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março 30, 2021

Estudo Sobre Psicosfera e Irradiações Mentais

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Para entender melhor o conceito e a prática de Psicosfera, utilizei o início da obra Painéis da Obsessão – Divado Pereira Franco (pelo Espírito Manoel P. de Miranda).

É uma exemplificação bastante útil para quebrarmos o paradigma de que existe um Plano Espiritual e um Plano Material, segregados, enquanto, na verdade, existem de forma concomitante e suas ações são congruentes e interdependentes. Desta forma a psicosfera é uma das resultantes da propriedade mental, presente no Espírito e, portanto, em quaisquer realidades onde este esteja inserido.

O texto original do livro está em azul, e as observações em fonte regular.

PAINÉIS DA OBSESSÃO

Na raiz de todas as enfermidades que sitiam o homem, encontramos, no desequilíbrio dele próprio, a sua causa preponderante.

Desequilíbrio significa o uso do livre arbítrio com padrões ético-morais duvidosos, seja no cultivo de pensamentos, seja em ações subsequentes.

Sendo o Espírito o modelador dos equipamentos de que se utilizará na reencarnação, desdobra as células do zigoto sobre as matrizes vibratórias do perispírito, dando surgimento aos folhetos blastodérmicos1 que se encarregam de compor os tubos intestinal e nervoso, os tecidos cutâneos e todos os elementos constitutivos das organizações física e psíquica. São bilhões de seres microscópicos, individualizados, trabalhando sob o comando da mente, que retrata as aquisições anteriores, na condição de conquistas ou dívidas, que cumpre aprimorar ou corrigir. Cada um desses seres que se ajustam perfeitamente aos implementos vibratórios da alma emite e capta irradiações específicas, em forma de oscilações eletromagnéticas, que compõem o quadro da individualidade humana…

O mecanismo acima descrito não é voluntário. É uma lei natural automática pela qual a matéria física será moldada de acordo com os atributos perispirituais (que já mantém o arquivo vivo de todas as conquistas e necessidades do Espírito) e se traduzirá em elemento biológico. Ou seja, desde a constituição inicial do corpo físico, a psicosfera inicia sua ação, uma vez que o corpo é moldado pelas vibrações daquela alma. O mecanismo abaixo exalta essa continuidade:

Em razão da conduta mental, as células são estimuladas ou bombardeadas pelos fluxos dos interesses que lhe apraz, promovendo a saúde ou dando gênese aos desequilíbrios que decorrem da inarmonia, quando essas unidades em estado de mitose degeneram, oferecendo campo às bactérias patológicas que se instalam vencendo os fatores imunológicos, desativados ou enfraquecidos pelas ondas contínuas de mau humor, pessimismo, revolta, ódio, ciúme, lubricidade e viciações de qualquer natureza que se transformam em poderosos agentes da perturbação e do sofrimento2.

Seria justo entender que a psicosfera mantida pelo Espírito atua irradia continuamente e impacta os implementos biológicos.

No caso dos fenômenos teratológicos3 das patogenias congênitas, encontramos o Espírito infrator encarcerado na organização que desrespeitou, impunemente, quando a colocou a serviço da irresponsabilidade ou da alucinação, agora recuperando, de imediato, os delitos perpetrados, mesmo que em curto prazo expiatório.

Portanto o corpo material será influenciado de forma mais ou menos importante por alguns aspectos de forma mais ou menos decisiva:

  • Atuação mental do encarnante;
  • Hereditariedade / genética (cromossomos);
  • Influência mental dos encarnados (especialmente da mãe);
  • Concurso de outros Espíritos

Serão ações interdependentes.

Problemas de graves mutilações e deficiências, enfermidades irreversíveis surgem como efeitos da culpa guardada no campo da consciência, em forma de arrependimentos tardios pelas ações nefastas antes praticadas.

Neste capítulo, o das culpas, origina-se o fator causal para a injunção obsessiva. Daí, só existem obsidiados porque há dívidas a resgatar.

E este trecho é importante para excluir a ideia de que há uma “vítima” no processo obsessivo. Na verdade há um mecanismo natural de reajuste que obriga os envolvidos ao resgate de um débito ou sentimento que os une / imanta. A questão da culpa é importante pois o arrependimento sem o reajuste é apenas a menor parte do caminho a percorrer.

A obsessão resulta de um conúbio por afinidade de ambos os parceiros.

O reflexo de uma ação gera outro reflexo equivalente. Toda vez que uma atitude agride, recebe uma resposta de violência, tanto quanto, se o endividado se apresenta forrado de sadias intenções para o ressarcimento do débito, encontra benevolência e compreensão para recuperar-se.

A culpa, consciente ou inconscientemente instalada no domicílio mental, emite ondas que sintonizam com inteligências doentias, habilitando-as a intercâmbios mórbidos. No caso específico das obsessões entre encarnados e desencarnados, estes últimos, identificando a irradiação enfermiça do devedor, porque são também infelizes, iniciam o cerco ao adversário pretérito, através de imagens, mediante as quais fazem-se notados, não necessitando de palavras para serem percebidos, insinuando-se, com insistência, até estabelecerem o intercâmbio que passam a comandar…

De início, é uma vaga ideia que assoma, depois, que se repete com insistência, até insculpir no receptor o clichê perturbante que dá início ao desajuste grave.

A autobsessão, início de todo processo obsessivo, é muito facilitada pela culpa. É um gatilho facilmente “provocável”. Assim como o medo e afins.

Em razão disso, não existe obsessão apenas causada por um dos litigantes, se não houver sintonia perfeita do outro.

Quanto maior for a permanência do intercâmbio com o hospedeiro domiciliado no corpo – e entre encarnados o fenômeno é equivalente –, mais profunda se tornará a indução obsessiva, levando à alucinação total.

É nessa fase, em que a vítima se rende às ideias infelizes que recebe, a elas se convertendo, que se originam os simultâneos desequilíbrios orgânicos e psíquicos de variada classificação.

A mente, viciada e aturdida pelas ondas perturbadoras que capta do obsessor, perde o controle harmônico, automático sobre as células, facultando que as bactérias patológicas proliferem, dominadoras. Tal inarmonia propicia a degenerescência celular em forma de cânceres, tuberculose, hanseníase e outras doenças de etiopatogenias complexas, que a Ciência vem estudando.

Só a radical mudança de comportamento do obsidiado resolve, em definitivo, o problema da obsessão.

Estes dois últimos parágrafos deste trecho servem para o atual momento com perfeição. Uma psicosfera de boa emanação é aquela que sintoniza com o bem e com propósitos de elevação. O medo, a culpa, a raiva, a sensação de vazio, a impotência perante a realidade e etc, podem provocar o desequilíbrio e contribuir prontamente para processos obsessivos e para adoecimentos diversos.

Não é um processo instantâneo, rápido; é algo que se constrói por período longo e, quanto mais aprofundado o desequilíbrio, mais difícil para a alma impor seu livre arbítrio em direção oposta. No entanto, longe de ser impossível.

Suicídio e Obsessão

Sem que desejemos encontrar responsáveis diretos pelas desditas que desabam sobre a criatura humana, justo é considerarmos a alta carga de compromissos infelizes com que arca o Materialismo, na atual conjuntura moral e social do planeta.

Negando os valores éticos, relevantes da vida, incita ao imediatismo do prazer a qualquer preço e, conformando o utilitarismo como solução para os problemas gerais, tira do Espírito os estímulos da coragem nobre, facultando o desbordar das paixões violentas, que irrompem alucinadas, em caudais de revolta e desajuste.

Da vida somente preconizando a utilização da matéria, estabelece a guerra pela conquista do gozo, de que o egoísmo se faz elemento essencial.

É impossível ter em mente que valores diretos e de curto prazo não tenham relação com a leviandade em relação à vida. O materialismo é o reflexo final da descrença absoluta causada pela incoerência entre religião e vida cotidiana. Claramente houve um descolamento pela incapacidade atual da primeira em consolar e explicar a realidade.

Na conversa sobre reencarnação em 24/03/21, abordamos que pensar em longo prazo é fundamental para que haja algum sucesso na reforma íntima. A alteração deste paradigma significa uma reconceituação também da realidade cotidiana.

Quando faltam os recursos para os cometimentos que persegue, arroja o homem ao crime, em razão de assentar os seus valores no jogo das coisas a serem conquistadas, aumentando as frestas das competições insanas, nas quais a astúcia e a deslealdade assumem preponderância em forma de comportamento do ser.

Obviamente, existem pessoas que militam nas hostes do Materialismo e mantêm uma filosofia existencial digna, tanto quanto uma estrutura ética respeitável.

Referimo-nos à Doutrina, em si mesma que, anulando as esperanças da sobrevivência, abrevia as metas da vida, retirando as resistências morais diante do sofrimento e das incertezas, dos acontecimentos desastrosos e das insatisfações de vária gênese.

Desarmado de recursos otimistas e sem esperança, o homem não vê alternativa, senão a do mergulho da consciência nas águas torvas do suicídio nefasto, quando chamado a testemunhos morais para os quais está despreparado.

Não apenas isto ocorre, quando o homem estabelece, para o seu comportamento, uma estrutura materialista trabalhada pelo estudo numa reação psicológica contra os postulados religiosos que não abordam ou não enfrentam os problemas graves da vida com os argumentos da razão e da lógica, ainda apelando para a fé destituída de discernimento e de conteúdo científico.

Incluímos, também, os que, desestruturados por fatores sociais, culturais, econômicos e emocionais, embora catalogados como membros de qualquer Igreja, se deixam conduzir por atitudes negadoras, em franco processo de entrega materialista. Frágeis, emocionalmente, em presença de qualquer desafio tombam e diante de qualquer infortúnio desfalecem. Não se dão ao trabalho de reflexionar sobre as finalidades da existência física, vivendo, não raro, em expressões de primarismo automatista das necessidades primeiras, sem mais altos voos do pensamento ou da emoção…

Outra larga faixa dos homens se encontra em vinculação com o processo revolucionário do momento, em que filosofias apressadas e doutrinas ligeiras empolgam os novos aturdidos fiéis, para logo os abandonar sem as bases sólidas de sustentação emocional, com que enfrentariam as inevitáveis vicissitudes que fazem parte do mecanismo da evolução de todos os aprendizes da escola terrena.

Sem os exercícios da reflexão mais profunda, nem os hábitos salutares da edificação do bem em si mesmos, sem a constante da prece como intercâmbio de forças parafísicas, derrapam nas atitudes-surpresa, avançando para o alçapão mentiroso do suicídio. E o fazem de um salto, quando excitados ou em profunda depressão, ou logram alcançá-lo mediante o largo roteiro da alienação em quadros neuróticos, psicóticos, esquizofrênicos…

A prece é o melhor mecanismo de reajuste da psicosfera que nos é própria. É a forma mais eficiente de nos conectarmos ao que é superior, e também a forma mais imediata de solicitar auxílio. É manifesto o fato de ser quase impossível que uma pessoa faça 100% do progresso que almejava em apenas uma encarnação, mas se há intenção verdadeira e ações que as justifiquem, a prece trará o auxílio para que tenhamos clareza nas escolhas. Inúmeras quedas seriam evitadas e inúmeros erros seriam desaconselhados em nosso íntimo por bons Espíritos.

A inspiração teria caráter fundamental em nossas escolhas, passando pelo entendimento de que a realidade encontra-se muito além apenas do que os sentidos físicos apreendem.

A princípio, o processo, porque instalado nas matrizes da personalidade em decorrência de vidas passadas que foram malogradas, apresenta predisposições que se concretizam em patologias dominadoras, abrindo brechas para as invasões psíquicas obsidentes que se vulgarizam e alastram, dando lugar a uma sociedade ansiosa, angustiada, assinalada por distonias graves…

Não desconsiderando os fenômenos de compulsão suicida, de psicoses profundas que afetam as estruturas da personalidade, pululam os intercursos obsessivos em verdadeiras epidemias que ora grassam, alarmantes…

A princípio, manifestam-se como uma ideia que se insinua; doutras vezes, são um relâmpago fulgurante na noite escura dos sofrimentos, como solução libertadora. Posteriormente, fazem-se fixação do pensamento infeliz que se adentra, dominando os painéis da mente e comandando o comportamento, assomando em configuração de ser, o autocídio, a melhor atitude, mais correta solução ante problemas e desafios.

Com o tempo, desaparece a polivalência das conjecturas, surgindo o monoideísmo, em torno do qual giram as demais aspirações que cedem lugar ao dominador psíquico, agora senhor da área do raciocínio que se apaga, para dar campo ao gesto tresvariado, enganoso, sem retorno…

A obsessão é clamorosa enfermidade social que domina o moderno pensamento, que desborda do império de fatores dissolventes, elaborados pela mecânica do materialismo disfarçado de idealismos voluptuosos que incendeiam mentes e anestesiam sentimentos.

A reflexão e o exame da sobrevivência do Espírito, o posicionamento numa ética cristã, o estudo da ciência e filosofia espíritas, constituem seguras diretrizes para conduzir a mente com equilíbrio, preservando as emoções com as quais o homem se equipa em segurança para o prosseguimento na escalada da evolução.

Conflitos, que todos trazemos de ontem como das experiências de hoje, fazem parte da área de crescimento pessoal de cada Espírito, devendo ser liberados através da ação positiva, diluídos no bem, sublimados pelas atividades do idealismo superior antes que constituam impedimentos ao avanço, freio no processo de crescimento, amarra constritora ou campo para a fixação de ideias obsessivas, de que personalidades perversas do mundo espiritual se utilizam para o comércio ultor da loucura e do suicídio lamentável…

Cada suicida em potencial necessita, é certo, de apoio fraternal, terapia espiritual, compreensão moral de quantos o cercam e assistência médica especializada. No entanto, considerando a gravidade do problema que avulta, ao paciente compete a parte mais importante e decisiva, que é, de início, a mudança de atitude mental perante a vida e, logo, o esforço por melhorar-se moralmente, metodologia esta, com que se elevará acima das vibrações deletérias, liberando-se da ação dos Espíritos enfermos, perturbados e perturbadores que enxameiam na psicosfera da Terra de provas e expiações, no seu processo de regeneração.

(…)

Pereira Franco, Divaldo; Philomeno de Miranda, Manoel. Painéis da Obsessão (pp.07-15). LIVRARIA ESPÍRITA ALVORADA EDITORA.

1Folhetos Blastodérmicos – Camada de células que originam o embrião.

2Excelente conteúdo explicativo na obra de MISSIONÁRIOS DA LUZ, Capitulo 13 – Reencarnação.

3Estuda as causas, mecanismos e padrões do desenvolvimento fetal anormal.

janeiro 19, 2016

Retorno

Filed under: Uncategorized — Aprendiz @ 8:51 am

Finalmente, em breve, textos novos à disposição. Obrigado a todos pelas visitas e pela paciência.

agosto 17, 2015

Ausência nas Postagens

Filed under: Uncategorized — Aprendiz @ 6:30 am

Desculpem a ausência nas postagens, semana próxima tudo voltará ao normal.

Estou trabalhando em um estudo do Livro dos Espíritos e em breve estará disponível no site.

dezembro 19, 2011

LEÓN DENIS – O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR

Filed under: Uncategorized — Aprendiz @ 7:33 am

Meus caros,

Vou criar uma página, ao lado, com as citações e comentários de toda Primeira Parte do livro, que abrangerá da página 1 a 222 do livro.

Peço que enviem comentários ou e-mails para espiritismolivre@gmail.com

PS: ESTA PEQUENA CONTRIBUIÇÃO NÃO SIGNIFICA UM RESUMO QUE DISPENSA A LEITURA DA OBRA. NÃO HÁ CONDIÇÕES DE RESUMIR LEON DÉNIS, É SOMENTE UM GUIA DE LEITURA.

Fiquem com a paz do Mestre Jesus.

dezembro 11, 2011

Transformação (ou morte)

Filed under: Uncategorized — Tags:, — Aprendiz @ 1:59 pm

“Ao passo que neste mundo choramos a partida de um dos nossos, como se ele fosse perder-se no nada, por cima de nós seres etéreos glorificam a sua chegada à luz, da mesma forma que nós nos regozijamos com a chegada de uma criancinha, cuja alma vem, de novo, desabrochar para a vida terrestre. Os mortos são os vivos do Céu!”

Léon Denis – “O problema do Ser, do Destino e da Dor”, Cáp. X – A Morte – p. 184 (FEB, 2005).

Achei simplesmente brilhante a metáfora de Denis para explicar a morte. O capítulo como um todo é ótimo, e em breve colocarei um resumo desta gradiosa obra. Humildemente digo que jamais direi que meu resumo pode substituir a leitura deste livro, mas sim auxiliará um pouco no estudo do mesmo.

A morte é, na maioria das vezes, relacionada ao sofrimento e à punição, e isso foi colocado há muito em nossas consciências. Hoje temos livros e filmes de terror anunciando estas condições, no passado tivemos a opressão religiosa que nos condenava ao inferno (ou afins) caso não nos comportássemos como ditado.

O maior mérito da Doutrina Espírita é retirar o fardo da morte de nossas costas, e nos indicar a agir da melhor maneira possível para ter uma moral plena e uma vida de contínua alegria, a morte só significa a continuidade, transformação, e não aniquilamento da realidade. A Natureza não aniquila, só altera suas formas e vidas.

A atemporalidade nos traz o conforto de saber que sempre há tempo para transformação rumo à evolução, e poucas são as verdades que consolam tanto.

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