ESPIRITISMO LIVRE Livre de Dogmas, Livre da Fé Cega, Baseado em Kardec Contato: espiritismolivre@gmail.com

setembro 14, 2015

ESTUDO LIVRO DOS ESPÍRITOS – “Progressão dos Espíritos” (Q.114 a 127)

Filed under: Espiritismo,Estudos — Tags:, , , — Aprendiz @ 12:05 am

Um pouco do estudo do Livro dos Espíritos:

VII – Progressão dos Espíritos (questões de 114 a 127).

A humanidade, desde seus antigos e vastos períodos de aprendizado filosófico, busca uma unicidade de entendimento, uma forma de compreender o ser humano que abrace toda sua complexidade e que possa traduzir suas idéias e seus comportamentos de forma geral. Chama a isso de natureza. A busca pela “natureza humana” foi uma constante por séculos, vide expoentes significativos ao longo das correntes filosóficas naturalistas com entendimentos diversos do que era o ser humano em natureza1.

Quando Kardec questiona os Espíritos na questão 114, temos uma exemplificação desta busca:

114. Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que procuram melhorar-se?

— Os Espíritos mesmos se melhoram; melhorando-se, passam de uma ordem inferior para uma superior”. (2014:88)

Há a confirmação por parte dos Espíritos de que o progresso é possível e de que trata-se de necessidade individual, além de plena dependência dos próprios esforços para cada espírito. Constatando que a questão da natureza ainda não havia sido respondida, Kardec questiona:

115. Uns Espíritos foram criados bons e outros maus?

— Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um deles uma missão, com o fim de esclarecê-los e progressivamente conduzir a perfeição, pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los Dele. A felicidade eterna e sem perturbações, eles a encontrarão nessa perfeição. Os Espíritos adquirem o conhecimento passando pelas provas que Deus lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais prontamente ao seu destino; outros não conseguem sofrê-las sem lamentação, e assim permanecem, por sua culpa, distanciados da perfeição e da felicidade prometida.

115-a. Segundo isto, os Espíritos, na sua origem, se assemelhariam a crianças, ignorantes e sem experiência, mas adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam, ao percorrer as diferentes fases da vida?

— Sim, a comparação é justa: a criança rebelde permanece ignorante e imperfeita; seu menor ou maior aproveitamento depende da sua docilidade. Mas a vida do homem tem fim, enquanto a dos Espíritos se estende ao infinito”. (2014:88).

Da mesma forma que buscamos na filosofia a questão da natureza do homem (se é bom ou mau), a transferência dessa questão para os Espíritos solucionaria o problema de uma vez, já que a humanidade encarnada é reflexo de sua condição espiritual. No entanto a resposta dos espíritos é cristalina, ao invés de bom ou mau, devemos penar na criação de Espíritos simples e ignorantes, verdadeiras sementes que germinam de acordo com o cultivo individual. Isso torna a questão entre bom ou mau como um produto e não causa (natureza). Logo, ninguém é naturalmente bom ou naturalmente mau, simplesmente reflete em suas atitudes o pico moral que atingiu, seja ele mais baixo ou mais alto.

Ao longo das questões 116 e 117 temos o entendimento de que todos os Espíritos um dia atingirão a perfeição e que só dependem de seu próprio esforço para tal, uma vez que o livre-arbítrio é pleno e soberano sobre suas atitudes. Mas um outro ponto interessante é levantado pelo Codificador:

118. Os Espíritos podem degenerar?

— Não. A medida que avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito conclui uma prova, adquiriu conhecimento e não mais o perde. Pode permanecer estacionado, mas não retrogradar” (2014:88).

Ou seja, não é possível que um Espírito caia de nível na escala espírita. Mas o interessante é que ao contrário do que muitos imaginam, o espírito não está “fadado ao bem” a cada conquista. Cada degrau da escala é uma conquista, são conhecimentos adquiridos e moral apurada. Quanto mais elevada a moral e os níveis de conhecimento, maior a responsabilidade daquele espírito e maior o entendimento do impacto causado pelas suas escolhas. Portanto, não há degeneração pois o erro não é mais cometido por ignorância, mas por escolha. É como está escrito em Lucas (12:48) “Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado, mais será reclamado”. Logo, é cristalina a lógica de que existe a opção de se fazer o bem ou mau conforme o nível de esclarecimento que escapa à ignorância. Kardec ainda expôs na obra “O Céu e o Inferno” que:

A responsabilidade moral dos nossos atos na vida permanece, portanto, inteiramente nossa. Mas a razão nos diz que as consequências dessa responsabilidade devem estar em relação com o desenvolvimento intelectual do Espírito. Quanto mais ele for esclarecido, menos desculpável será, porque com a inteligencia e o senso moral nascem as noções do bem e do mal, do junto e do injusto2” (2007:80).

E então aceitando a ideia de que não há degeneração da graduação espiritual, somos compelidos a aceitar algumas ideias subjacentes, como as da estagnação e o agravamento do efeito de nosso livre-arbítrio. Obrigatoriamente, como nos é dito nas questões 120 e 121, nós passamos pela ignorância, mas não necessariamente pelo mal, sendo esse último uma escolha da consciência. Quando se conhece o que é certo e errado (portanto quando já temos uma condição moral que nos ausenta da ignorância) já é possível que se vença o mal.

122. Como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm a consciência de si mesmos, ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal? Há neles um princípio, uma tendência qualquer que os leve mais para um lado que para outro?

— O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo. Não haveria liberdade, se a escolha fosse provocada por uma causa estranha a vontade do Espírito. A causa não está nele, mas no exterior, nas influências a que ele cede em virtude de sua espontânea vontade. Esta é a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação e outros a resistiram” (2014:89).

A consciência evolui e se desenvolve com o passar do tempo e das experiências de cada encarnação. Deus, em sua infinita sabedoria e misericórdia não submeteria suas criações ao impossível. Do contrário, não haveria livre-arbítrio, apenas destinos traçados e fatalismos.

122-a. De onde vêm as influências que se exercem sobre ele?

— Dos Espíritos imperfeitos que procuram envolvê-lo e dominá-lo, e que ficam felizes de fazê-lo sucumbir. Foi o que se quis representar na figura de Satanás.

122-b. Esta influência só se exerce sobre o Espírito na sua origem?

— Segue-o na vida de Espírito, até que ele tenha de tal maneira adquirido o domínio de si mesmo, que os maus desistam de obsidiá-lo” (2014:89).

essa influência das respostas 122-a e b será mais aprofundada no capítulo IX desta obra. Por enquanto podemos depreender que nosso livre-arbítrio é assediado por escolhas diversas todo o tempo, e é a capacidade de melhor escolher que encurta ou alonga nosso caminho rumo á perfeição. É através das más escolhas que vamos galgando novas provas e expiações que servem de instrumento ao nosso progresso.

Somos, portanto, responsáveis pelas escolhas e pela expansão de nossa consciência, trazendo para nós a responsabilidade de acordo com a nossa capacidade de assimilação da mesma. É assim que vamos passar por cada degrau da escala evolucionária rumo á perfeição.

————————————-

1Vide Rousseau, Locke, Hobbes, etc. Cada um destes “naturalistas” possuía uma forma de entendimento e caráter que dava à humanidade em estado puro.

2KARDEC, A. (2007) – O Céu e o Inferno – CAPÍTULO VII – AS PENAS FUTURAS SEGUNDO O ESPIRITISMO – “A carne é fraca” – Editora LAKE – Tradução de Herculano Pires e João Teixeira de Paula.

setembro 3, 2014

RESPONSABILIDADES E LIBERDADES

No Espiritismo, responsabilidades são sempre um problema de consciência. Quanto mais “expandida” for a consciência, mais responsabilidade e conhecimento ela deve nutrir. O conhecimento traz sim responsabilidade, é o que acaba alimentando ou extinguindo alguns desejos e comportamentos que temos.

Tomei a liberdade de colocar um exemplo do Livro dos Espíritos aqui, sobre um tema diretamente relacionado à consciência.

830) Quando a escravidão faz parte dos costumes de um povo, os que dela se aproveitam são condenáveis, por agirem seguindo um procedimento que parece natural?

– O mal é sempre o mal e todos os sofismas não farão com que uma má ação se torne boa. Mas a responsabilidade do mal é relativa aos meios de que se dispõe para compreendê-la. Aquele que tira proveito da lei da escravidão é sempre culpado da violação da lei natural; mas, nisso, como em todas as coisas, a culpa é relativa. A escravidão, tendo se firmado nos costumes de alguns povos, tornou possível ao homem aproveitar-se dela de boa-fé, como de uma coisa que parecia natural; mas a partir do momento que sua razão se mostrou mais desenvolvida e, acima de tudo, esclarecida pelas luzes do Cristianismo, demostrando que o escravo é um ser igual diante de Deus, não há mais desculpa que justifique a escravidão.

Ou seja, quando a doutrina do Cristo veio aos homens e lhes ditou “amar ao próximo como a si mesmo” qualquer forma de escravidão ou qualquer imposição condicional à liberdade perde o efeito. A “boa fé” significa agir de consciência limpa, e se seguimos algum costume, não pode haver nenhuma dúvida a respeito de sua procedência em nossa mente.

Somos responsáveis sim pelos atos, e com a moral do Cristo, ficou claro que bem e mal são nitidamente separáveis um do outro, independentemente do contexto em que se analise.

O tema se une a outro tão importante quanto, o do “livre arbítrio”, que deve ser respeitado acima de tudo. Respeitar o próximo é também respeitar seus atos, ainda que pareçam incorretos, quando o erro provém da ignorância, e não de propósito ruim. Existe diferença clara entre o que erra por desconhecimento de causa (e aprende após a colheita ruim das consequências) e entre os que erram visando prejudicar outros.

Um senhor de escravos com religião cristã é um contra-senso em si mesmo. Não é um paradoxo, é um ERRO. Não se pode ler o Novo Testamento e concordar com a restrição absoluta da liberdade de um outro ser humano. Nenhuma hipótese ou teoria malabarística justificaria este ato, portanto, incorre-se em erro grave e sério perante a Providência Divina.

O tratamento digno ao próximo é uma obrigação de direitos. Somos diferentes em etnias, escolhas, cor, modo de ver, etc, mas o espírito em si é igual, as alterações são apenas em escala evolucionária. O mundo será muito melhor quando os que estão escada acima concordarem em estender as mãos para ajudar os que estão em degraus inferiores.

A humanidade só encontrará progresso quando assim também se comportar.

setembro 28, 2011

Esmola e a Verdadeira Caridade

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – QUESTÃO 888 / 888a

888 O que pensar da esmola?

–  O  homem  reduzido  a  pedir  esmola  se  degrada  moral  e  fisicamente: ele  se  embrutece.  Numa  sociedade  baseada  na  lei  de  Deus  e  na  justiça, deve-se  prover  a  vida  do  fraco  sem  humilhação  e  garantir  a  existência daqueles  que  não  podem  trabalhar  sem  deixar  sua  vida  sujeita  ao  acaso  e à  boa  vontade.

888a Vós reprovais a esmola?

–  Não;  não  é  a  esmola  que  é  reprovável,  é  muitas  vezes  a  maneira como é dada. O homem de bem que compreende a caridade, como Jesus,  vai  até  o  infeliz  sem  esperar  que  ele  estenda  a  mão.

A  verdadeira  caridade  é  sempre  boa  e  benevolente,  tanto  no  ato  quanto na  forma.  Um  serviço  que  nos  é  oferecido  com  delicadeza  tem  seu  valor aumentado;  mas  se  é  feito  com  ostentação,  a  necessidade  pode  fazer com  que  seja  aceito,  porém  o  coração  não  se  sente  tocado.

Lembrai-vos  também  que  a  ostentação  tira,  aos  olhos de  Deus,  o mérito  do  benefício.  Jesus  ensinou:  “Que  a  mão  esquerda  não  saiba  o  que faz  a  direita ” ,  ensinando  a  não  ofuscar  a  caridade  com  o  orgulho.

É  preciso  distinguir  a  esmola  propriamente  dita  da  beneficência.  O mais  necessitado  nem  sempre  é  aquele  que  pede;  o  temor  da  humilhação tolhe  o  verdadeiro  pobre,  que  sofre  sem  se  lamentar;  é  a  esse  que  o  homem  verdadeiramente  humano  deve  procurar  sem  ostentação.

Amai-vos  uns  aos  outros,  eis  toda  a  lei.  Lei  divina  pela  qual  Deus governa  os  mundos.  O  amor  é  a  lei  de  atração  para  os  seres  vivos  e  organizados;  a  atração  é  a  lei  de  amor  para  a  matéria  inorgânica.

Nunca  vos  esqueçais  de  que  o  Espírito,  seja  qual  for  seu  grau  de adiantamento,  sua  situação  como  reencarnado  ou  no  mundo  espiritual,está  sempre  colocado  entre  um  superior  que  o  guia  e  aperfeiçoa  e  um inferior  diante  do  qual  tem  esses  mesmos  deveres  a  cumprir.

Sede  caridosos,  praticando  não  apenas  a  caridade  que  tira  do  bolso a  esmola  que  dais  friamente  àquele  que  ousa  pedir,  mas  a  que  vos  leve  ao encontro  das  misérias  ocultas.  Sede  indulgentes  para  com  os  defeitos  de vossos  semelhantes.  Em  vez  de  desprezar  a  ignorância  e  o  vício,  instruí-os e  moralizai-os.  Sede  doces  e  benevolentes  para  todos  que  são  inferiores; sede  doces  e  benevolentes  mesmo  em  relação  aos  seres  mais  insignificantes  da  criação  e  tereis  obedecido  à  lei  de  Deus.

(São Vicente de Paulo)

_______________________________

Obra: Religião dos Espíritos – Chico Xavier (pelo Espírito Emmanuel).

13 – Dizes-te

Reunião pública de 23/2/59
Questão nº 888

Dizes-te pobre;
entretanto, milionários de todas as procedências dar-te-iam larga fortuna por ínfima par-te do tesouro de tua fé.

Dizes-te desorientado;
contudo, legiões de companheiros, cujo passo a cegueira física entenebrece, comprar-te-iam por alta recompensa leve migalha da visão que te favorece, para contemplarem pequena faixa da Natureza.

Dizes-te impedido de praticar o bem;
todavia, multidões de pessoas algemadas aos catres da enfermidade oferecer-te-iam bolsas repletas por insignificante recurso da locomoção com que te deslocas, de maneira a se exercitarem no auxilio aos outros.

Dizes-te desanimado;
sem te recordares, porém, de que vastas fileiras de mutilados estariam dispostos a adquirir, com a mais elevada quota de ouro, a riqueza de teus pés e a bênção de teus braços.

Dizes-te em provação;
mas olvidas que, na triste enxovia dos manicômios, inúmeros sofredores cederiam quanto possuem para que lhes desses um pouco de equilíbrio e de lucidez.

Dizes-te impossibilitado de ajudar com a luz da palavra;
no entanto, mudos incontáveis fariam sacrifícios ingentes para deter algum recurso do verbo claro
que te vibra na boca.

Dizes-te desamparado;
entretanto, milhões de criaturas dariam tudo o que lhes define a posse na vida para usar um corpo harmônico qual o teu, a fim de socorrerem os filhos da expiação e do sofrimento.

Por quem és, não lavres certidão de incapacidade contra ti mesmo.

Lembra-te de que um sorriso de confiança, uma prece de ternura, uma frase de bom ânimo, um gesto de solidariedade e um minuto de paz não têm preço na Terra.

Antes de censurar o irmão que traz consigo a prova esfogueante das grandes propriedades, sai de ti mesmo e auxilia o próximo que, muita vez, espera simplesmente uma palavra de entendimento e de reconforto, para transferir-se da treva à luz.

E, então, perceberás que a beneficência é o cofre que devolve patrimônios temporariamente guardados a distância das necessidades alheias, e que a caridade, lídima e pura, é amor sempre vivo, a fluir, incessante, do amor de Deus.
__________________________________________________

Os ensinamentos acima são bem claros. São uma reflexão no que consiste a real caridade e a real ajuda. Podemos também definir o conceito de esmola moral.

Já vi muitos espíritas que condenavam a esmola (o ato de conceder pequena soma de dinheiro à alguém necessitado). Os argumentos variavam em gênero, número e grau, e geralmente não eram argumentos nem um pouco espíritas (do tipo, “dando dinheiro favorecemos a dependência, a vagabundagem” e assim por diante). Eu não vejo desta forma, pois sempre tento perceber o momento inicial que levou aquele cidadão à recorrer ao artifício de pedir. É uma humilhação pessoal, que obriga o pedinte a engolir qualquer senso de orgulho. Fora as humilhações que acontecem durante o dia – a – dia.

Aqueles que pedem não possuem instalações domésticas e nem uma estrutura de reconforto (claro, na maioria dos casos). Eles não possuem fonte de renovação. Eis o porque de as palavras de Emmanuel tocarem fundo no nosso âmago, especialmente no final.

O cotidiano moderno nos enche de informações, nos coloca em outra realidade. Imaginamos compreender as dificuldades dos outros, mas raramente paramos para nos colocar em dificuldades semelhantes. Tente um dia:
– sair sem blusa num dia frio;
– ficar jejuando algum tempo;
– deixar a carteira em casa e não poder depender de ninguém;

E teremos alguma noção (não toda, pois sempre teremos o consolo de ter tudo de volta quando quisermos).

Agir com mais paciência, benevolência e consolo, talvez assim tenhamos um pouco do “Consolador” em nós, nos inspirando.



Powered by WordPress