ou car\u00e1ter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se ela merecesse resposta, dir\u00edamos que alguns fen\u00f4menos da F\u00edsica s\u00e3o tamb\u00e9m imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ci\u00eancia. H\u00e1 pessoas, ali\u00e1s, cujo car\u00e1ter afasta toda suspeita de fraude, e seria preciso n\u00e3o se ter educa\u00e7\u00e3o nem urbanidade para atrever-se a dizer-lhes que s\u00e3o c\u00famplices de charlatanice. Num sal\u00e3o bastante respeit\u00e1vel, um senhor que se dizia muito educado permitiu-se fazer uma observa\u00e7\u00e3o dessa e a dona da casa lhe disse: &#8220;Senhor, desde que n\u00e3o est\u00e1 satisfeito, o dinheiro lhe ser\u00e1 devolvido na porta&#8221;, e com um gesto lhe indicou o melhor que tinha a fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos concluir disso que nunca houve abusos? Seria necess\u00e1rio admitir que os homens s\u00e3o perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas. Por que n\u00e3o se abusaria do Espiritismo? Mas o mau emprego que se pode fazer de uma coisa n\u00e3o deve levar-nos a prejulg\u00e1-la. Podemos considerar a boa f\u00e9 dos outros pelos motivos de suas a\u00e7\u00f5es. Onde n\u00e3o h\u00e1 especula\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para o charlatanismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Primeiramente analisar os frutos para reconhecer a \u00e1rvore. Justo. Conforme j\u00e1 explicitado por Kardec, culpar toda Doutrina e seus seguidores pela m\u00e1-f\u00e9 de alguns seria um ato de intoler\u00e2ncia. Intoler\u00e2ncia que favorece a cegueira e o radicalismo anticient\u00edfico.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>39. SISTEMA DA LOUCURA<\/strong>: alguns, por condescend\u00eancia, querem afastar a suspeita de fraude e pretendem que os que n\u00e3o enganam s\u00e3o enganados por si mesmos, o que equivale a cham\u00e1-los de imbecis. Quando os incr\u00e9dulos s\u00e3o menos maneirosos, dizem simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se sem cerim\u00f4nias o privil\u00e9gio do bom senso. \u00c9 esse o grande argumento dos que n\u00e3o t\u00eam melhores raz\u00f5es a apresentar. Ali\u00e1s, essa forma de cr\u00edtica se tornou rid\u00edcula pela pr\u00f3pria leviandade e n\u00e3o merece que se perca tempo em refut\u00e1-la. Por sinal que os esp\u00edritas pouco se importam com ela. Seguem corajosamente o seu caminho, consolando-se ao pensar que t\u00eam por companheiros de infort\u00fanio muita gente de m\u00e9rito incontest\u00e1vel. \u00c9 necess\u00e1rio convir, com efeito, que essa loucura, se se trata de loucura, revela uma estranha caracter\u00edstica: a de atingir de prefer\u00eancia a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta at\u00e9 o momento com a maioria absoluta de adeptos. Se nesse n\u00famero se encontram alguns exc\u00eantricos, eles n\u00e3o dep\u00f5em mais contra a Doutrina do que os fan\u00e1ticos contra a Religi\u00e3o; do que os meloman\u00edacos contra a M\u00fasica; ou do que os man\u00edacos calculadores contra a Matem\u00e1tica. Todas as id\u00e9ias t\u00eam os seus fan\u00e1ticos e seria necess\u00e1rio ser-se muito obtuso para confundir o exagero de uma id\u00e9ia com a pr\u00f3pria id\u00e9ia. Para mais amplas explica\u00e7\u00f5es a respeito, enviamos o leitor \u00e0 nossa brochura: <strong>O Que \u00e9 o Espiritismo<\/strong> ou a <strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>, par\u00e1grafo XV da Introdu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Acusar algu\u00e9m de loucura para negar um fen\u00f4meno \u00e9 diagnosticar com leviandade. \u00c9 f\u00e1cil negar algo e chamar de &#8216;loucura&#8217;. Quando Kardec conota que \u201c <span style=\"text-decoration: underline;\">\u00c9 necess\u00e1rio convir, com efeito, que essa loucura, se se trata de loucura, revela uma estranha caracter\u00edstica: a de atingir de prefer\u00eancia a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta at\u00e9 o momento com a maioria absoluta de adeptos<\/span>\u201d ele quer dizer que grandes mentes, muitas de cientistas nobres e respeitados, seriam loucas? Seriam os estudiosos participantes de uma loucura em grupo? \u00c9 subestimar a raz\u00e3o em si.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>40. SISTEMA DA ALUCINA\u00c7\u00c1O<\/strong>: outra opini\u00e3o, menos ofensiva porque tem um leve disfarce cient\u00edfico, consiste em atribuir os fen\u00f4menos a uma ilus\u00e3o dos sentidos. Assim, o observador seria de muito boa f\u00e9, mas creria ver o que n\u00e3o v\u00ea. Quando v\u00ea uma mesa levantar -se e permanecer no ar sem qualquer apoio, a mesa nem se moveu. Ele a v\u00ea no espa\u00e7o por uma ilus\u00e3o ou por um efeito de refra\u00e7\u00e3o, como o que nos faz ver um astro ou um objeto na \u00e1gua, deslocado de sua verdadeira posi\u00e7\u00e3o. A rigor, isso seria poss\u00edvel, mas os que testemunharam esse fen\u00f4meno constataram a suspens\u00e3o passando por baixo da mesa, que seria dif\u00edcil se ela n\u00e3o houvesse sido elevada. Al\u00e9m disso, ela \u00e9 elevada tantas vezes que acaba por quebrar -se ao cair. Seria isso tamb\u00e9m uma ilus\u00e3o de \u00f3tica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma causa fisiol\u00f3gica bem conhecida pode fazer, sem d\u00favida, que se veja rodar uma coisa que nem se mexeu, ou que nos sintamos rodar quando estamos im\u00f3veis. Mas quando v\u00e1rias pessoas que est\u00e3o ao redor de uma mesa s\u00e3o arrastadas por um movimento t\u00e3o r\u00e1pido que \u00e9 dif\u00edcil segui-la, e algumas s\u00e3o at\u00e9 mesmo derrubadas, teriam acaso sofrido vertigens, como o \u00e9brio que v\u00ea a casa passar-lhe pela frente? (2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Por mais aceit\u00e1vel que seja acreditar em uma alucina\u00e7\u00e3o individual, seria muito, for\u00e7ar o argumento de que v\u00e1rias pessoas, em locais diferentes, foram alucinadas pelo mesmo fen\u00f4meno. Como descrito na obra \u201cAs Mesas Girantes e o Espiritismo\u201d de Zeus Wantuil, cap\u00edtulo 06, p\u00e1gina 40 da edi\u00e7\u00e3o da FEB, 2007, os fen\u00f4menos das mesas girantes ocorriam em muitos locais ao mesmo tempo, a ponto de se tornarem passatempo favorito dos nobres durante as festas sociais. Isso indica que uma grande coletividade de pessoas aceitavam, mesmo sem saber a explica\u00e7\u00e3o correta, a veracidade do fen\u00f4meno.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>41. SISTEMA DO M\u00daSCULO ESTALANTE<\/strong>: se assim fosse no que toca \u00e0 vis\u00e3o, n\u00e3o seria diferente para o ouvido. Mas quando os golpes s\u00e3o ouvidos por toda uma assembl\u00e9ia, n\u00e3o se pode razoavelmente atribu\u00ed-los \u00e0 ilus\u00e3o. Afastamos, bem entendido, qualquer id\u00e9ia de fraude, considerando uma observa\u00e7\u00e3o atenta em que se tenha constatado que n\u00e3o havia nenhuma causa fortuita ou material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que um s\u00e1bio m\u00e9dico deu ao caso uma explica\u00e7\u00e3o decisiva, segundo pensava: &#8220;<em>A causa, disse ele, est\u00e1 nas contra\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias ou involunt\u00e1rias do tend\u00e3o muscular do pequeno per\u00f4nio<\/em>&#8220;. (3) E entra nas mais completas min\u00facias anat\u00f4micas para demonstrar o mecanismo dessa produ\u00e7\u00e3o de estalos, que pode imitar o tambor e mesmo executar \u00e1rias ritmadas. Chega assim \u00e0 conclus\u00e3o de que os que ouvem os golpes numa mesa s\u00e3o v\u00edtimas de uma mistifica\u00e7\u00e3o ou de uma ilus\u00e3o. O fato nada apresenta de novo. Infelizmente para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria n\u00e3o pode explicar todos os casos. Digamos primeiramente que os dotados da estranha faculdade de fazer estalar \u00e0 vontade o m\u00fasculo do pequeno per\u00f4nio, ou outro qualquer, e tocar \u00e1rias musicais por esse meio, s\u00e3o criaturas excepcionais, enquanto a de fazer estalar as mesas \u00e9 muito comum, e os que a possuem s\u00f3 muito raramente podem possuir aquela. Em segundo lugar, o s\u00e1bio doutor esqueceu-se de explicar como podem esses estalos musculares de uma pessoa im\u00f3vel e distanciada da mesa produzir nesta vibra\u00e7\u00f5es sens\u00edveis ao tato; como esses estalos podem repercutir, \u00e0 vontade dos assistentes, em lugares diversos da mesa, em outros m\u00f3veis, nas paredes, no forro, etc., e como, enfim, a a\u00e7\u00e3o desse m\u00fasculo pode estender-se a uma mesa que n\u00e3o se toca e faz\u00ea-la mover-se sozinha. Esta explica\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, se realmente explicasse alguma coisa, s\u00f3 poderia infirmar o fen\u00f4meno dos golpes, n\u00e3o podendo referir -se aos demais modos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00edmos, pois, que o seu autor julgou sem ter visto, ou sem ter visto tudo de maneira suficiente. \u00c9 sempre lament\u00e1vel que os homens de ci\u00eancia se apressem a dar, sobre o que n\u00e3o conhecem, explica\u00e7\u00f5es que os fatos podem desmentir. O seu pr\u00f3prio saber deveria torn\u00e1 -los tanto mais ponderados em seus julgamentos, quanto mais esse saber lhes amplia os limites do desconhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Mais um caso onde a pr\u00e1tica cotidiana da observa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica anula as teorias formuladas sem o devido preparo, por uma ci\u00eancia que ao inv\u00e9s de investigar, j\u00e1 formulava o resultado com a certeza cega do materialismo.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>42. SISTEMA DAS CAUSAS F\u00cdSICAS<\/strong>: sa\u00edmos aqui dos sistemas de nega\u00e7\u00e3o absoluta. Averiguada a realidade dos fen\u00f4menos, o primeiro pensamento que naturalmente ocorreu ao esp\u00edrito dos que o viram foi o de atribuir os movimentos ao magnetismo, \u00e0 eletricidade ou \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa exclusivamente f\u00edsica, material. Essa opini\u00e3o nada tinha de irracional e prevaleceria se o fen\u00f4meno se limitasse aos efeitos puramente mec\u00e2nicos. Uma circunst\u00e2ncia parecia mesmo corrobor\u00e1-la: era, em alguns casos, o aumento da pot\u00eancia na raz\u00e3o do n\u00famero de pessoas presentes, pois cada uma delas podia ser considerada como elemento de uma pilha el\u00e9trica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira,j\u00e1 o dissemos, \u00e9 a possibilidade de explicar todos os fatos. Se um \u00fanico fato a contraditar, \u00e9 porque ela \u00e9 falsa, incompleta ou demasiado arbitr\u00e1ria. Foi o que n\u00e3o tardou a acontecer no caso. Os movimentos e os golpes revelaram intelig\u00eancia, pois obedeciam a uma vontade e respondiam ao pensamento. Deviam, pois, ter uma causa inteligente. E desde que o efeito cessava de ser apenas f\u00edsico, a causa, por isso mesmo, devia ser outra. Assim o sistema de a\u00e7\u00e3o exclusiva de um agente material foi abandonado e s\u00f3 se renova entre os que julgam a priori, sem nada terem visto. O ponto capital, portanto, \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o inteligente, e \u00e9 por ele que se pode convencer quem quiser se dar ao trabalho da observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Ao trabalho da observa\u00e7\u00e3o cuidadosa e cient\u00edfica de verdade. Se a causa fosse f\u00edsica, primeiro deveria explicar-se a manipula\u00e7\u00e3o dessa energia, ou flu\u00eddo material. Tudo cairia por terra quando as manifesta\u00e7\u00f5es demonstrassem que elas possuem \u201cvida\u201d ou intelig\u00eancia pr\u00f3prias, causadoras ent\u00e3o de comunica\u00e7\u00f5es completas ou at\u00e9 ensinamentos que eram in\u00e9ditos \u00e0 sociedade da \u00e9poca. Caso sua origem fosse unicamente f\u00edsica, as manifesta\u00e7\u00f5es seriam t\u00e3o limitadas quando fossem os limites dos m\u00e9diuns.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>43. SISTEMA DO REFLEXO<\/strong>: reconhecida a a\u00e7\u00e3o inteligente, restava saber qual seria a fonte dessa intelig\u00eancia. Pensou-se que poderia ser a do m\u00e9dium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras. Isso era poss\u00edvel e somente a experi\u00eancia poderia dar a \u00faltima palavra a respeito. Mas notemos, desde logo, que esse sistema se afasta completamente das id\u00e9ias puramente materialistas: para a intelig\u00eancia dos assistentes poder reproduzir-se de maneira indireta, seria necess\u00e1rio admitir a exist\u00eancia no homem de um princ\u00edpio independente do organismo. (4)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o pensamento manifestado fosse sempre o dos assistentes, a teoria da reflex\u00e3o estaria confirmada. Mas o fen\u00f4meno, mesmo assim reduzido, n\u00e3o seria do mais alto interesse? O pensamento a repercutir num corpo inerte e a se traduzir por movimento e ru\u00eddo n\u00e3o seria admir\u00e1vel? N\u00e3o haveria nisso o que excitar a curiosidade dos s\u00e1bios? Porque, pois, eles desprezaram esse fato, eles que se esgotam na procura de uma fibra nervosa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente a experi\u00eancia, dissemos, poderia dar a \u00faltima palavra sobre essa teoria, e a experi\u00eancia a  deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos mais positivos, que o pensamento manifestado pode ser, n\u00e3o s\u00f3 estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contr\u00e1rio ao deles; que contradiz todas as id\u00e9ias preconcebidas e desfaz todas as previs\u00f5es. De fato, quando eu penso branco e me respondem preto, n\u00e3o posso acreditar que a resposta seja minha. Alguns se ap\u00f3iam em casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes, mas que \u00e9 que isso prova, sen\u00e3o que os assistentes podem pensar como a intelig\u00eancia comunicante? N\u00e3o se pode exigir que estejam sempre em oposi\u00e7\u00e3o. Quando, numa conversa\u00e7\u00e3o, o interlocutor emite um pensamento semelhante ao vosso, direis por isso que ele o tirou de v\u00f3s? Bastam alguns exemplos contr\u00e1rios e bem constatados para provar que essa teoria n\u00e3o pode ser decisiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como, ali\u00e1s, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que n\u00e3o sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filos\u00f3fico obtidas atrav\u00e9s de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa l\u00edngua desconhecida do m\u00e9dium? E mil outros fatos que n\u00e3o podem deixar d\u00favida quanto \u00e0 independ\u00eancia da intelig\u00eancia manifestante? A opini\u00e3o contr\u00e1ria s\u00f3 pode resultar de uma defici\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o. Se a presen\u00e7a de uma intelig\u00eancia estranha \u00e9 moralmente provada pela natureza das respostas, materialmente o \u00e9 pelo fen\u00f4meno da escrita direta, ou seja, da escrita feita espontaneamente, sem caneta nem l\u00e1pis, sem contato e apesar de todas as precau\u00e7\u00f5es tomadas para evitar qualquer ardil. O car\u00e1ter inteligente do fen\u00f4meno n\u00e3o poderia ser posto em d\u00favida; logo, h\u00e1 mais do que uma simples a\u00e7\u00e3o flu\u00eddica. Al\u00e9m disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer quest\u00e3o formulada, n\u00e3o permite que se possa torn\u00e1-lo como um reflexo do que pensam os assistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema do reflexo \u00e9 muito desagrad\u00e1vel em certos casos. Quando, por exemplo, numa reuni\u00e3o de pessoas s\u00e9rias ocorre uma comunica\u00e7\u00e3o de revoltante grosseria, atribu\u00ed-la a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e \u00e9 prov\u00e1vel que todos se apressassem em repudi\u00e1-la. (Ver<strong> O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>, par\u00e1grafo XVI da Introdu\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; A partir do instante em que se admite algo al\u00e9m do materialismo, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel verificar melhor os fen\u00f4menos. As observa\u00e7\u00f5es atentas demonstram que intelig\u00eancias, na maioria das vezes muito superiores, no caso da codifica\u00e7\u00e3o de Kardec, traziam ensinamentos inestim\u00e1veis, de sentido moral elevados, que traziam arcabou\u00e7os de conhecimentos e explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas fora de alcance para alguns que operavam os fen\u00f4menos.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>44. SISTEMA DA ALMA COLETIVA<\/strong>: \u00e9 uma variante do precedente. Segundo este sistema, somente a alma do m\u00e9dium se manifesta, mas identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptid\u00f5es, a intelig\u00eancia e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que exp\u00f5e essa teoria se intitule <strong>A Luz<\/strong> (5) pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco do que vimos e s\u00f3 a citamos para registr\u00e1-la. Trata-se, ali\u00e1s, de uma opini\u00e3o individual como tantas outras e que fez poucos adeptos. \u00c9mah Tirps\u00e9 \u00e9 o nome usado pelo autor para designar o ser coletivo que representa. Ele toma por ep\u00edgrafe: <strong>N\u00e3o h\u00e1 nada oculto que n\u00e3o venha a ser revelado<\/strong>. Essa proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 evidentemente falsa, pois h\u00e1 uma infinidade de coisas que o homem n\u00e3o pode e n\u00e3o deve saber. Bem presun\u00e7oso seria o que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>45. SISTEMA SONAMB\u00daLICO:<\/strong> este sistema teve mais partid\u00e1rios, mas ainda agora conta com alguns. Como precedente, admite que todas as comunica\u00e7\u00f5es inteligentes procedem da alma ou Esp\u00edrito do m\u00e9dium. Mas, para explicar como o m\u00e9dium pode tratar de assuntos que est\u00e3o fora do seu conhecimento, em vez de consider\u00e1-lo dotado de uma alma coletiva, atribui essa aptid\u00e3o a uma super-excita\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea de suas faculdades mentais, a uma esp\u00e9cie de estado sonamb\u00falico ou ext\u00e1tico, que exalta e desenvolve a sua intelig\u00eancia. N\u00e3o se pode negar, em certos casos, a influ\u00eancia dessa causa, mas \u00e9 suficiente haver presenciado como opera a maioria dos m\u00e9diuns para compreender que ela n\u00e3o pode resolver todos os casos, constituindo pois a exce\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a regra. Poderia ser assim, se o m\u00e9dium tivesse sempre o ar de inspirado ou ext\u00e1tico, apar\u00eancia que ele poderia, ali\u00e1s, simular perfeitamente, se quisesse representar uma com\u00e9dia. Mas como crer na inspira\u00e7\u00e3o, quando o m\u00e9dium escreve como uma m\u00e1quina, sem a menor consci\u00eancia do que obt\u00e9m, sem a menor emo\u00e7\u00e3o, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distra\u00eddo, rindo e tratando de assuntos diversos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Concebe-se a excita\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias, mas n\u00e3o se compreende que ela fa\u00e7a escrever aquele que n\u00e3o sabe escrever, e ainda menos quando as comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o transmitidas por pancadas ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, no curso desta obra, o que se deve atribuir \u00e0 influ\u00eancia das id\u00e9ias do m\u00e9dium. Mas os casos em que a intelig\u00eancia estranha se revela por sinais incontest\u00e1veis s\u00e3o t\u00e3o numerosos e evidentes, que n\u00e3o podem deixar d\u00favidas a respeito. O erro da maior parte dos sistemas surgidos na origem do Espiritismo \u00e9 tirar conclus\u00f5es gerais de alguns fatos isolados. (6)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Existe documenta\u00e7\u00e3o de casos com escritas ocorrendo ao mesmo tempo nas duas m\u00e3os, com letras diferentes, em l\u00ednguas diferentes e desconhecidas ao m\u00e9dium e assim por diante.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>46. SISTEMA PESSIMISTA, DIAB\u00d3LICO OU DEMON\u00cdACO<\/strong>: entramos aqui em outra ordem de id\u00e9ias. Constatada a interven\u00e7\u00e3o de uma intelig\u00eancia estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa intelig\u00eancia. O meio mais f\u00e1cil era sem d\u00favida lhe perguntar, mas algumas pessoas n\u00e3o viam nisso uma garantia suficiente e s\u00f3 quiseram ver em todas as manifesta\u00e7\u00f5es uma obra diab\u00f3lica. Segundo elas, somente o Diabo ou os Dem\u00f4nios podem comunicar-se. Embora esse sistema tenha hoje pouca aceita\u00e7\u00e3o, gozou por certo tempo de algum cr\u00e9dito, em virtude da condi\u00e7\u00e3o especial daqueles que procuravam faz\u00ea-lo prevalecer. Assinalaremos, por\u00e9m, que os partid\u00e1rios do sistema demon\u00edaco n\u00e3o devem ser considerados entre os advers\u00e1rios do Espiritismo, antes pelo contr\u00e1rio. Os seres que se comunicam, quer sejam dem\u00f4nios ou anjos, s\u00e3o sempre seres incorp\u00f3reos. Ora, admitir a manifesta\u00e7\u00e3o dos dem\u00f4nios \u00e9 sempre admitir a possibilidade de comunica\u00e7\u00e3o com o mundo invis\u00edvel, ou pelo menos com uma parte desse mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A cren\u00e7a na comunica\u00e7\u00e3o exclusiva dos dem\u00f4nios, por mais irracional que seja, n\u00e3o pareceria imposs\u00edvel quando se consideravam os Esp\u00edritos como seres criados fora da Humanidade. Mas desde que sabemos que os Esp\u00edritos s\u00e3o apenas as almas dos que j\u00e1 viveram, ela perdeu todo o seu prest\u00edgio, e podemos dizer toda a verossimilhan\u00e7a. Porque a conseq\u00fc\u00eancia seria que todas essas almas eram dem\u00f4nios, fossem elas de um pai, de um filho ou de um amigo, e que n\u00f3s mesmos, ao morrer, nos tornar\u00edamos dem\u00f4nios, doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Ser\u00e1 muito dif\u00edcil convencer uma m\u00e3e de que uma crian\u00e7a querida que ela perdeu, e que ap\u00f3s a morte lhe vem dar provas de sua afei\u00e7\u00e3o e de sua identidade, seja um suposto satan\u00e1s. \u00c9 verdade que entre os Esp\u00edritos existem os que s\u00e3o muito maus e n\u00e3o valem mais do que os chamados dem\u00f4nios, e isso por uma raz\u00e3o em simples: \u00e9 que existem homens muito maus e que a morte n\u00e3o os melhora imediatamente. A quest\u00e3o \u00e9 saber se s\u00f3 eles podem comunicar-se. Aos que pensam assim, propomos as seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00b0.) H\u00e1 Esp\u00edritos bons e maus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00b0.) Deus \u00e9 mais poderoso do que os maus Esp\u00edritos, ou do que os dem\u00f4nios, se quiserdes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00b0.) Afirmar que s\u00f3 os maus se comunicam \u00e9 dizer que os bons n\u00e3o podem faz\u00ea-lo. Se assim \u00e9, de duas uma: isso acontece pela vontade ou contra a vontade de Deus. Se \u00e9 contra a sua vontade, os maus Esp\u00edritos s\u00e3o mais poderosos que Ele. Se \u00e9 pela sua vontade, por que raz\u00e3o, na sua bondade, n\u00e3o permitiria a comunica\u00e7\u00e3o dos bons, para contrabalan\u00e7ar a influ\u00eancia dos outros?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00b0.) Que provas podeis dar da impossibilidade de se comunicarem os bons Esp\u00edritos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">5\u00b0.) Quando vos opomos a sabedoria de certas comunica\u00e7\u00f5es, respondeis que o Dem\u00f4nio usa todas as m\u00e1scaras para melhor seduzir. Sabemos, realmente, que h\u00e1 Esp\u00edritos hip\u00f3critas que d\u00e3o \u00e0 sua linguagem um verniz de sabedoria. Mas admitis que a ignor\u00e2ncia possa representar o verdadeiro saber e uma natureza m\u00e1 substituir a virtude, sem deixar transparecer a fraude?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">6\u00b0.) Se \u00e9 s\u00f3 o Dem\u00f4nio que se comunica, e sendo ele o inimigo de Deus e dos Homens, por que recomenda orar a Deus, submiss\u00e3o \u00e0 sua vontade, sofrer sem queixas as atribula\u00e7\u00f5es da vida, n\u00e3o ambicionar honras nem riquezas, praticar a caridade e todas as m\u00e1ximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para destruir o seu imp\u00e9rio? Se \u00e9 o Dem\u00f4nio quem d\u00e1 esses conselhos, temos de convir que, por mais ardiloso seja, se mostra bastante in\u00e1bil ao fornecer armas contra ele mesmo. (7)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">7\u00b0.) Desde que os Esp\u00edritos se comunicam, \u00e9 que Deus o permite. Vendo as boas e as m\u00e1s comunica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 mais l\u00f3gico pensar que Deus permite umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">8\u00b0.) Que pensar\u00edeis de um pai que deixasse o filho \u00e0 merc\u00ea dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que afastasse dele, proibindo-o de v\u00ea-las, as pessoas que pudessem desvi\u00e1-lo do mal? O que um bom pai n\u00e3o faria, devemos pensar que Deus, a bondade por excel\u00eancia, estaria fazendo, menos compreensivo que um homem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">9\u00b0.) A Igreja reconhece como aut\u00eanticas algumas manifesta\u00e7\u00f5es da Virgem e de outros santos, nas apari\u00e7\u00f5es, vis\u00f5es, comunica\u00e7\u00f5es orais etc.; essa cren\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a doutrina da comunica\u00e7\u00e3o exclusiva dos Dem\u00f4nios?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditamos que algumas pessoas aceitaram de boa f\u00e9 essa teoria. Mas acreditamos tamb\u00e9m que muitas o fizeram apenas para evitar a preocupa\u00e7\u00e3o com essas coisas, por causa das m\u00e1s comunica\u00e7\u00f5es que todos est\u00e3o sujeitos a receber. Dizendo que somente o Diabo se manifesta, quiseram assustar, assim como se faz a uma crian\u00e7a: <em>&#8220;N\u00e3o pegue nisso, que queima!&#8221;<\/em>A inten\u00e7\u00e3o pode ser louv\u00e1vel, mas n\u00e3o atingiu o objetivo, porque a proibi\u00e7\u00e3o s\u00f3 serve para excitar a curiosidade e o temor do Diabo abrange poucas pessoas. Em geral querem v\u00ea-lo, nem que seja apenas para saber como ele \u00e9, e acabam se admirando de n\u00e3o encontr\u00e1-lo t\u00e3o feio como pensavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se poderia ainda encontrar outro motivo para esta teoria das comunica\u00e7\u00f5es exclusivas decorrentes do Diabo? H\u00e1 pessoas que consideram errados todos os que n\u00e3o pensam como elas. Ora, as que pretendem que as comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o do Dem\u00f4nio n\u00e3o estariam com medo de encontrar Esp\u00edritos que as contrariem, muito mais no tocante aos interesses deste mundo que aos do outro? N\u00e3o podendo negar o fato, quiseram apresent\u00e1-lo de maneira assustadora. Mas esse meio n\u00e3o deu mais resultados que os outros, e onde o medo do rid\u00edculo \u00e9 importante, o melhor \u00e9 deixar as coisas correrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O mu\u00e7ulmano que ouvisse um esp\u00edrito falar contra algumas leis do Alcor\u00e3o, pensaria seguramente que era um mau Esp\u00edrito. O mesmo aconteceria com um judeu, no tocante a algumas pr\u00e1ticas da lei de Mois\u00e9s. Quanto aos cat\u00f3licos, ouvimos um deles afirmar que o Esp\u00edrito comunicante era o Diabo, porque se atrevia a pensar diferente dele sobre o poder temporal, embora s\u00f3 pregasse a caridade, a toler\u00e2ncia, o amor ao pr\u00f3ximo, o desinteresse pelas coisas mundanas, de acordo com as m\u00e1ximas pregadas por Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Esp\u00edritos s\u00e3o as almas dos homens, e como os homens n\u00e3o s\u00e3o perfeitos, h\u00e1 tamb\u00e9m Esp\u00edritos imperfeitos, cujo car\u00e1ter se reflete nas comunica\u00e7\u00f5es. \u00c9 incontest\u00e1vel que h\u00e1 Esp\u00edritos maus, astuciosos, profundamente hip\u00f3critas, contra os quais devemos nos prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir da vida social? Deus nos deu a raz\u00e3o e o discernimento para apreciarmos os Esp\u00edritos e os Homens. A melhor maneira de evitar os poss\u00edveis inconvenientes da pr\u00e1tica esp\u00edrita n\u00e3o \u00e9 impedi-la, mas esclarec\u00ea-la. Um temor imagin\u00e1rio pode impressionar por um instante e n\u00e3o atinge a todos, enquanto a realidade claramente demonstrada \u00e9 compreens\u00edvel para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #0000ff;\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Entender as comunica\u00e7\u00f5es como monop\u00f3lio do mal e do diabo \u00e9 pura mistifica\u00e7\u00e3o. Kardec aborda acima, muitas dire\u00e7\u00f5es diferentes de estudo e postura para justificar a falsa assertiva sobre as manifesta\u00e7\u00f5es se originarem no mal, mas hoje, j\u00e1 temos elementos pr\u00e1ticos suficientes para comprovar a falsidade desta postura. Uma vez que entendemos que a personifica\u00e7\u00e3o do mal na figura do diabo n\u00e3o existe, e que os Esp\u00edritos est\u00e3o ainda longe de uma alta hierarquia moral, \u00e9 correto depreender que ap\u00f3s o desencarne, n\u00e3o se tornar\u00e3o santos e puros, mas ser\u00e3o o que tem sido enquanto vivos na mat\u00e9ria. Se a pura curiosidade anticient\u00edfica e imoral buscar a comunica\u00e7\u00e3o, o que esperar daquele que responde? O prop\u00f3sito da comunica\u00e7\u00e3o e sua prepara\u00e7\u00e3o \u00e9tica tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para atrair valorosas e ben\u00e9volas li\u00e7\u00f5es, que trar\u00e3o bons frutos e boas comunica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>47. SISTEMA OTIMISTA<\/strong>: ao lado dos sistemas que s\u00f3 v\u00eaem nos fen\u00f4menos a a\u00e7\u00e3o dos Dem\u00f4nios, h\u00e1 outros que s\u00f3 v\u00eaem a dos Esp\u00edritos bons. Partem do princ\u00edpio de que, liberta da mat\u00e9ria, a alma est\u00e1 livre de qualquer v\u00e9u e deve possuir a soberana ci\u00eancia e a soberana sabedoria. Essa confian\u00e7a cega na superioridade absoluta dos seres do mundo invis\u00edvel tem sido, para muitas pessoas, a fonte de numerosas decep\u00e7\u00f5es. Elas tiveram de aprender \u00e0 pr\u00f3pria custa a desconfiar de alguns Esp\u00edritos, tanto como desconfiavam de alguns homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Infelizmente adquirir a soberania da ci\u00eancia e da sabedoria \u00e9 t\u00e3o acess\u00edvel a algu\u00e9m, como encontrar algum encarnado que tudo saiba e tudo possa resolver. Isso \u00e9 bem claro na Doutrina, todos, no desencarne, seremos um aglomerado muito maior de experi\u00eancias e conhecimentos, mas isso deve acompanhar uma moral que torne o potencial em algo construtivo na seara do Mestre. Como n\u00e3o h\u00e1 um encarnado que tudo saiba e possa resolver, o crit\u00e9rio para qualidade da comunica\u00e7\u00e3o e dos Esp\u00edritos que s\u00e3o atra\u00eddos, reside na seriedade do trabalho medi\u00fanico.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>48. SISTEMA UNIESP\u00cdRITO OU MONOESP\u00cdRITO<\/strong>: uma variedade do sistema otimista \u00e9 a cren\u00e7a de que um \u00fanico Esp\u00edrito se comunica com os homens e que esse Esp\u00edrito \u00e9 o Cristo, protetor da Terra. Quando as comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevol\u00eancia e de maldade, seria impiedade e profana\u00e7\u00e3o supor que pudessem provir do esp\u00edrito do bem por excel\u00eancia. Ainda se poderia admitir a ilus\u00e3o, se os que assim cr\u00eaem s\u00f3 tivessem obtido comunica\u00e7\u00f5es excelentes. Mas a maioria deles declara ter recebido comunica\u00e7\u00f5es muito m\u00e1s, explicando tratar -se de uma prova a que o Esp\u00edrito bom os submete ao ditar-lhes coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunica\u00e7\u00f5es ao Diabo, que pode fazer bons ditados para tent\u00e1-los, outros pensam que Jesus \u00e9 o \u00fanico a se manifestar e que pode fazer maus ditados para experiment\u00e1-los. Entre essas duas opini\u00f5es t\u00e3o diversas, quem decidir\u00e1? O bom senso e a experi\u00eancia. E citamos a experi\u00eancia, porque \u00e9 imposs\u00edvel que os que adotam essas id\u00e9ias tenham verificado tudo suficientemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando lhes advertimos com os casos de identifica\u00e7\u00e3o, que atestam a presen\u00e7a de parentes, amigos ou conhecidos pelas comunica\u00e7\u00f5es escritas, visuais e outras, respondem que \u00e9 sempre o mesmo Esp\u00edrito: o Diabo, segundo uns, o Cristo, segundo outros, que tomam aquelas formas. Mas n\u00e3o dizem por que raz\u00e3o os outros Esp\u00edritos n\u00e3o podem comunicar-se, com que fim o Esp\u00edrito da Verdade viria nos enganar sob falsas apar\u00eancias, abusar de uma pobre m\u00e3e ao fingir-se o filho por ela chorado. A raz\u00e3o se recusa a admitir que o Esp\u00edrito mais santo de todos venha a representar semelhante com\u00e9dia. Al\u00e9m disso, negar a possibilidade de qualquer outra comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tirar do Espiritismo o que ele tem de mais agrad\u00e1vel: a consola\u00e7\u00e3o dos aflitos? Declaramos simplesmente que semelhante sistema \u00e9 irracional e n\u00e3o pode resistir a um exame s\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; O consolo est\u00e1 presente nos Evangelhos de Jesus Cristo e suas palavras ali descritas s\u00e3o o ant\u00f4nimo exato daquele que brinca, zomba, traz escritos de baixa estrutura e baixo cal\u00e3o. Imaginar-se cara a cara com Cristo \u00e9 parte da soberba humana, mas quantos de n\u00f3s merecer\u00edamos um olhar d&#8217;Ele? Quem dir\u00e1 palavras. Hoje sabemos tamb\u00e9m que mentores muito evolu\u00eddos (puros), utilizam-se de Esp\u00edritos bons, mas intermedi\u00e1rios na escala espiritual, para que possam ser transmissores de mensagens aos m\u00e9diuns encarnados, tamanha dificuldade em transitar pelas densidades da mat\u00e9ria. Dessa forma, \u00e9 muito dif\u00edcil compreender qual o m\u00e9dium encarnado realmente pronto para &#8216;psicografar&#8217; e assinar <span style=\"text-decoration: underline;\">Jesus Cristo<\/span>.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>49. SISTEMA MULTIESP\u00cdRITA OU POLIESP\u00cdRITA<\/strong>: todos os sistemas que examinamos, sem excetuar os negativos, fundamentam-se em algumas observa\u00e7\u00f5es, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa \u00e9 vermelha de um lado e branca do outro, quem a vir s\u00f3 de um lado afirmar\u00e1 que \u00e9 apenas vermelha ou branca e estar\u00e1 ao mesmo tempo errado e certo; mas quem a vir de todos os lados dir\u00e1 que tem as duas cores e s\u00f3 ele estar\u00e1 realmente com a verdade. Acontece o mesmo com as opini\u00f5es sobre o Espiritismo: pode ser verdadeira sobre certos aspectos e falsa se a generalizarem, tomando como regra o que \u00e9 apenas exce\u00e7\u00e3o, interpretando como tal o que \u00e9 somente uma parte. Por isso dizemos que quem desejar estudar seriamente esta ci\u00eancia deve aprofundar-se bastante e durante longo tempo, pois s\u00f3 o tempo lhe permitir\u00e1 perceber os detalhes, notar as nuan\u00e7as delicadas, observar uma infinidade de fatos caracter\u00edsticos que ser\u00e3o como raios luminosos. Mas se permanecer na superf\u00edcie exp\u00f5e-se a julgar prematuramente e portanto de maneira err\u00f4nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejamos os resultados gerais a que chegamos atrav\u00e9s de uma observa\u00e7\u00e3o completa, e que hoje formam a cren\u00e7a, podemos dizer, da universalidade dos Esp\u00edritos, porque os sistemas restritivos n\u00e3o passam de opini\u00f5es isoladas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00b0. -Os fen\u00f4menos esp\u00edritas s\u00e3o produzidos por intelig\u00eancias extra-corp\u00f3reas, ou seja, pelos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00b0. -Os Esp\u00edritos constituem o mundo invis\u00edvel e est\u00e3o por toda parte; povoam os espa\u00e7os at\u00e9 o infinito; h\u00e1 Esp\u00edritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00b0. -Os Esp\u00edritos agem constantemente sobre o mundo f\u00edsico e sobre o mundo moral, sendo uma das pot\u00eancias da Natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">4\u00b0. -Os Esp\u00edritos n\u00e3o s\u00e3o entidades \u00e0 parte na Cria\u00e7\u00e3o: s\u00e3o as almas dos que viveram na Terra ou em outros Mundos, desprovidas do seu envolt\u00f3rio corporal; do que se segue que as almas dos homens s\u00e3o Esp\u00edritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Esp\u00edritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">5\u00b0. -H\u00e1 Esp\u00edritos de todos os graus de bondade e de mal\u00edcia, de saber e de ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">6\u00b0. -Est\u00e3o submetidos \u00e0 lei do progresso e todos podem chegar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, mas como disp\u00f5em do livre-arb\u00edtrio alcan\u00e7am-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esfor\u00e7os e a sua vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">7\u00b0. -S\u00e3o felizes ou infelizes, conforme o bem ou mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram; a felicidade perfeita e sem nuvens s\u00f3 \u00e9 alcan\u00e7ada pelos que chegaram ao supremo grau de perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">8\u00b0. -Todos os Esp\u00edritos, em dadas circunst\u00e2ncias, podem manifestar se aos homens, e o n\u00famero dos que podem comunicar-se \u00e9 indefinido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">9\u00b0. -Os Esp\u00edritos se comunicam por meio dos m\u00e9diuns, que lhes servem de instrumento e de int\u00e9rpretes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">10\u00b0. -Reconhecem-se a superioridade e inferioridade dos Esp\u00edritos pela linguagem: os bons s\u00f3 aconselham o bem e s\u00f3 dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfei\u00e7\u00e3o e da ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os diversos graus porque passam os Esp\u00edritos constam da Escala Esp\u00edrita (<strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>, II parte, cap. VI, n\u00b0. 100). O estudo dessa classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para se avaliar a natureza dos Esp\u00edritos que se manifestam e suas boas e m\u00e1s qualidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>50. SISTEMA DA ALMA MATERIAL<\/strong>: consiste apenas numa opini\u00e3o particular sobre a natureza \u00edntima da alma, segundo a qual a alma e o perisp\u00edrito n\u00e3o seriam distintos, ou melhor, o perisp\u00edrito seria a pr\u00f3pria alma em depura\u00e7\u00e3o gradual por meio das transmigra\u00e7\u00f5es, como o \u00e1lcool se depura nas destila\u00e7\u00f5es. Na Doutrina Esp\u00edrita, entretanto o perisp\u00edrito \u00e9 considerado como simples envolt\u00f3rio flu\u00eddico da alma ou Esp\u00edrito. Constituindo-se o perisp\u00edrito de uma forma de mat\u00e9ria, embora muito eterizada, para o sistema em causa a alma seria tamb\u00e9m de natureza material, mais ou menos essencial, segundo o grau de sua depura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Este princ\u00edpio n\u00e3o invalida nenhum dos princ\u00edpios fundamentais da Doutrina Esp\u00edrita, pois nada modifica em rela\u00e7\u00e3o ao destino da alma. As condi\u00e7\u00f5es de sua felicidade futura s\u00e3o as mesmas, a alma e o perisp\u00edrito formando um todo sob denomina\u00e7\u00e3o de Esp\u00edrito, como o germe e o perisperma formam uma unidade sob o nome de fruto. Toda a quest\u00e3o se reduz em considerar o todo como homog\u00eaneo em vez de formado por duas partes distintas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se v\u00ea, isto n\u00e3o leva a nenhuma conseq\u00fc\u00eancia e n\u00e3o falar\u00edamos a respeito se n\u00e3o houv\u00e9ssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma escola nova no que n\u00e3o \u00e9, de fato, mais que uma simples quest\u00e3o de palavras. Esta opini\u00e3o, ali\u00e1s muito restrita, mesmo que fosse mais generalizada n\u00e3o representaria uma cis\u00e3o entre os esp\u00edritas, da mesma maneira que as teorias da emiss\u00e3o ou das ondula\u00e7\u00f5es da luz n\u00e3o dividem os f\u00edsicos. Os que desejassem separar-se por uma quest\u00e3o assim pueril, provariam dar mais import\u00e2ncia ao acess\u00f3rio do que ao principal e estar impulsionados por Esp\u00edritos que n\u00e3o podem ser bons, porque os bons Esp\u00edritos n\u00e3o semeiam jamais o azedume e a ciz\u00e2nia. Eis porque concitamos todos os verdadeiros esp\u00edritas a se manterem em guarda contra semelhantes sugest\u00f5es e n\u00e3o ligarem a alguns detalhes maior import\u00e2ncia do que merecem, pois o fundo \u00e9 que \u00e9 o essencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Cremos, n\u00e3o obstante, dever dizer em algumas palavras no que se funda a opini\u00e3o dos que consideram a alma e o perisp\u00edrito como distintos. Ela se ap\u00f3ia no ensino dos Esp\u00edritos, que jamais variaram a esse respeito. Aludimos aos Esp\u00edritos esclarecidos, pois entre os Esp\u00edritos em geral h\u00e1 muitos que n\u00e3o sabem mais e at\u00e9 mesmo conhecem menos do que os homens. Ali\u00e1s, essa teoria contr\u00e1ria \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o fomos n\u00f3s que inventamos nem que supusemos a exist\u00eancia do perisp\u00edrito para explicar os fen\u00f4menos. Sua exist\u00eancia nos foi revelada pelos Esp\u00edritos e a observa\u00e7\u00e3o no-la confirmou (<strong>OLivro dos Esp\u00edritos<\/strong>, n\u00b0. 93). Ela se ap\u00f3ia ainda no estudo das sensa\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos (<strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>, n\u00b0. 257). E sobretudo no fen\u00f4meno das apari\u00e7\u00f5es tang\u00edveis que para outros implicariam a solidifica\u00e7\u00e3o e a desagrega\u00e7\u00e3o dos elementos constitutivos da alma, e conseq\u00fcentemente a sua desorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, seria necess\u00e1rio admitir que essa mat\u00e9ria, que pode tornar-se percept\u00edvel aos nossos sentidos, fosse o pr\u00f3prio princ\u00edpio inteligente, que n\u00e3o \u00e9 mais racional do que confundir o corpo com a alma ou a roupa com o corpo. Quanto \u00e0 natureza \u00edntima da alma, nada sabemos. Quando se diz que ela \u00e9 imaterial, devemos entend\u00ea-lo em sentido relativo e n\u00e3o absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma ou Esp\u00edrito \u00e9 alguma coisa. O que se quer dizer, portanto, \u00e9 que a sua ess\u00eancia \u00e9 de tal maneira superior que n\u00e3o apresenta nenhuma analogia com o que chamamos mat\u00e9ria, e que por isso ela \u00e9, para n\u00f3s, imaterial (<strong>O Livro dos Esp\u00edritos<\/strong>, n\u00b0. 23 e 82)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">51. Eis a resposta de um Esp\u00edrito a respeito do assunto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 <em>&#8220;O que uns chamam perisp\u00edrito \u00e9 o mesmo que outros chamam de envolt\u00f3rio flu\u00eddico. Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais l\u00f3gica, que esse fluido \u00e9 a perfectibilidade dos sentidos, a extens\u00e3o da vista e do pensamento.Mas me refiro aos Esp\u00edritos elevados.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quanto aos Esp\u00edritos inferiores, est\u00e3o ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, s\u00e3o materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que n\u00e3o podem atingir os Esp\u00edritos superiores, visto que os fluidos terrenos j\u00e1 foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma. Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela n\u00e3o seria nada para v\u00f3s, ou melhor, n\u00e3o o poder\u00edeis conceber. O perisp\u00edrito, para n\u00f3s, Esp\u00edritos errantes, \u00e9 o instrumento pelo qual nos comunicamos convosco, seja indiretamente, por meio do vosso corpo ou do vosso perisp\u00edrito, seja diretamente com a vossa alma. Vem da\u00ed a infinita variedade de m\u00e9diuns e de comunica\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Resta agora o problema cient\u00edfico, referente \u00e0 pr\u00f3pria ess\u00eancia do perisp\u00edrito, que \u00e9 outro assunto. Compreendei primeiro a sua possibilidade l\u00f3gica (9). Resta, a seguir, a discuss\u00e3o da natureza dos fluidos, que \u00e9 por enquanto inexplic\u00e1vel, pois a Ci\u00eancia n\u00e3o conhece o suficiente a respeito, mas chegar\u00e1 a conhec\u00ea-lo se quiser avan\u00e7ar com o Espiritismo. O perisp\u00edrito pode variar de apar\u00eancia, modificar-se ao infinito; a alma \u00e9 a intelig\u00eancia, n\u00e3o muda sua natureza (10). Neste assunto n\u00e3o podeis avan\u00e7ar, pois \u00e9 uma quest\u00e3o que n\u00e3o pode ser explicada. Julgais que tamb\u00e9m n\u00e3o investigo, como v\u00f3s? V\u00f3s pesquisais o perisp\u00edrito, e n\u00f3s atualmente pesquisamos a alma. Esperai, pois&#8221;. -LAMENNAIS.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, os Esp\u00edritos que podemos considerar adiantados ainda n\u00e3o puderam sondar a natureza da alma. Como poder\u00edamos faz\u00ea-lo? \u00c9, pois uma perda de tempo perscrutar o princ\u00edpio das coisas que, como ensina O Livro dos Esp\u00edritos(n\u00b0. 17 e 49), pertence aos segredos de Deus. Pretender descobrir, por meio do Espiritismo, o que ainda n\u00e3o \u00e9 do alcance da Humanidade, seria desvi\u00e1-lo do seu verdadeiro objetivo, fazer como a crian\u00e7a que quisesse saber tanto quanto o velho. O essencial \u00e9 que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfei\u00e7oamento moral. O mais \u00e9 apenas curiosidade est\u00e9ril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o o faria avan\u00e7ar sequer um passo. O \u00fanico meio de avan\u00e7ar \u00e9 tornar -se melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Esp\u00edritos que ditaram o livro que traz o seu nome prosavam a pr\u00f3pria sabedoria ao respeitarem, no tocante ao princ\u00edpio das coisas, os limites que Deus n\u00e3o nos permite passar, deixando aos Esp\u00edritos sistem\u00e1ticos e presun\u00e7osos a responsabilidade das teorias prematuras e err\u00f4neas, mais fascinantes do que s\u00e9rias, e que um dia cair\u00e3o ao embate da raz\u00e3o, como tantas outras oriundas do c\u00e9rebro humano. S\u00f3 disseram o justamente necess\u00e1rio para que o homem compreenda o seu futuro e assim encoraj\u00e1-lo na pr\u00e1tica do bem. (Ver a seguir na Segunda Parte, cap. l: A\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos sobre a mat\u00e9ria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(1) As mesmas d\u00favidas suscitadas pelo Espiritismo repetiram-se, um s\u00e9culo ap\u00f3s o seu advento, e portanto em nosso tempo, com o reinicio das pesquisas cient\u00edficas dos fen\u00f4menos para-normais (na verdade fen\u00f4menos esp\u00edritas) pela Parapsicologia. E o desenvolvimento desta nova ci\u00eancia renova aos nossos olhos as mesmas disparidades de opini\u00e3o que caracterizaram o aparecimento do Espiritismo. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(2) Conta Simone de Beauvoir, em &#8220;A For\u00e7a da Idade&#8221;, uma experi\u00eancia de tiptologia com Jean Paul Sartre, em que ela fez a mesa bater \u00e0 vontade, iludindo a todos,inclusive o pr\u00f3prio fil\u00f3sofo. Como se v\u00ea por essa brincadeira entre fil\u00f3sofos ateus e c\u00e9ticos, a posi\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia francesa ainda n\u00e3o mudou a respeito do assunto. E pena que em vez de brincar n\u00e3o tenham feito uma experi\u00eancia s\u00e9ria. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(3) M\u00e9dico Jobert, de Lamballe. Para sermos justos devemos dizer que essa descoberta se deve ao sr. Schiff. O sr. Jobert apenas desenvolveu as suas conseq\u00fc\u00eancias perante a Academia de Medicina para dar o golpe decisivo nos Esp\u00edritos batedores. Todos os detalhes podem ser encontrados na Revista Esp\u00edrita de junho de 1859. (Nota de Kardec).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(4) Ernesto Bozzano defenderia mais tarde esta tese em&#8221;Animismo e Espiritismo&#8221;, num sentido mais amplo. Ver esse livro. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(5) &#8220;Comunh\u00e3o. A luz do fen\u00f4meno do Esp\u00edrito. Mesas falantes, son\u00e2mbulos, m\u00e9diuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da pr\u00e1tica na f\u00e9. Por Ema Tirpse, uma alma coletiva escrevendo por interm\u00e9dio de uma prancheta.&#8221; Bruxelas, 1858, edi\u00e7\u00e3o Devroye.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(6) O sistema da excita\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias \u00e9 hoje renovado pela hip\u00f3tese igualmente falsa do &#8220;inconsciente excitado&#8221;, que pseudo parapsic\u00f3logos procuram difundir contra as manifesta\u00e7\u00f5es esp\u00edritas. Como se v\u00ea, os meios e as armas de combate ao Espiritismo continuam os mesmos, apenas com algumas adapta\u00e7\u00f5es \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es culturais. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, as respostas j\u00e1 est\u00e3o praticamente dadas nas obras de Kardec. O esp\u00edrita que as estuda com aten\u00e7\u00e3o refutar\u00e1 facilmente essas repeti\u00e7\u00f5es de velhos sistemas superados. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(7) Esta quest\u00e3o foi tratada em O Livro dos Esp\u00edritos(n\u00fameros 128 e seguintes), mas recomendamos a respeito, como para tudo que se refere \u00e0 parte religiosa, a brochura intitulada: Carta de um cat\u00f3lico sobre o Espiritismo, do Dr.Grand, antigo c\u00f4nsul da Fran\u00e7a (edi\u00e7\u00e3o Ledoyen) e a que publicamos com o t\u00edtulo de Os Contraditores do Espiritismo do ponto de vista da Religi\u00e3o, da Ci\u00eancia e do Materialismo. (N. de Kardec).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(8) O Esp\u00edrito \u00e9 definido no n\u00ba. 23 de O Livro dos Esp\u00edritos como principio inteligente, em compara\u00e7\u00e3o com princ\u00edpio material. O n\u00ba. 27 explica que esses dois princ\u00edpios, tendo Deus como a sua fonte, forma a trindade universal, princ\u00edpio de todas coisas. Isto nos mostra que a concep\u00e7\u00e3o esp\u00edrita do Universo \u00e9 monista, num sentido espiritual. As ci\u00eancias atuais est\u00e3o chegando a essa concep\u00e7\u00e3o, como vemos pelo conceito moderno de mat\u00e9ria como concentra\u00e7\u00e3o de energia. Alguns estudiosos n\u00e3o compreenderam bem esta posi\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e pensam que mat\u00e9ria e Esp\u00edrito s\u00e3o a mesma coisa. Kardec e os Esp\u00edritos negam a concep\u00e7\u00e3o abstraia do Esp\u00edrito, conforme a teologia e a metaf\u00edsica antiga, porque essa concep\u00e7\u00e3o torna o Esp\u00edrito inacess\u00edvel ao pensamento humano. Por isso Kardec afirma que a alma(Esp\u00edrito encarnado, que anima o corpo) ou o Esp\u00edrito (o ser desencarnado) \u00e9 alguma coisa. O mesmo acontece hoje na Parapsicologia, quando Rhine e seus companheiros constatando que o pensamento n\u00e3o se sujeita \u00e0s leis f\u00edsicas, afirmam a sua natureza extra-f\u00edsica, evitando adotar a express\u00e3o espiritual, que levaria muitos a uma interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. O estudante de Espiritismo deve atentar bem para este problema. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(9) <em>Comprenez d&#8217;abord moralement<\/em>, diz o original. A tradu\u00e7\u00e3o geralmente usada: Compreendei primeiro moralmente \u00e9 literal, mas n\u00e3o corresponde ao sentido do texto, pois moralmente n\u00e3o t\u00eam, na nossa l\u00edngua, todas as acep\u00e7\u00f5es do franc\u00eas. No original isso quer dizer, segundo o leitor pode verificar num bom dicion\u00e1rio franc\u00eas: segundo as possibilidades do campo das opini\u00f5es ou do sentimento. (Ver, por exemplo, os dicion\u00e1rios Larousse ou Quillet). (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">(10) O texto franc\u00eas disse:<em> L\u00ea perispr\u00edt peut varier et changer \u00e0 l&#8217;lnfinit: l\u00b4\u00e2me est Ia pens\u00e9e: elle ne change p\u00e1s de nature<\/em>. As tradu\u00e7\u00f5es, em geral, s\u00e3o literais, mas n\u00e3o correspondem ao sentido do texto. <em>La pens\u00e9e<\/em>, no caso, quer dizer intelig\u00eancia, segundo a proposi\u00e7\u00e3o cartesiana vigente na \u00e9poca: o pensamento \u00e9 o atributo essencial do Esp\u00edrito e a extens\u00e3o \u00e9 o da mat\u00e9ria. Consulte-se o verbete <em>pens\u00e9e<\/em> num bom dicion\u00e1rio franc\u00eas. Dizer hoje, e particularmente em portugu\u00eas,que a alma \u00e9 o pensamento equivale a deixar o leitor em d\u00favida quanto ao sentido da frase e quanto ao significado da palavra pensamento no Espiritismo, onde a alma como o Esp\u00edrito, s\u00e3o o principio inteligente e, portanto a intelig\u00eancia em sentido lato, origem do pensamento. (N. do T.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"#sdfootnote1anc\">1<\/a>459. \tOs Esp\u00edritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas a\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8212; Nesse sentido a \tsua influ\u00eancia \u00e9 maior do que supondes, porque muito \tfreq\u00fcentemente s\u00e3o eles que vos dirigem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"#sdfootnote2anc\">2<\/a>Este \tIt\u00e1lico consta no original de Kardec, n\u00e3o s\u00e3o observa\u00e7\u00f5es do \tresumo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"#sdfootnote3anc\">3<\/a>Aqui \tsignificando adivinhar o futuro ou ler previs\u00f5es.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PRIMEIRA PARTE No\u00e7\u00f5es Preliminares CAP\u00cdTULO l EXISTEM ESP\u00cdRITOS? 1. A causa principal da d\u00favida sobre a exist\u00eancia dos Esp\u00edritos \u00e9 a ignor\u00e2ncia da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Esp\u00edritos como seres \u00e0 parte na Cria\u00e7\u00e3o, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas s\u00f3 conhecem os Esp\u00edritos atrav\u00e9s das est\u00f3rias fantasiosas que ouviram em crian\u00e7as, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":284,"menu_order":2,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=292"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":341,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/292\/revisions\/341"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espiritismolivre.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}